Domingo, Maio 18, 2008

O futuro próximo

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Houve dez glaciações durante o último milhão de anos com durações aproximadas de 100 mil anos. Os períodos interglaciais tiveram intervalos muito mais reduzidos com médias próximas de 10 mil anos.

A última glaciação acabou há cerca de 10 mil e 500 anos (ver p.e., Fig. ZJ5); assim, atendendo à média, o presente período interglacial não deverá durar muito mais tempo. Se vai persistir mais umas décadas ou uns séculos é uma matéria especulativa.

Parece, pois, inevitável o aparecimento de uma fase fria devida a factores astronómicos exteriores ao sistema climático (atmosfera, oceanos, continentes, criosfera, biosfera). As condições interglaciais satisfatórias podem estar a desaparecer.

Nos anos 1970 houve uma curta fase fria (entre 1960-1975). Nessa altura procurou-se justificar o frio com a presença de aerossóis industriais. Actualmente, pretende-se fundamentar o calor com a produção antropogénica do CO2.

Cientistas chineses (Zhen-Shan et Xian, 2007) *, aplicando uma metodologia multidisciplinar, estudaram a variação da temperatura entre 1881 e 2002 no Hemisfério Norte e na China. Encontraram variações quase-periódicas com um período indicativo de 60 anos.

Apesar da tendência de crescimento monótono da concentração do CO2, o paradigma da variação da temperatura com períodos de 60 anos apresenta crescimentos e decrescimentos intercalados, logo, não monótonos, segundo o estudo de Zhen e Xian.

Os autores chineses concluíram, pois, que a concentração atmosférica do CO2 não é determinante na variação periódica da temperatura. Para eles, o efeito da concentração tem sido exageradamente considerado na explicação da evolução climática. Este estudo concluiu que o clima deverá começar a arrefecer nos próximos 20 anos.

Aliás, esta conclusão está de acordo com a de astrónomos siberianos do Instituto de Geociências, de Irkutsk (em inglês: Earth's Crust Institute, solar-terrestrial physics institute). Estes cientistas, através do estudo dos ciclos e das manchas solares, de 1882 a 2000, deduziram que o mínimo da actividade solar deverá situar-se num ciclo de 2021 a 2026.

Daí resultará uma temperatura superficial global mínima (Bashkirtsev et Mashnich, 2003) *. Os cientistas siberianos determinaram também que a resposta da temperatura do ar aos ciclos das manchas solares está desfasada em atraso próximo de três anos para a Sibéria e de dois anos para o Globo.

Uma projecção semelhante, baseada em observações da actividade solar, foi anunciada pelo Observatório de Pulkovo, próximo de São Petersburgo, Rússia. O Prof. Habibullo I. Abdussamatov, director do Observatório, afirmou que, em vez de aquecimento, o planeta iniciará um arrefecimento lento entre 2012-2015. O valor mínimo do arrefecimento será alcançado entre 2050 e 2060.

Segundo o Prof. Abdussamatov este período de arrefecimento durará 50 anos e será comparável ao mínimo verificado na Pequena Idade do Gelo (1645-1715) quando a temperatura desceu 1 ºC a 2 ºC em relação ao valor actual (Abdussamatov, 2004; Abdussamatov, 2005; Abdussamatov, 2006) *.

Nos últimos 3000 anos observaram-se tendências para arrefecimento do clima terrestre (Keigwin et al. 1994; Khilyuk et Chilingar, 2006) *. Neste período os desvios da temperatura foram de 3 ºC com uma tendência para uma diminuição de, aproximadamente, 2 ºC.

Khilyuk e Chilingar afirmaram: «Esta tendência de arrefecimento permanecerá no futuro próximo. Vivemos num período geológico de arrefecimento e o aquecimento dos últimos 150 anos foi um fugaz episódio na história geológica da Terra.» Esta afirmação está reflectida na Fig. ZJ10.

Em conclusão, não é o Homem mas sim a Natureza que domina o clima. O Protocolo de Quioto e as ideias forjadas nos relatórios do IPCC, sintonizadas com o malthusianismo, podem fazer realmente muito ruído. Mas de nada servem.

O Protocolo de Quioto vai causar muitos prejuízos nas economias e no bem-estar de milhões de pessoas. O esforço pedido aos cidadãos não pode fazer nada para alterar o clima. Será isto que todos nós descobriremos, num futuro próximo, como resultado de enormes e supérfluos sacrifícios.

(fim)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Fig. ZJ10 - Temperatura média do Hemisfério Norte. Fonte: Khilyuk e Chilingar, 2006.


Gráfico simplificado da temperatura média do Hemisfério Norte durante os últimos 1000 anos, de acordo com a base de dados de Khilyuk e Chilingar, 2006. A temperatura projectada (traço interrompido) é baseada em elementos deste artigo de Zbigniew Jaworowski.
Posted by Picasa

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Marlo Lewis no site da FNAC

O livro «A Ficção Científica de Al Gore» é neste momento o destaque de 1ª página do site da FNAC.

Esta informação tem interesse para muitos leitores do Brasil que perguntam qual o modo de acederem à compra do livro. Deverá ser possível encomendá-lo a um loja FNAC do Brasil com a indicação da página da sua congénere de Portugal.

Terça-feira, Maio 13, 2008

Entrevista com Marlo Lewis, Jr.

A jornalista Helena Oliveira entrevistou o autor do livro A Ficção Científica de Al Gore. A entrevista foi publicada no portal Ver.

Helena Oliveira conduziu a entrevista com muita clarividência ao escolher cinco perguntas com muita pertinência. As respostas de Marlo foram igualmente claras e objectivas.

Salientamos a terceira pergunta-resposta que põe em causa os actores intervenientes no escândalo da atribuição do Nobel da Paz.

«Pergunta:

- Se existem tantas “não-verdades” (ou poderemos mesmo chamar-lhes mentiras?) no UVI de Gore, como foi possível ter conseguido que o “mundo se ajoelhasse a seus pés” e o tenha transformado no mais reconhecido ambientalista dos nossos tempos? E como se explica que, em conjunto com o IPCC, tenha ganho o Nobel, quando existem tantos cientistas que não concordam com este alegado alarmismo?

Resposta:

- Em primeiro lugar, devemos ter em mente que os colaboradores do IPCC incluem cientistas como John Christy que rejeita a visão apocalíptica de Gore no que respeita ao aquecimento global. E o IPCC também não aprova o documentário de Gore na sua totalidade. Na verdade, o IPCC prevê um aumento do nível do mar, para o século XXI, entre 7 a 23 polegadas [17,78 cm a 58,42 cm] – consulte a página 8 do Resumo para os Decisores Políticos do IPCC – o que significa, em média, um aumento de 14 polegadas [35,5 cm], valor este que pode estar igualmente sobreavaliado. E, em qualquer dos casos, os níveis do mar aumentaram tanto como as estimativas do IPCC desde os anos de 1860. Alguém reparou? Alguém se preocupou? Posso dizer-lhe algo que cresceu muito mais rapidamente – os valores das propriedades imobiliárias situadas nas zonas costeiras! O aumento do nível do mar não é a grande e assustadora ameaça que Gore quer fazer parecer. O Comité Nobel deu um e o mesmo prémio ao painel científico que estima um aumento do nível do mar em cerca de 14 polegadas [cerca de 36 centímetros que nem sequer chegam ao joelho] e a um Al Gore que alerta para um possível aumento de 18 pés [cerca de 5,5 metros que são quase a altura de um rés-do-chão e primeiro andar]. Ou seja, podemos afirmar que, tal como Gore, o Comité Nobel opta por uma visão política relativamente ao aquecimento global.»

Está tudo muito claro.

Sexta-feira, Maio 09, 2008

Esclarecimento acerca do livro «A Ficção Científica de Al Gore»

Respondendo às perguntas de vários leitores, informa-se que não se realizou a sessão pública de lançamento do livro devido ao cumprimento apertado de prazos.

As expectativas da editora foram totalmente ultrapassadas e os canais de distribuição requisitaram a totalidade da 1ª edição. Antevê-se a 2ª edição imediata do livro.

No entanto, está prevista a realização de uma conferência sobre alterações climáticas com a discussão de temas do livro e a possível presença do seu próprio autor, Marlo Lewis, Jr.

O livro já está em armazéns centrais de livreiros. Segue-se o envio para as livrarias de todo o país. Ficará à disposição do público durante o fim-de-semana, dependendo da logística de cada uma das organizações de livreiros.

Terça-feira, Maio 06, 2008

A ficção científica de Al Gore

Está quase a sair para o mercado o livro «A Ficção Científica de Al Gore». Já se encontra no depósito da editora e chegará às livrarias muito brevemente.

É o primeiro livro a nível mundial que faz uma crítica arrasadora das intrujices de Al Gore que tanto brado deu e o ajudou a ser premiado com um Nobel da Paz. Este escândalo só foi possível pela manipulação das consciências de cidadãos, de decisores políticos, de profissionais da comunicação social e, infelizmente, de cientistas de vários campos da Ciência.

Al Gore recorre a factos e observações reais, mas não se furta a mentir, distorcer e alarmar, para asseverar categoricamente que todas as desgraças – secas, calor, cheias, extinção de espécies, etc. – se devem ao “aquecimento global”.

Se Al Gore e os seus seguidores têm a certeza de que as cidades costeiras vão desaparecer, engolidas pela subida dos oceanos, devida à fusão do gelo do Antárctico e da Gronelândia, e se têm consciência de que as medidas que agora propõem já não vão a tempo de evitar tal catástrofe, por que razão não exigem aos governos que dêem início a um processo, necessariamente moroso, de evacuação das populações para novas cidades a construir em cotas mais elevadas ?

Marlo Lewis Jr. identifica no livro/filme "Uma Verdade Inconveniente" 26 afirmações distorcidas, 17 enganosas, 10 exageradas, 28 especulativas e 19 erradas. O livro de Marlo Lewis Jr. está dividido nos seguintes capítulos :

Efeito de Estufa Básico; Glaciares de Montanha; Reconstrução do Clima com Dados Proxy; Projecções do Aquecimento Global; Calor; Furacões; Tornados, Inundações, Fogos e Secas; O Clima do Árctico; Corrente do Golfo; Pássaros, Escaravelhos, Extinções; Recifes de Coral; Algas, Carraças, Mosquitos e Germes; Antárctico e Subida do Nível do Mar; Gronelândia e Subida do Nível do Mar; A Humanidade e a Natureza; A América e as Alterações Climáticas; Consenso, Ciência e Grupos de Interesses; Bush e o Aquecimento Global; Política Climática; Moralidade.

Os textos são acompanhados por 89 figuras, muitas delas coloridas, que facilitam a compreensão da análise crítica de Marlo Lewis Jr.

A edição é da Booknomics que se esforçou por apresentar uma obra de valor pois além da crítica, o livro constitui um excelente manual sobre muitos dos temas climatológicos. Faculta uma vasta lista de referências e notas finais para os leitores aprofundarem conhecimentos e prosseguirem outras leituras.

A tradução é de Rui Gonçalo Moura e de Jorge Pacheco de Oliveira, que procuraram auxiliar os leitores enriquecendo o livro com uma centena de notas de pé-de-página.

Sábado, Maio 03, 2008

O pânico do nível do mar

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Um dos assuntos mais apregoados para alarmar a opinião pública é a hipotética subida do nível dos mares. Esta presumível elevação marítima causaria prejuízos catastróficos aos habitantes que vivem junto ao mar e que representam uma percentagem elevada da população mundial.

Seria a consequência do derretimento de mantos de gelo, nomeadamente da Gronelândia e do Antárctico, provocado pelo aquecimento global. Muitas pessoas temem que seja uma inevitabilidade. Mas também há muitos desmentidos que elas não têm conhecimento por se lhes ocultar a verdade.

Um deles é o artigo recente de cientistas americanos do Goddard Space Flight Center, da NASA (Zwally et al., 2005) *. Este artigo apresenta o resultado da aplicação de técnicas com satélites que permitem avaliar a espessura do gelo.

Determinaram as alterações de massas de gelo da Gronelândia (durante dez anos e meio) e do Antárctico (nove anos). Utilizaram bases de dados de processos altimétricos fornecidos por satélites NASA.

Zwally e colegas demonstraram que o gelo da Gronelândia diminuiu (- 42 Gt/ano) nas margens, no designado permafrost – terras geladas –, mas aumentou (+ 53 Gt/ano) no interior da grande ilha, com um balanço positivo. Este resultado corresponderia a um rebaixamento do nível do mar de – 0,03 mm/ano.

[G é o símbolo do múltiplo “giga” que significa 10 levantado à nona potência; t é o símbolo da tonelada. Ou seja, 1 Gt representa mil milhões de toneladas.]

Já para o Antárctico o resultado encontrado foi a diminuição (- 47 Gt/ano) na parte ocidental e o aumento (+ 16 Gt/ano) na oriental. O balanço de - 31 Gt/ano corresponderia a uma elevação do nível do mar de + 0,08 mm/ano.

Isto é, de acordo com este estudo – abragendo um período de uma década –, o Antárctico e a Gronelândia estariam a contribuir com uma subida conjunta de + 0,05 mm/ano. Por este andar, fariam o mar subir 5 mm num século ou 5 cm num milénio. Seriam necessários 20 mil anos para se alcançar uma subida de um metro! Se, entretanto, não ocorresse uma fase gelada.

No período estudado, o West Antarctic Ice Sheet (WAIS) perdeu massa de gelo à taxa de - 95 Gt/ano. Mas o centro do Antárctico ganhou + 142 Gt/ano. O balanço foi marcadamente positivo de + 47 Gt/ano. O ganho no centro explica a intensificação da génese dos anticiclones móveis polares austrais, especialmente no Inverno.

[O WAIS situa-se na península que recebe as depressões com o retorno de ar quente originadas pelo movimento dos anticiclones móveis polares austrais que nascem no centro do Antárctico.]

A contribuição de + 0,05 mm/ano de subida dada pelo gelo polar seria pequena comparada com a hipotética subida dos oceanos de 2,8 mm/ano obtida por observações de satélites. Mas este último valor é controverso pelas dificuldades nas medições oceânicas que são menos fiáveis do que as continentais devido à instabilidade do nível oceânico com ondas, fluxos e refluxos.

As populações indígenas das ilhas do Pacífico e do Índico são sistematicamente desassossegadas com a visão apocalíptica do desaparecimento dos seus habitats. Dizem-lhes que esse facto se deveria aos pecadores que poluem e que vivem tranquilamente em domicílios intocáveis pelo mar.

Um exemplo da futilidade de tais medos consta no bonito arquipélago das Maldivas, no Oceano Índico central, com 1200 ilhas agrupadas em aproximadamente 20 atóis de maior dimensão.

Os atóis sobressaem de uma profundidade de cerca de 2500 metros. Consistem em recifes, escombros e areias de corais. Emergem apenas um a dois metros acima do nível do mar. Daí que, segundo os alarmistas, estejam condenadas a desaparecer, engolidos pelo mar, num futuro próximo (IPCC, 2001) *.

Investigações múltiplas sedimentares e de geomorfologia acompanhadas por processos altimétricos contradizem esta profecia medonha. O cientista sueco Nils-Axel Mörner tem demonstrado a inconsistência de tais predições que só servem para assustar a opinião pública mundial e os maldivianos (Mörner, N. A. et al., 2004) *.

As ilhas existem pelo menos desde a última glaciação e estão habitadas há pelo menos 1500 anos. Os seus habitantes sobreviveram ao Período Quente Medieval quando o nível do mar deve ter sido 50 cm a 60 cm mais elevado do que actualmente (Fig. ZJ9).

Nas últimas décadas, os processos altimétricos dos satélites e os registos de medidas locais, realizadas pelo governo australiano, não apresentam elevação significativa do nível do mar na região das Maldivas. Trata-se apenas da síndrome maldiviana reproduzida e ampliada pela incultura de muitos autores.

Os australianos têm provas de que há 30 a 100 anos atrás o nível do mar era 20 cm a 30 cm mais elevado do que é actualmente. Também têm provas de que o nível do mar desceu com valores semelhantes, de 20 cm a 30 cm, nos últimos 30 anos, contrariando os cenários catastróficos do IPCC.

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Fig. ZJ9 - Nível do mar das Maldivas. Fonte: Nils-Axel Mörner.


A figura mostra a evolução do nível do mar nas Ilhas Maldivas dos últimos 5000 anos. Em relação ao valor actual (linha horizontal de valor zero), o nível situou-se: um metro abaixo, há 3900 anos; 0,1 m a 0,2 m acima, há 2700 anos; 0,5 m acima, há 1000 anos; 0,2 m a 0,3 m acima, nos anos 1900 e 1970. Nos últimos 30 anos o nível do mar situou-se 30 cm acima.
Posted by Picasa

Terça-feira, Abril 29, 2008

Cosmoclimatologia (4)

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Na Fig. ZJ7 traçou-se a evolução da temperatura superficial média de cinco regiões do Antárctico e a evolução da concentração do CO2 atmosférico do Hemisfério Norte, segundo Beck. A temperatura segue muito de perto a concentração.

A temperatura foi reconstruída a partir de registos locais dos isótopos estáveis do núcleo de gelo entre 1800 e 1999. A concentração foi medida, directamente, na atmosfera a partir de 1812, de acordo com a base de dados de Beck.

De acordo com o IPCC, conforme “dizem unanimemente” os modelos climáticos, o efeito do aumento da temperatura provocado pelos gases com efeito de estufa seria máximo no Antárctico e no Árctico.

Daí a procura impaciente da prova da profecia dos modelos por parte da NASA e da NOAA que gastam fortunas inúteis. Porém, a Natureza contraria essa esperança como se vê na Fig. ZJ7. Os autores desta figura (Schneider et al., 2006) * dizem mesmo que ela é representativa do Hemisfério Sul.

Nos anos 1990 a temperatura do Antárctico apresentou-se como das mais baixas de várias décadas dos últimos duzentos anos. E foi mesmo muito mais baixa do que a média entre 1961 e 1990, dada pela linha horizontal de anomalia zero (Fig. JZ7).

Fixemo-nos na parte norte do planeta e nas temperaturas indicadas pelos cilindros de gelo retirados em Summit e Daye, na Gronelândia (Fig. ZJ8). Nos últimos 8000 anos a temperatura na região do Árctico evoluiu de modo idêntico à da temperatura média global apresentada pelo IPCC no relatório de avaliação de 1990 (Fig. ZJ5). No final do século XX a temperatura da região do Árctico era mais baixa do que no Período Quente Medieval e no Período Quente do Holoceno.

Estes dois períodos quentes foram igualmente revelados nos proxies de temperatura da península Taimyr, Rússia (latitude acima de
70 ºN), nos últimos 2500 anos. Também se concluiu terem sido mais quentes do que o Período Quente Contemporâneo do século XX. Neste, o pico de temperatura situou-se em 1940 (Naurzbayev et al., 2002) *.

A medição termométrica da temperatura superficial da região do Árctico teve início em 1874 na Gronelândia. Seguiram-se nas ilhas norueguesas de Spitsbergen, no Arquipélago Canadiano e na Rússia Siberiana.

Desde essa altura, até aproximadamente ao ano 2000, a temperatura mais elevada registada em 37 estações do Árctico e seis do sub Árctico foi observada nos anos 1930. Era aproximadamente 2 ºC a 5 ºC mais elevada do que antes dos anos 1920.

Mesmo nos anos 1950 a temperatura na região do Árctico apresentou-se mais elevada do que nos anos 1990. Na Gronelândia, a temperatura nos anos 1980 e nos anos 1990 foi semelhante à observada no século XIX (Przybylak, 2000) *.

Existem registos históricos de medidas com termómetros de algumas regiões do Árctico cobrindo os últimos 100 anos (Chylek et al., 2004) *. Na Gronelândia a temperatura mais elevada ocorreu nos anos 1920.

Em 1930, naquela região, a temperatura aumentou
2 ºC a 4 ºC, nalgumas estações, e 6 ºC, noutras. Nessa época, as emissões antropogénicas de CO2 eram nove vezes inferiores às actuais (Marland et al., 2006) *.

Na zona de nascimento dos anticiclones móveis polares gronelandeses, a norte do pico de Summit, a temperatura média de verão diminuiu a uma taxa média de 2,2 ºC por década, desde o começo das medidas em 1987. Resultados semelhantes foram registados entre 1875 e 2000 em várias regiões do Árctico (Polyakov et al., 2003) *.

A divergência verificada nas calotes polares entre as medidas, evoluções e tendências detectadas com termómetros, balões e satélites e as predições dos modelos climáticos tem sido alvo de vasta discussão. De facto, a divergência entre resultados e predições representa o maior falhanço da utilização dos modelos.

Mas não é só nas calotes polares que os modelos falham. Também na zona intertropical o desacerto é flagrante. S. Fred Singer escreveu uma carta, em 13 de Fevereiro de 2007, rejeitada pela Nature, que dizia resumidamente:

«1 – A comparação entre as predições dos modelos e as observações reais contradizem a principal conclusão do IPCC de que a causa do aquecimento é “muito provavelmente” de origem antropogénica.
2 – Os modelos concluem que nos trópicos as tendências [temporais] de aquecimento crescem fortemente com a altitude atingindo o pico a cerca de 10 quilómetros da superfície.
3 – No entanto, as observações reais – balões e satélites – mostram o oposto, pois com a altitude as tendências [temporais] de aquecimento decrescem fortemente.
4 – Esta conclusão permite-nos duvidar da validade dos modelos e considerar que o efeito de estufa antropogénico é extremamente pequeno comparado com os efeitos naturais do clima que são dominantes.»

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Fig. ZJ8 - Temperatura da Gronelândia - 8 mil anos. Fonte: Dahl-Jensen et al., 1998.


Representam-se medidas em cilindros retirados dos mantos de gelo da Gronelândia. O gelo é mau condutor de calor e a sua temperatura mantem-se durante milhares de anos. Nota-se o aquecimento do Holoceno (há 3500-7000 anos), o aquecimento da Idade Média (há 900-1100 anos) e o arrefecimento da Pequena Idade do Gelo (1350-1850). A temperatura há 1000 anos era 1 ºC mais elevada do que actualmente.
Posted by Picasa

Fig. ZJ7 - Temperatura média do Antárctico. 1800-1999. Fonte: Z. Jaworowski.


A curva superior representa a temperatura média superficial, entre 1800 e 1999, de cinco regiões do Antárctico. Foi reconstruída pelas medições de isótopos estáveis dos cilindros de gelo. A curva inferior representa a medição directa da concentração de CO2 da atmosfera do Hemisfério Norte. Na parte final desta curva a traço interrompido estão marcados valores medidos em Mauna Loa, Havai.
Posted by Picasa

Quinta-feira, Abril 24, 2008

Cosmoclimatologia (3)

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Mais do que o próprio volume, a taxa de variação do volume global de gelo da criosfera, nos últimos 750 mil anos, alterou-se em concordância com a insolação. Esta foi marcada pelos parâmetros astronómicos – variações orbitais da Terra –, de acordo com os ciclos de Milutin Milankovitch (Roe, G., 2006, “In defense of Milankovitch”) *.

O estudo de Gerard Roe demonstra que as variações da concentração atmosférica do CO2 estão desfasadas em atraso relativamente às variações do volume global de gelo do planeta. Este facto implica que o papel do CO2 é secundário, como noutras situações, quanto à variação do volume global de gelo.

Neste estudo provou-se, igualmente, que a fusão do gelo precede as variações da concentração do CO2 atmosférico. Comparativamente à influência solar, as variações do CO2 jogam um papel secundário nas transformações no volume global do gelo.

Os parâmetros orbitais são, de facto, determinantes na variação do volume global de gelo, para mais e para menos. Provocam alterações da insolação que promovem variações da massa de gelo. É mais uma prova do papel infinitamente pequeno do CO2 na dinâmica do tempo e do clima.

Em tempos ainda mais longínquos as modificações do sistema solar devem ter tido consequências dramáticas durante o caso conhecido por “Snowball Earth” [Bola de Neve], há 2300 milhões a 700 milhões de anos.

O clima tem-se alterado de forma regular na história geológica da Terra. Em três mil milhões de anos a Terra conheceu vários períodos, mais ou menos longos, de fases frias com várias glaciações (Chumakov, 2004) * e de fases quentes.

Métodos geológicos permitem distinguir cinco categorias de variações climáticas: 1) Super-longas (aproximadamente 150 milhões de anos; 2) Longas (15 milhões de anos); 3) Médias (um milhão a dez milhões de anos); 4) Curtas (dez milhares a centenas de milhares de anos); 5) Ultra-curtas (milénios, séculos ou mais curtos).

No éon Fanerozóico (450 milhões de anos atrás) a Terra atravessou quatro ciclos climáticos super-longos provavelmente relacionados com as mudanças do fluxo dos raios cósmicos causadas pela passagem do Sistema Solar pela Via Láctea (Shaviv e Veizer, 2003) *.

A evolução da temperatura no Fanerozóico seguiu o fluxo dos raios cósmicos e não revela qualquer relacionamento com a concentração atmosférica do CO2. Neste período ocorreram duas glaciações extensas, há 300 milhões de anos, com mínimos de CO2 que foram interpretados com causadores das variações climáticas de então (Berner, 1998) *.

Porém, há 353 a 444 milhões de anos, quando o teor de CO2 na atmosfera era sete a dezassete vezes superior ao actual, também se verificaram glaciações extensas e longas que contradizem aquela interpretação (Chumakov, 2004) *.

Os estudos da paleoclimatologia forneceram dados proxies dos gradientes climáticos globais do Fanerozóico (Berner, 1997) * que não apresentaram qualquer relacionamento com a concentração atmosférica do CO2 estimada (Boucot et al., 2004) *.

A cosmoclimatologia não aceita que a concentração do CO2 atmosférico seja o motor das variações climáticas verificadas há muito longo prazo. Antes pelo contrário, admite que os principais responsáveis sejam os parâmetros orbitais.

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Segunda-feira, Abril 21, 2008

Cosmoclimatologia (2)

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

De acordo com Khilyuk e Chilingar (2006) *, todas as emissões antropogénicas de CO2 durante o tempo histórico do ser humano constituem menos que
0,000 22 % do total de CO2 emitido naturalmente pelo manto terrestre durante toda a história geológica.

Nas alterações climáticas, é desprezável a influência das emissões do CO2 antropogénico provenientes dos processos de transformação de matérias-primas energéticas nas várias formas de energia utilizadas pelo Homem.

As forças da Natureza que guiam o clima (radiação e actividade solar, parâmetros orbitais, emissões naturais, circulação geral da atmosfera, etc.) têm uma ordem de grandeza 4 a 5 vezes superior ao impacto dos gases antropogénicos com efeito de estufa, mesmo sem contar com os raios cósmicos.

Quanto muito, os seres humanos são responsáveis por menos de 0,01 ºC do aumento da temperatura verificado no século passado. A hipótese de ser antropogénica a origem do Período Quente Contemporâneo é, de facto, um mito.

Os factores cosmo climáticos marcaram as variações do clima às escalas decenais, centenárias e milenárias. Durante a Pequena Idade do Gelo (1350 a 1850) o campo magnético solar apresentou-se excepcionalmente fraco.

Essa debilidade foi o reflexo de um extremamente baixo número de manchas solares verificado durante o Mínimo de Maunder (1645 a 1715) que coincidiu com a fase mais fria da Pequena Idade do Gelo. Outro mínimo de manchas solares, o Mínimo de Dalton, que aconteceu no início do século XIX, esteve associado a outra fase fria.

Por outro lado, o Período Quente Medieval e o Período Quente Contemporâneo (aprox. 1930-1960) apresentam baixas intensidades de raios cósmicos produzidos pelos ciclos solares. As evoluções das temperaturas dos seis a dez mil anos passados estiveram associadas a perturbações solares.

As temperaturas do Holoceno foram determinadas pela actividade solar relacionada com os fluxos dos raios cósmicos (Bashkirtsev et Mashnich, 2003; Dergachev et Rasporov, 2000; Friis-Christensen et Lassen, 1991; Marsh et Svensmark, 2000; Svensmark et Friis-Christensen, 1997; Xu et al. 2005; Xu et al., 2006; Bago et Buttler, 2000; Soon et al., 2000) *.

No Período Quente do Holoceno as temperaturas não podem ser atribuídas a gases antropogénicos. A evolução das concentrações do CO2 (efeito) dessa época é que se seguiu à das temperaturas (causa). Não o contrário.

Já foi publicada no MC a figura dos investigadores dinamarqueses que levantou muita controvérsia (ver Fig. 16). Na altura o post “As variações da actividade solar (5)” apresentou sumariamente a explicação de Friis-Christensen e Knud Lassen que está sob escrutínio científico.

Em 3 Abril de 2008 foi publicado um estudo de dois cientistas ingleses T. Sloan e A.W. Wolfendale que demonstra o interesse crescente deste ramo de investigação. Como não podia deixar de acontecer, nas referências bibliográficas deste artigo aparecem muitos nomes citados nos recentes posts (Palle Bago, Butler, Marsh, Svensmark, Usoskin, etc.).

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Cosmoclimatologia (1)

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Nos últimos 17 anos verificou-se um desenvolvimento rápido de um novo ramo científico: a cosmoclimatologia. Os pioneiros foram os cientistas dinamarqueses Eigil Friis-Christensen e Knud Lassen. Em Novembro de 1991 publicaram um artigo, com 12 páginas, na revista Science relacionando a actividade solar com a temperatura da superfície terrestre.

Em Fevereiro de 2007, outro cientista dinamarquês, Henrik Svensmark, sintetizou o progresso deste ramo num artigo com o título sugestivo “Cosmoclimatology: a new theory emerges” publicado na revista Astronomy & Geophysics.

Os estudos neste domínio pretendem demonstrar que o estado do tempo é influenciado pelos raios cósmicos que penetram na atmosfera terrestre. Segundo esses estudos, o fluxo dos raios cósmicos seria controlado pela variação do vento solar.

Os trabalhos de Svensmark e dos seus colegas, sobre a ligação entre raios cósmicos, nuvens e clima, foram ignorados durante mais de dez anos. Como esta ideia contrariava a hipótese do aquecimento global de origem antropogénica teve uma contestação severa por parte do conhecido lobby do clima.

Daí ter sido difícil obter linhas de financiamento, dentro da Dinamarca, para o prosseguimento da investigação. Para responder aos críticos, a equipa dinamarquesa teve de recorrer a apoios externos (ver abaixo o projecto CLOUD).

Por estranho que pareça, os meteorologistas e os climatologistas nunca souberam realmente explicar a formação das nuvens. Os livros teóricos dizem apenas que, quando o ar se torna bastante frio, a humidade pode condensar para produzir as nuvens.

Inicialmente, têm de existir pequenas partículas a flutuar no ar que são núcleos de condensação das nuvens e que podem dar forma às gotas de água. As partículas mais importantes são gotículas formadas por ácido sulfúrico e água.

É necessário que estejam demasiado disseminadas. Como elas aparecem é um mistério. Um avião de investigação voando sobre o Oceano Pacífico, em 1996, descobriu a formação das gotículas de alta velocidade contradizendo teorias da meteorologia.

Em laboratório as gotículas foram reproduzidas, em 2005, numa grande caixa-de-ar existente no Danish National Space Center, em Copenhaga, numa experiência designada por SKY.

Os raios cósmicos entravam através de uma janela do tecto do laboratório e libertavam electrões no ar que encorajavam a aglutinação das moléculas que produzia micro-gotículas capazes de se associarem em gotículas maiores para formação de nuvens. A velocidade e a eficácia dos electrões até à formação das nuvens causaram grande espanto aos investigadores.

Em 2006, iniciou-se uma investigação laboratorial mais avançada dos efeitos dos raios cósmicos na atmosfera. Uma equipa multinacional está desde então a executar o projecto CLOUD.

Este projecto de investigação beneficia da colaboração do laboratório europeu de física de partículas, CERN, localizado em Genebra, que apoiou os dinamarqueses. A primeira experiência realizada consistiu em reproduzir os resultados do projecto SKY, obtidos em Copenhaga.

Eugene Parker – autor do Prefácio do livro “The Chilling Stars-A new theory of climate change” – descobriu o vento solar, há quase meio século. Parker apoia fortemente este ramo da investigação dinamarquesa e antevê que, a confirmar-se, a teoria dos raios cósmicos, nuvens e clima vai ter uma grande repercussão noutros domínios da ciência.

(continua)

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Não existe aquecimento de origem antropogénica

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

A segunda mensagem mais significativa do “Sumário para Decisores Políticos” de 2007, confeccionado pelo IPCC, é a seguinte [citação]:

Most of the observed increase in globally averaged temperatures since the mid-20th century is very likely due to the observed increase in anthropogenic greenhouse concentrations.” – pág. 8.

Em português : A maior parte do aumento observado nas temperaturas médias globais desde meados do sec. XX é, muito provavelmente, devido ao aumento observado na concentração de gases com efeito de estufa de origem antropogénica.

Jaworowski acrescenta, com razão, que nem o Sumário de 2007 nem os três relatórios anteriores do IPCC suportam tal afirmação com qualquer prova científica convincente. Em nenhuma página dos milhares que já foram escritas pelo IPCC, desde 1990, se prova que o Homem é culpado.

A expressão very likely utilizada pelo IPCC significaria uma probabilidade superior a 90 % de responsabilidade das actividades humanas no aumento das temperaturas médias globais observadas desde meados do século XX.

Mas isso não é verdade. Foram os representantes governamentais e burocratas das Nações Unidas, reunidos em Paris, em Fevereiro de 2007, que votaram de braço no ar a expressão very likely. É um conceito muito estranho de probabilidade…

Aliás, os autores que escreveram aquela mensagem no Sumário, acrescentaram ainda, com astúcia, uma nota de pé-de-página: “12 Consideration of remaining uncertainty is based on current methodologies.”

A fraudulenta curva de temperaturas conhecida por “hockey stick” tornou-se no ícone do relatório do IPCC de 2001. Foi construída adoptando um algoritmo distorcido para confundir os decisores políticos. O IPCC havia comunicado, falsamente, que nos anos 1990 a temperatura fora invulgar e mais elevada do que nos mil anos passados.

O Período Quente Medieval (entre os anos 950 e 1300), que fora destacado no relatório anterior do IPCC, desapareceu com o “hockey stick”. Com esta curva, o IPCC fez desaparecer igualmente o Período Quente Romano (200 B.C. a 600 A.D.) e o Período Quente do Holoceno (8000 a 5000 anos Before the Present).

Apagar por apagar, o IPCC também apagou da curva a Pequena Idade do Gelo (1350 a 1850) não fosse alguém discorrer, correctamente, que afinal vivemos numa época posterior a um período de frio, o que pode justificar a retracção de glaciares.

Na Fig. ZJ5, publicada pelo IPCC em 1990, destacam-se perfeitamente os Períodos citados atrás. Distingue-se, ainda, que o nosso tempo decorre após o fim de um período frio (1850) e que as temperaturas actuais são inferiores às dos Períodos Quentes Medieval, Romano e Holoceno. Mas em 2001, o IPCC apagou a verdade histórica.

A fraudulência do “hockey stick” foi provada documentalmente por Legates (2002 e 2003), McIntyre & McKitrick (2003), Soon (2003), Soon & Baliunas (2003), e Soon et al. (2003) *.

Mas a crítica à curva do “hockey stick” do IPCC, de 2001, tornou-se um campo de minas: Os seis editores do jornal Climate Research, que ousou publicar o artigo crítico de Soon & Baliunas (2003), foram despedidos pelo director da revista.

No último “Sumário para Decisores Políticos”, de 2007, o IPCC tentou disfarçar o escândalo truncando o período original de 1000 anos do “hockey stick”. Assim, a partir de 2007, a curva do “hockey stick” passou a ter início apenas em 1850! Exactamente o ano em que a Terra começou a recuperar da Pequena Idade do Gelo. E de forma natural, pois nesse tempo as emissões antropogénicas de CO2 eram 135 vezes menores do que actualmente (Marland et al., 2006) *.

É de sublinhar que os anglo-saxões designam pelo termo curioso de “spaghetti curves” o emaranhado de curvas coloridas de temperaturas, originárias de vários autores, que o IPCC publica em 2007.

Esta recuperação natural desde a Pequena Idade do Gelo é interpretada pelo IPCC como uma calamidade provocada pelo Homem; o IPCC considera os últimos 50 anos como os mais quentes dos 1300 anteriores devido à queima de combustíveis fósseis.

Esta obsessão do IPCC não tem em consideração a evidência dos parâmetros astronómicos dos últimos 50 anos, em que a actividade solar foi a mais elevada dos últimos milénios.

A Fig. ZJ6 mostra que nos últimos 8000 anos nunca se verificou uma actividade solar tão intensa como a dos tempos mais próximos. O Sol foi a causa dominante da elevação da temperatura média global das últimas três décadas (Solanki et al., 2004) *.

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Fig. ZJ6 - Actividade solar dos últimos 11 400 anos. Fonte: Solanki e Usoskin.


A actividade solar está representada pelo número de manchas solares reconstruídas a partir do carbono-14 dos últimos 11 mil anos "before the present" até 1610. A partir deste ano representaram-se as observações telescópicas das manchas solares. A actividade solar dos últimos 70 anos foi excepcionalmente elevada. Houve um número de manchas solares igualmente elevado há mais de oito mil anos, como se vê na figura.
Posted by Picasa

Fig. ZJ5 - Temperaturas globais dos últimos 10 mil anos. Fonte: IPCC, 1990.


A linha horizontal a traço interrompido representa a temperatura do início do século XX. Nos relatórios de 2001 e 2007 o IPCC ignorou o traçado mais antigo desta curva. Apresentou apenas o aquecimento recente.
Posted by Picasa

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Inverno do Hemisfério Norte. 2007-2008

Satisfazendo um pedido antigo de alguns leitores, disponibiliza-se o relatório “Northern Hemisphere Snow and Ice Winter 2007/2008” da NOAA. Este relatório mostra a neve e o gelo do HN.

Neste inverno houve muita neve, não só nos EUA. O HN foi afectado por muita queda de neve. Numas regiões mais do que noutras.

Estão separados os relatos dos meses de Outubro de 2007 a Março de 2008. Também se encontra uma referência ao fenómeno La Niña (no relato de Março de 2008).

Em todo o relatório da NOAA é possível encontrar cerca de uma dezena de links que podem ser explorados para encontrar informação mais pormenorizada.

Terça-feira, Abril 08, 2008

Entrevista Rádio Europa

A Rádio Europa realizou uma entrevista com o autor do MC. O motivo principal foi o lançamento do livro «Ficção Científica de Al Gore» mas a entrevista extrapolou, em muito, o âmbito do livro. A entrevistadora, Mónica Peixoto, preparou a entrevista com grande rigor e profissionalismo.

Embora estivesse previsto uma entrevista de 40 minutos a conversa durou mais de uma hora. Mas, de facto, serão aproveitados apenas 40 minutos quando a entrevista for para o ar no programa “Entrevista Europa” com os seguintes horários:

4ªfeira, 09/04/08, às 19 h 05 m
Sábado, 12/04/08, às 18 h 05 m.

A Rádio Europa transmite em 90.4 FM.

P.S. A entrevista pode ser ouvida on-line. Basta ir ao sítio da Rádio Europa e ligar em "ouvir em directo" no canto superior esquerdo.

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Medições directas do CO2 na atmosfera

(Cont. da tradução parcial do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

De acordo com o anterior, somos forçados a concluir que toda a teoria do aquecimento global de origem antropogénica – com as respectivas repercussões na ciência e consequências graves na política e na economia global - se baseia em estudos de cilindros de gelo que proporcionaram um retrato falso dos teores atmosféricos de CO2.

Entretanto, mais de 90 mil medições directas do CO2 realizadas na atmosfera, por processos químicos excelentes, foram desprezadas arbitrariamente. As medições realizaram-se, entre 1812 e 1961, nos EUA, na Ásia e na Europa, com uma exactidão superior a
3 %.

Estas medições estão publicadas em 175 documentos técnicos. Mas, nas últimas três décadas foram completamente ignoradas por alguns climatologistas. O cientista alemão Ernst-Georg Beck compilou-as recentemente (Beck, 2006a; Beck, 2006b; Beck,
2007) *.

Os climatologistas ignoram-nas não porque estejam erradas. As medições até foram realizadas por vários prémios Nobel. Utilizaram-se procedimentos técnicos padrão referidos em livros de química, bioquímica, botânica, higiene, medicina, nutrição e ecologia.

A única razão para a rejeição está no facto de os resultados não se ajustarem à hipótese do aquecimento global de origem antropogénica. Zbigniew Jaworowski considera tal razão o maior escândalo científico da actualidade.

As 90 mil medições constituem uma excelente base de dados. São um precioso tesouro científico (com valores variando até 550 ppmv). Dessa base de dados, os fundadores do aquecimento global antropogénico seleccionaram apenas uma parcela mínima. Aquela que lhes convinha.

Historicamente, seleccionou-se somente uma minúscula porção de valores com baixas concentrações. São muito badalados os estudos tendenciosos do inglês Guy Stewart Callendar e do americano Charles David Keeling.

Rejeitaram-se valores elevados para formar um conjunto falso de concentrações pré-industriais baixos à volta de 280 ppmv (Callendar,1949; Callendar, 1958; Keeling, 1986) *. Este processo permitiu a especulação climática que vem sendo adicionada por outros semelhantemente espúrios.

Esta manipulação tem sido denunciada diversas vezes desde os anos 1950 (Fonselius et al. 1956; Jaworowski et al. 1992b; Slocum, 1955) *. Recentemente, em 2007, Beck realizou um estudo detalhado desta denúncia.

Os resultados do estudo monumental de Ernst-Georg Beck sobre um conjunto denso de medidas atmosféricas directas do CO2 dos séculos XIX e XX, alisados com médias de cinco anos, encontram-se na Fig. ZJ4.

As medidas atmosféricas demonstram que a mais importante mensagem política do IPCC está errada: - Não é verdade que o teor atmosférico durante a era pré-industrial fosse cerca de 25 % mais baixo do que o actual e também não é verdade que as emissões antropogénicas tenham provocado o aquecimento benéfico que usufruímos.

As medidas atmosféricas directas indicam que entre 1812 e 1961 as concentrações de CO2 flutuaram entre cerca de 150 ppmv e valores muito mais altos do que os dos dias de hoje.

À excepção do ano 1885, todas estas medidas directas deram sempre resultados mais elevados do que os dos proxies dos cilindros de gelo. Durante os 149 anos, de 1812 a 1961, houve três períodos com concentrações muito mais elevadas do que os 379 ppmv do ano 2004 (IPCC, 2007) *.

Em torno do ano 1820 a concentração atmosférica era de aproximadamente 440 ppmv. À volta de 1885 era de 390 ppmv. E nas proximidades de 1940 mediram-se novamente 440 ppmv no CO2 atmosférico.

Os valiosos dados compilados por Beck (Beck, 2007) * sugerem também que as variações das concentrações atmosféricas de CO2 se verificaram depois das variações das temperaturas.

Todas estas conclusões invalidam a hipótese do «global warming» originado pelas emissões antropogénicas de CO2.

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Fig. ZJ4 - Concentração CO2 vs temperatura do HN. Fonte: Ernst-Georg Beck.

A reconstrução a vermelho, para o Hemisfério Norte (HN), foi baseada em 90 mil medições químicas directas de 43 estações entre 1812 e 1961. Na curva mais baixa, a preto, apresentam-se valores artificias retirados de cilindros de gelo do Antárctico. A curva a azul assinala a evolução da temperatura média do HN. As medições pré-industriais por métodos químicos são manifestamente mais elevadas do que as dos cilindros de gelo.
Posted by Picasa

Sábado, Março 29, 2008

Curvas do tipo “hockey stick”

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Com base nas hipóteses erróneas descritas anteriormente [ver “A verdade dos cilindros de gelo” (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)], foram traçadas várias versões de curvas do tipo “hockey stick”, que procuram representar a evolução da concentração atmosférica do CO2 ao longo dos tempos.

Essas curvas combinam os dados proxy retirados dos cilindros de gelo, respeitantes a épocas antigas - e distorcidos, conforme se explicou - com valores recentes medidos directamente na atmosfera. Na maior parte das vezes, não se chama a atenção para o facto de os valores terem origens completamente díspares.

Os autores de tais estudos afirmam que as suas curvas representam os teores de CO2 correspondentes, por exemplo, aos últimos 300 anos (Neftel et al., 1985; Pearman et al., 1986; Siegenthaler and Oeschger, 1987) *, ou aos últimos 10 mil anos (no “Summary for Policymakers”) * – Fig. ZJ2 – ou mesmo aos últimos 400 mil anos (Wolff, 2003) *.

Todas as curvas revelam concentrações pré-industriais baixas do CO2, variando entre cerca de 180 ppmv e 280 ppmv nos últimos 400 mil anos, subindo então bruscamente até aos 370 ppmv no final do séc. XX. [ppmv – partes por milhão em volume]

Estas curvas, que ficaram conhecidas por “hockey stick”, têm sido publicadas em inúmeras ocasiões como prova [errada] da influência antropogénica no aumento da concentração atmosférica do CO2. São curvas traçadas de forma ilegítima, misturando falsos valores proxies dos cilindros de gelo com medidas directas realizadas na atmosfera. Trata-se de uma contrafacção científica.

Porém, a mais grave manipulação foi a alteração arbitrária da idade do gás aprisionado na parte superior do cilindro de gelo, onde as variações da pressão mecânica são menos drásticas do que nas partes mais profundas.

No cilindro perfurado no Monte Siple, no Antárctico, o gelo da parte mais profunda foi depositado em 1890. A concentração de CO2 correspondente era de 328 ppmv (Friedli et al., 1986; Neftel et al., 1985) * e não de 290 ppmv, o valor necessário para satisfazer a hipótese do aquecimento de origem antropogénica.

O mesmo valor de 328 ppmv foi medido no ar captado directamente da atmosfera junto do vulcão de Mauna Loa, no Havai, 83 anos mais tarde, em 1973 (Boden et al., 1990) *. [Em Mauna Loa existe uma das três estações de rastreio da NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration.]

Assim, tornava-se chocantemente claro que o teor de CO2 pré-industrial era o mesmo do que na segunda metade do século XX. Para “resolver” este problema, os investigadores assumiram, pura e simplesmente, uma hipótese ad hoc: a idade do gás retirado de 1 a 10 gramas de gelo (aprisionado em 1890) foi decretada, arbitrariamente, como sendo exactamente 83 anos mais jovem do que a idade do próprio gelo no qual foi aprisionado! Nada mais simples. [1973 – 1890 = 83 anos!]

Esta hipótese [surrealista] não foi suportada por qualquer prova experimental mas apenas por uma suposição que entra em conflito com os factos reais (Jaworowski, 1994a; Jaworowski et al., 1992b) *.

Deste modo, os dados proxies dos cilindros de gelo foram “corrigidos” e discretamente alinhados com os valores medidos directamente na atmosfera de Mauna Loa (Figuras ZJ3a e ZJ3b).

Portanto, em todos os relatórios do IPCC têm sido apresentadas curvas do tipo “hockey stick” que revelam concentrações de CO2 falsificadas, incluindo a da Fig. ZJ2 que se encontra no “Sumário para Decisores Políticos”, de 2007.

De forma crédula, quase toda a gente aceitou estas curvas “hockey stick”, bem como outra informação sobre os gases com efeito de estufa obtida a partir dos cilindros de gelo. Todavia, essa informação foi distorcida por uma manipulação deliberada dos dados, que consistiu em rejeitar as concentrações elevadas correspondentes ao gelo mais antigo e as concentrações baixas correspondentes ao gelo mais recente. Tudo isto porque os dados obtidos não encaixavam na ideia pré-concebida do aquecimento global de origem antropogénica.

Esta prática tornou-se um hábito demasiado comum em estudos sobre gases com efeito de estufa (Jaworowski, 1994ª; Jaworowski, 1994b; Jaworowski et al., 1992b) *.

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Fig. ZJ3 - A "mãe" de todas as curvas "hockey stick" do CO2. Fonte: Z. Jaworowski.

Concentração de CO2 nas bolhas de ar contidas no gelo pré-industrial de Siple, Antárctico (quadrados abertos) e na atmosfera de Mauna Loa, Havai, de 1958 a 1986 (linha contínua). Em (a), os dados originais de Siple estão representados com a idade natural de aprisionamento. Em (b), os mesmos dados estão representados depois do truque da correcção arbitrária que acrescentou 83 anos à idade natural do ar, relativamente ao gelo em que se encontrava aprisionado.
Posted by Picasa

Fig. ZJ2 - O "hockey stick" do CO2. Fonte: IPCC, 2007.

Uma falsa representação da evolução da concentração atmosférica do CO2 nos últimos 10 mil anos. Os valores apresentados antes de 1958 não representam a concentração atmosférica real, mas sim uma reconstrução, essa sim "antropogénica", com base numa redução deliberada da concentração do CO2 correspondente ao gelo mais antigo e numa alteração arbitrária da idade das amostras.
Posted by Picasa

Quinta-feira, Março 27, 2008

Icebergue originado no Antárctico

Conceição Berger chamou a atenção para uma notícia do Le Monde, do dia 26 de Março de 2008. O Le Monde captou a notícia do sítio NSIDC - National Snow and Ice Data Center com data do dia anterior, 25 de Março.

Relata-se o desprendimento de um bloco de gelo que estava ligado à Península do Antárctico. O local do acontecimento vê-se na Fig. 111. O icebergue pertencia à plataforma de Wilkins, no lado ocidental da Península.

Esta formação de gelo recente – algumas centenas de anos – situava-se na região da chegada das depressões que sofrem carambolas nos edifícios geográficos andinos. A região comporta-se tal como o Mar de Barents no Círculo Polar Árctico.

Estamos perante mais um fenómeno natural que foi catalogado erradamente como consequência do efeito “de la rapidité du réchauffement climatique” (Le Monde) ou “because of rapid climate change in a fast-warming region of Antárctica” (NSIDC).

O NSDIC diz que o mar não sofrerá qualquer elevação pois o bloco já flutuava antes da desintegração. Mas o Le Monde aproveita para lançar o pânico: “La fonte accélérée des glaces de l'Antarctique pourrait contribuer de façon importante à la montée du niveau des océans. Selon certaines projections, au rythme actuel (+ 3 mm par an de 1996 à 2006), les océans pourraient avoir gagné 1,40 mètre d'ici à la fin du siècle.”

Assim caminha a falta de profissionalismo dos media auxiliada pela displicência de instituições que deviam cuidar da qualidade das informações que passam para fora. Tanto o Le Monde como o NSDIC “esqueceram-se” de salientar a excelente situação real do Antárctico.

Mas Antón Uriarte Cantolla no seu blogue CO2 põe os pontos nos ii:

«El pasado mes de Septiembre, al final del invierno austral, la extensión del hielo marino que rodea a la Antártida batió el record de extensión desde 1979, año en que los satélites comenzaron a medirla.

Luego, como todos los veranos se redujo casi en su totalidad (pinchar gráfica). Hay algunas plataformas de hielo costero que aguantan la insolación veraniega.

Especialmente las plataformas de Ross y de Ronne, en el mar de Wedell. Y al parecer así ocurría también con la plataforma pequeña de Wilkins. La plataforma de Wilkins se encuentra en una zona, la Península de la Antártida, que en las últimas décadas ha sufrido, por razones de la circulación de vientos y corrientes, un calentamiento.

Pero los que, aparte de periódicos y teles, consultamos internet, sabemos que el conjunto de la Antártida no se ha calentado y que el hielo marino ha seguido en los últimos años su vaivén estacional


Mais palavras para quê? As do Antón são acompanhadas de um desenho próprio e de um gráfico elucidativo recolhido da nossa bem conhecida fonte “Polar Sea Ice Cap and Snow - Cryosphere Today”.

Por mais voltas que queiram dar, o Antárctico está em óptimas condições.

Fig. 111 - Icebergue nascido no Antárctico. Fonte: NSIDC.

Posted by Picasa

A verdade dos cilindros de gelo (7)

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Existe um desfasamento – de centenas a vários milhares de anos – entre os valores das concentrações atmosféricas de CO2 e a das temperaturas determinadas através de isótopos de oxigénio dos cilindros de gelo (Jaworowski et al., 1992b) *.

Verifica-se que os aumentos das temperaturas precedem sempre os das concentrações de CO2, e não o inverso (Caillon et al., 2003; Fischer al de et., 1999; Idso, 1988; Indermuhle et al., 2000; Monnin et al., 2001; Mudelsee, 2001) *.

Este facto sugere que o aumento da temperatura da atmosfera é o factor responsável pelo aumento da concentração do CO2 – provavelmente pela mais intensa erosão dos solos e pela emanação dos gases contidos nos oceanos mais aquecidos.

Tal fenómeno é observável actualmente. A solubilidade do CO2 na água quente é mais baixa do que na água fria. Quando o tempo aquece, o CO2 existente na camada superficial dos oceanos, acima dos 3000 metros, é emitido para a atmosfera.

Na atmosfera o teor de CO2 é 50 vezes mais baixo do que nos oceanos.

É esta a razão pela qual entre 1880 e 1940, quando a temperatura média global aumentou aproximadamente 0,5 ºC, as medidas directas na atmosfera registaram um aumento muito elevado da concentração do CO2, de cerca de 290 ppmv em 1885 para 440 ppmv em 1940, uma concentração que é cerca de 60 ppmv mais elevada do que a actual (Beck, 2007) *. Neste período as emissões devidas às actividades humanas foram multiplicadas apenas por cinco.

Por outro lado, entre 1949 e 1970, a temperatura média global desceu cerca de 0,3 ºC e o teor atmosférico do CO2 caiu para cerca de 330 ppmv (Boden et al., 1990) *.

Actualmente, as emissões antropogénicas de CO2 são 30 vezes mais elevadas do que eram em 1880 (Marland et al., 2006) *. Apesar disso, o teor de CO2 é semelhante ao registado antes da evolução do aquecimento que precedeu os anos 1940.

As concentrações do CO2 retido em amostras de gelo que se assumem pertencer a uma época pré-industrial, ou anterior, são sempre cerca de 100 ppmv inferiores aos valores actuais (Indermuhle et al., 1999; Pearman et al., 1986,; Petit et al., 1999; veja-se também a revisão de Jaworowski et al., 1992b) *.

No entanto, durante os últimos 420 mil anos, o clima foi muitas vezes mais quente do que presentemente (Andersen et al., 2004; Chumakov, 2004; Ruddiman, 1985; Shackleton et Opdyke, 1973; Zubakov et Borzenkova, 1990; Robin 1985) *.

Mesmo há cerca de 120 mil anos, quando a temperatura superficial média global era 5 ºC acima da actual (Andersen et al., 2004) *, as concentrações atmosféricas de CO2 determinadas a partir dos cilindros de gelo eram apenas de 240 ppmv (Petit et al., 1999) * – isto é, abaixo dos valores actuais em cerca de 130 ppmv.

Mais recentemente, durante o Holoceno (8 mil a 10 mil anos antes do presente), a temperatura do Árctico chegou a ser 5 ºC mais elevada do que actualmente (Brinner e al., 2006) *. No entanto, os registos dos cilindros de gelo indicaram teores de CO2 relativamente baixos, de aproximadamente 260 ppmv (IPCC, 2007) *.

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Quarta-feira, Março 26, 2008

Fig. ZJ1 - Alterações nas concentrações de CO2. Fonte: Zbigniew Jaworowski.

Posted by Picasa

Segunda-feira, Março 24, 2008

A verdade dos cilindros de gelo (6)

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Após a publicação do post A verdade dos cilindros de gelo (4) o leitor João Pedro Gaspar, licenciado em Geociências, manifestou a sua satisfação pelas explicações do cientista polaco Zbigniew Jaworowski.

Porém, consultou outra versão semelhante “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time” onde se apresenta, na pág. 18, a “Fig. 2 - Changes in CO2 concentrations in Vostok ice core similar to changes of extreme pollution”. Esta figura não fazia parte da versão traduzida no MC. Reproduz-se agora essa figura (Fig. ZJ1).

Perante o interesse do leitor quanto às explicações da Fig 2 atrás referida, MC consultou, directamente, o autor Jaworowzki que teve a amabilidade de responder prontamente. Eis a sua resposta:

«Figure 2 is composed from two sources: figure 11 in Jaworowski et al. 1992 b, in which 7 curves are representing 7 phenomena occurring in situ and in the ice cores; among them only the CO2 curve is relevant for discussion of the 2007 paper.

The new curve added to figure 2 are data on lead concentration from Boutron et al., 1987, covering the same depth (and ice age) as the CO2 curve. Figure 2 shows that the highest concentration of lead in the ice core appeared at the same part of the core as the lowest concentrations of CO2.

This reflects the effect of horizontal cracks formed in the ice at the moment of trilling the core. Through these cracks the drilling fluid, highly contaminated with lead and other heavy metals, penetrated to the very center of the core, and CO2 escaped to the fluid from the cracked ice.

The cracking is caused by the sheeting phenomenon, caused by a difference of pressure between the rock (or ice), and the bottom of borehole filled with the drilling fluid. The corrosive drilling fluid is filling the borehole not to the surface of the ice but to about 200 meters level below the surface, at which the porous firn changes into solid ice.

This causes the pressure difference at the any bottom level of the borehole in ice of about 15 bars. Sheeting starts at a difference of 8 bars. Lead curve is more or less parallel to some other effects, such as formation in the ice core of secondary cavities form the expanding clathrates due to pressure relaxation, decreasing pressure in the gas inclusions, crystal size, and perhaps also core volume expansion. This is all what figure 2 says.
»

João Pedro respondeu à carta de Jaworovski com o seguinte comentário:

«A prontidão na resposta mostra bem o empenho e a dedicação de Jaworowski. À luz desta explicação, a figura parece-me fulcral no seu artigo. Espero que a comunidade internacional a explore amplamente e mostre o sentido crítico com que entendo deve ser encarada a "ciência oficial" sobre o aquecimento global.»

Conclusão de MC: os cilindros de gelo não são, de facto, uma matriz de boa qualidade para o estudo correcto da evolução das concentrações de CO2 nas atmosferas do passado.

Como afirma Jaworowski, a Fig. 2 serve para mostrar que o método intrusivo de perfuração dos cilindros de gelo afecta a qualidade das amostras empobrecendo o teor de CO2 das bolhas de ar.

Resumidamente, mais de 20 processos físico-químicos, na sua maioria relacionados com a presença de água líquida, contribuem para a alteração da composição química original das inclusões do ar no gelo polar.

Um destes processos é a formação de hidratos gasosos, ou clatratos. No gelo profundo fortemente comprimido todas as bolhas de ar desaparecem, dado que sob a influência da pressão os gases transformam-se em clatratos sólidos, que são pequenos cristais formados pela interacção do gás com moléculas de água.

As perfurações descomprimem os cilindros de gelo extraídos do gelo profundo e contaminam esses cilindros com o fluido de perfuração com que se enche o furo cilíndrico (vazio já perfurado).

A descompressão conduz a múltiplas fracturas horizontais nos cilindros de gelo pelo conhecido processo de formação de camadas (ou “sheeting”).

Quando se dá a descompressão dos cilindros de gelo os clatratos sólidos decompõem-se numa forma gasosa, explodindo no processo como se fossem granadas microscópicas.

No gelo livre de bolhas as explosões formam novas cavidades de gás e novas fracturas (Shoji, H.; C.C. Langway Jr., Volume relaxation of air inclusions in a fresh ice core. Journal of Physical Chemistry, 1983. 87: p. 4111-4114).

Através destas fracturas, e em fissuras formadas durante o “sheeting”, uma parte do gás escapa-se primeiro para o fluido de perfuração que enche o furo cilíndrico (oco) e, posteriormente, para a atmosfera quando atingir a superfície.

Os gases aprisionados no gelo profundo começam a formar clatratos e abandonam as bolhas de ar a diferentes pressões e profundidades. À temperatura do gelo de – 15 ºC a pressão de dissociação do N2 é de cerca de 100 bar, a do O2 de 75 bar e a do CO2 de 5 bar.

A formação dos clatratos de CO2 começa nas camadas de gelo situadas a 200 metros de profundidade. A dos O2 e N2 a 600 metros e 1000 metros, respectivamente. Isto conduz ao empobrecimento do CO2 no gás aprisionado nas camadas de gelo.

Por isso é que o registo das concentrações de CO2 nas inclusões de gás do gelo polar profundo mostram valores mais baixos que os da atmosfera contemporânea, mesmo para épocas em que a temperatura da superfície terrestre era mais elevada do que actualmente.

A este propósito, pode-se consultar: «Climate Change: Incorrect information on pre-industrial CO2» que também serviu de fonte para a escrita desta nota.

Finalmente, salienta-se que a qualidade da reprodução da Fig. 2, ou seja a Fig. ZJ1, não é a melhor. Os leitores devem consultar a figura original da pág. 18 da outra versão do artigo «CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time».

(continua)
____________

Obs.: Por sugestão dos leitores João Pedro Gaspar e Jorge Oliveira, a Fig. ZJ1 foi refeita de acordo com cópias que enviaram. O MC agradece o empenho dos leitores.

Sábado, Março 22, 2008

A verdade dos cilindros de gelo (5)

(Versão parcelar do artigo “CO2: The Greatest Scientific Scandal of Our Time”, de Zbigniew Jaworowski)

Comparemos, para um mesmo período, entre 7000 e 8000 anos antes do presente (before present) dois tipos de estimativas proxies para as concentrações do CO2.

Por um lado, os dados dos cilindros de gelo do Taylor Dome, no Antárctico, que são utilizados pelo IPCC para a reconstrução dos registos históricos oficiais e que revelam uma tendência temporal estável com valores de 260 ppmv a 264 ppmv (Indermuhle et al., 1999) *.

Por outro lado, os dados obtidos a partir dos estomas das folhas fósseis – pequenos poros das folhas onde se troca CO2 na fotossíntese – que demonstram concentrações de CO2 variando amplamente numa faixa de 50 ppmv, isto é, entre 270 ppmv e 326 ppmv (Wagner et al., 2002) *.

Esta diferença sugere com grande ênfase que os cilindros de gelo não constituem um protótipo adequado à reconstrução da composição química da atmosfera ancestral.

Os valores anunciados para o CO2 dos cilindros de gelo são artificiais. Devem-se aos processos físico-químicos verificados nos mantos de gelo e nos cilindros daí retirados. São concentrações 30 % a 50 % mais baixas do que as da atmosfera original.

O gelo é uma matriz imprópria para tais estudos químicos e mesmo os métodos analíticos mais avançados não ajudam quando a matriz e as amostras são inadequadas.

Ainda os estudos básicos sobre a diferenciação de gases nas amostras não tinham tido início e já tinham sido publicados, durante as últimas décadas, múltiplos estudos glaciários, com o objectivo de demonstrar que:

1) Os gases com efeito de estufa eram responsáveis pelas alterações climáticas;
2) O seu teor na atmosfera tinha aumentado devido às actividades humanas.

Estes estudos foram prejudicados quer pela manipulação e interpretação unilateral dos dados, quer pela rejeição arbitrária de valores, tanto os que indiciavam uma elevada concentração de gases com efeito de estufa no gelo anterior à época industrial, bem como os que indiciavam teores mais baixos em amostras recentes (Jaworowski, 1994a; Jaworowski et al., 1992b) *.

Se os dados respeitantes ao CO2 existente nos cilindros de gelo tivessem sido correctamente interpretados, teriam constituído uma prova de que durante os anteriores 650 000 anos o CO2 não teve um efeito discernível na temperatura média global.

Isto por duas ordens de razão: em primeiro lugar, porque o aumento da temperatura surge antes do aumento da concentração do CO2; em segundo lugar, porque se observam reduzidos valores do proxy do CO2 nos cilindros de gelo durante os períodos quentes, tanto nos antigos como nos tempos modernos.

(continua)
____________
*A bibliografia pode ser consultada no original de Zbigniew Jaworowski.

Quinta-feira, Março 20, 2008

O Árctico não desapareceu, o Árctico não desaparecerá!

O mar gelado boreal está a passar pelo máximo sazonal de Inverno. A sua evolução foi extremamente positiva desde que iniciou a subida espectacular em Novembro de 2007.

Por mais profecias que se façam, o Árctico continua lá. Como se pode verificar na Fig. 106 o pico deste Inverno ultrapassou o do ano anterior. O aumento foi da ordem de um