Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Última hora: Phil Jones suspenso

(Actualizado às 22 h 30m)

De acordo com a Associated Press, Phil Jones, principal responsável da CRU – Climatic Research Unit, que foi alvo do ataque de hackers, foi suspenso das suas funções na Universidade de East Anglia.

Eis a notícia:

UK climate scientist to temporarily step down

(AP) – 1 hour ago

LONDON — Britain's University of East Anglia says the director of its prestigious Climatic Research Unit is stepping down pending an investigation into allegations that he overstated the case for man-made climate change.

The university says Phil Jones will relinquish his position until the completion of an independent review into allegations that he worked to alter the way in which global temperature data was presented.

The allegations were made after more than a decade of correspondence between leading British and U.S. scientists were posted to the Web following the security breach last month.

The e-mails were seized upon by some skeptics of man-made climate change as proof that scientists are manipulating the data about its extent.


O sítio web da Universidade anuncia a suspensão temporária de Phil Jones.

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

O escândalo do 'Climategate' e a Conferência de Copenhaga

Finalmente, um meio de comunicação social português de nível respeitável dedicou atenção ao Climategate. Foi o Expresso na sua forma online. E fê-lo através da pena de um cientista altamente prestigiado de Portugal. Com a devida vénia ao autor e ao jornal, aqui se reproduz na íntegra o artigo publicado.
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O caso Climategate, onde se manipularam dados para provar o aquecimento global, é um dos maiores escândalos científicos da História, pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica e sobretudo pelas suas implicações económicas e políticas.

José J. Delgado Domingos*

Passaram há pouco 42 anos sobre um dos maiores desastres de origem climática em Portugal: as inundações de 1967 em Lisboa. Centenas de mortes e centenas de milhões de prejuízos materiais. Será que este desastre se deveu às emissões de CO2eq (CO2 equivalente) ou ao aquecimento global? Claro que não!

Aliás, na altura, a imprensa internacional explorava os receios de uma nova idade do gelo devido ao arrefecimento global que se verificava. Em 1967, a probabilidade de ocorrência da precipitação que provocou o desastre em Lisboa era conhecida. Uma precipitação com características análogas pode repetir-se amanhã e as suas consequências só serão menores se as necessárias medidas de prevenção forem entretanto tomadas (e nem todas o foram!).

Catástrofe de Nova Orleães não foi causada pelo aquecimento global

O que se passou com a destruição de Nova Orleães pelo furacão Katrina foi análogo: as consequências de um furacão com aquelas características eram bem conhecidas, e as imprescindíveis obras de reparação e reforço das protecções foram insistentemente pedidas mas sistematicamente adiadas.

A catástrofe não teve nada que ver com emissões de CO2eq ou aquecimento global. As tragédias climáticas no Bangladesh, não são provocadas por emissões de CO2eq, aquecimento global ou subida do nível do mar mas sim pelas inundações resultantes do assoreamento dos rios originado pela erosão que as extensíssimas desflorestações a montante agravaram e pelo crescente aumento do número de habitantes e construções em leito de cheia.

Segundo a ONU, mais de mil milhões de pessoas estão actualmente ameaçadas pela fome ou subnutrição, e agita-se o fantasma do seu aumento ou das suas migrações massivas se não forem combatidas as emissões de CO2eq para reduzir o aquecimento global.

A situação dramática e escandalosa destes milhões de seres humanos não tem nada a ver com as emissões de CO2eq, nem com o aumento oficial de 0,8 ºC na temperatura média global nos últimos 150 anos.

Temperaturas não aumentam desde 1998

Aliás, apesar de as emissões de CO2eq terem aumentado acima do cenário mais pessimista do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU, desde 1998 que a temperatura global não aumenta.

Os exemplos anteriores poderiam continuar mas a conclusão seria sempre a mesma: as consequências catastróficas de fenómenos climáticos são evidentes e têm aumentado devido a acções humanas.

O que sucedeu em 1967 em Lisboa e se repete cada vez mais agravado por esse mundo fora não é devido a emissões de CO2eq ou alegado aquecimento global.

É devido simplesmente ao facto de fenómenos climáticos naturais, que sempre existiram, terem efeitos cada vez mais catastróficos porque as acções humanas sobre o território criaram as condições para isso ao desflorestarem as cabeceiras de rios (que agravaram o seu assoreamento e as consequentes inundações), ao aumentarem os riscos de deslizamento das encostas (porque eliminaram a vegetação que as estabilizava), ao construírem cada vez mais em leitos de cheia, e ao provocarem alterações cada vez mais extensas e profundas no uso do solo.

Os efeitos das alterações no uso do solo são cada vez mais evidentes nas alterações climáticas locais e nos seus reflexos globais.

Sendo evidente que a variabilidade natural do clima sempre existiu e que as acções humanas têm vindo a agravar os seus efeitos, a subversão conceptual que a UE liderou, reduzindo tudo, ou quase tudo, às consequências do aquecimento global provocado por emissões de CO2eq é muito grave e, em última instância, contrária aos louváveis ideais que afirma defender e que suscitam o apoio das organizações ambientalistas e de multidões de bem intencionados.

Um dos maiores escândalos científicos da História

É neste contexto que rebenta o escândalo do chamado Climategate. Em termos da comunidade científica, o Climategate é um dos maiores escândalos científicos da História, não só pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica mas sobretudo pelas implicações económicas e políticas de que se reveste.

De facto, nunca existiram tantas declarações, tantos tratados, tantos protocolos e tão gigantescos fluxos financeiros tendo como único fundamento a credibilidade e o suposto consenso da comunidade científica expresso nos Summary for Policy Makers (SPM) do IPCC.

Esse fundamento desapareceu, mas os interesses envolvidos (políticos, económicos, financeiros e industriais) são de tal monta e a percepção pública da fraude científica é tão lenta que a ficção criada pela UE ainda se irá manter durante muito tempo.

O Climategate consistiu na divulgação, através da Internet, de um conjunto de ficheiros, que incluem programas de computador e emails trocados entre alguns dos principais autores dos relatórios do IPCC, de entre os quais assumem particular relevo os de Phill Jones, director do Climate Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia e Hadley Centre (Reino Unido), de autores do notório hockeystick e instituições responsáveis pelas bases de dados climáticos, como o National Climate Data Center (NCDC) e o Goddard Institute for Space Studies (GISS) dos EUA, consideradas de referência pelo IPCC.

O hockeystick é o termo usado entre os cientistas para designar o gráfico (em forma de stick de hóquei) que representa a evolução das temperaturas do hemisfério norte nos últimos mil anos, e que foi criado por um grupo de cientistas norte-americanos em 1998.

Manipulação de dados

Os referidos ficheiros encontravam-se num servidor do CRU e a sua autenticidade não foi até agora contestada. Aliás, muitos deles apenas confirmam o que há muito se suspeitava acerca da manipulação/fabricação de dados pelo grupo.

Todavia, muito do que era suspeito e atribuível a erro humano surge agora como intencional e destinado a manter a "verdade" (do IPCC) de que houve um aquecimento anormal e acelerado desde o início da revolução industrial devido à emissões de CO2eq.

Esta "verdade" é incompatível com o Período Quente Medieval (em que as temperaturas foram iguais ou superiores às actuais apesar de não existirem emissões de CO2eq) e a Pequena Idade do Gelo que se seguiu. É também incompatível com o não aquecimento que se verifica desde 1998. Esconder ou suprimir estas constatações foram objectivos centrais da fraude científica agora conhecida.

Silenciar os cientistas críticos

Em termos científicos, o que os emails revelam são os esforços concertados dos seus autores, junto de editores de revistas prestigiadas, para não acolher publicações que pusessem em causa as suas teses ou os dados utilizados pelo grupo, recorrendo mesmo a ameaças de substituição de editores ou de boicote à revista que não se submetesse aos seus desígnios.

Propuseram-se mesmo alterar as regras de aceitação das publicações para consideração nos Relatórios do IPCC de modo a suprimir as críticas fundamentadas às suas conclusões. Em resumo, procuraram subverter, em seu benefício, toda a ética científica da prova, da contraprova e de replicação de resultados que está no cerne do método científico, controlando o próprio processo da revisão por pares.

Em conjunto, conseguiram impedir que fossem publicados a maioria dos dados e conclusões que pusessem em causa e com fundamento o seu dogma do aquecimento global devido às emissões de CO2eq.

O Climategate provocou já uma invulgar reacção internacional, como uma simples pesquisa no Google imediatamente revela (mais de 10.600.000 referências menos de uma semana depois da sua revelação).

No intenso debate internacional em curso e que irá certamente continuar por muitos meses/anos, surgiram já todos os habituais argumentos de ilegalidade no acesso aos documentos; de idiossincrasias próprias de cientistas-estrelas que se sentiram incomodados; citações fora de contexto, etc.

Em meu entender, o mais revelador e incontestável nos ficheiros divulgados nem são os emails, apesar do que mostram quanto ao carácter e a honestidade intelectual dos cientistas intervenientes, mas sim os programas de computador para tratar os registos climáticos que utilizaram para justificar as conclusões que defendem.

Diga-se o que se disser, os programas executaram o que está nas suas instruções e não o que os seus autores agora vêem dizer que fizeram ou queriam fazer.

Dados climáticos até 1960 destruídos

Antecipando porventura o que agora sucedeu, os responsáveis pelos dados climáticos de referência arquivados no CRU, vieram publicamente confirmar que destruíram os dados das observações instrumentais até 1960 e que apenas retiveram o resultado dos tratamentos correctivos e estatísticos a que os submeteram.

Ou seja, tornaram impossível verificar se tais dados foram ou não intencionalmente manipulados para fabricar conclusões. Neste momento há provas documentais indirectas de que o fizeram pelo menos nalguns casos.

Existe ainda um efeito perverso na referida manipulação que resulta de os modelos climáticos utilizados para a previsão do futuro terem parâmetros baseados nas observações climáticas passadas, que agora estão sob suspeita.

Afecta também todas as calibrações de observações indirectas relativas a situações passadas em que não existiam registos termométricos.

Independentemente de tudo isto, o mais perturbador para os alarmistas é o facto de, contrariamente ao que os modelos utilizados pelo IPCC previam, não existir aquecimento global desde 1998, apesar do crescimento das emissões de CO2eq.

E se alguma coisa os ficheiros do Climagate revelam são os esforços feitos para que este facto não fosse do conhecimento público.

Comportamento escandaloso e intolerável

O comportamento escandaloso e intolerável de um grupo restrito de cientistas que atraiçoaram o que de melhor a Ciência tem só foi possível porque um grupo de políticos, sobretudo europeus, criou as condições para o tornar possível.

Isso ficou claro desde a criação do IPCC e torna-se evidente para quem estuda os relatórios-base do IPCC (WG1-Physical Science Basis) e os confronta com os SPM.

Todavia, seria profundamente injusto meter todos os cientistas no mesmo saco, pelo que é oportuno lembrar que se deve a inúmeros cientistas sérios e intelectualmente rigorosos uma luta persistente e perigosa contra os poderes estabelecidos, para que a ciência do IPCC fosse verificável e responsável.

Foram vilipendiados e acusados de estar ao serviço dos mais torpes interesses. Os documentos agora revelados mostram que estavam apenas ao serviço da Ciência e do rigor e honestidade dos métodos que fizeram a sua invejável reputação.

Seria também irresponsável agir como se as consequências da variabilidade climática e da utilização desbragada de combustíveis fósseis tivesse desaparecido com a revelação do escândalo. Muito pelo contrário.

Problemas ambientais de fundo devem ser atacados

Chame-se variabilidade climática ou alteração climática, os problemas de fundo da sustentabilidade ambiental permanecem e agravam-se pelo que devem ser atacados com determinação e realismo.

Se os esforços internacionais mobilizados para a Cimeira de Copenhaga conseguirem ultrapassar a obsessão do aquecimento/emissões (liderado pela UE) para se concentrarem na eficiência energética, nas energias renováveis, na minimização dos efeitos das alterações nos usos do solo, no combate à desflorestação, à fome e aos efeitos da variabilidade climática, teremos uma grande vitória para o planeta se a equidade e a justiça social não forem esquecidas.

Ao que parece, as propostas da China e dos EUA vão neste sentido tendo a delicadeza suficiente para não humilhar a União Europeia. Esperemos que sim.
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*Professor catedrático do Instituto Superior Técnico.

Sábado, Novembro 28, 2009

A tragédia do Climategate

Os meios de comunicação social anglo-saxões e a blogosfera continuam cheios de informações, análises e debates acerca do Climategate. Mas em Portugal, ao contrário, os media escondem tanto quanto podem esta tragédia da ciência. A tentativa de silenciamento deste escândalo de enormes proporções, que se abateu tanto no campo científico como no campo político, não honra os media portugueses.

Convém recapitular os factos:

Um ou mais hackers, por enquanto desconhecidos, tornaram públicos quase sete mil ficheiros com cerca de mil emails da unidade de investigação CRU (Climate Research Unit) da Universidade de East Anglia, Norwich, Reino Unido.

Por sua vez, a CRU está intimamente ligada a outro centro de investigação Hadley Center (daí a existência do acrónimo HadCRU) na reconstrução do índice das temperaturas médias globais da superfície do planeta obtidas a partir de observações termométricas.

Esta informação HadCRU é difundida pelo Met Office inglês (equivalente ao nosso Instituto de Meteorologia) e, igualmente, pela Organização Meteorológica Mundial. O IPCC utiliza, oficialmente, esta informação e ignora as observações dos satélites meteorológicos

Assim, o correio electrónico, os ficheiros e os códigos informáticos sacados pelos hackers valem uma autêntica fortuna pois revelam a extensão conspirativa dos que tramaram o mito do aquecimento global. O material revelado cobre algo mais do que uma dúzia de anos (de 1996 a 2009). Seria desejável saber como todo este material foi tornado público e porque o foi. Uma dissidência interna de cientistas que se mantêm escrupulosos?

Curiosamente, os hackers tiveram o cuidado de explicitar o objectivo da sua acção ao escreverem no cabeçalho do arquivo a seguinte nota explicativa:

«Pensamos que, actualmente, a ciência do clima é demasiado importante para que se mantenha secreta. Por isso, tornamos público correspondência, códigos e documentos escolhidos aleatoriamente. Esperamos que isto abra os olhos para se ver em que ponto está esta ciência e como ela é utilizada por estes responsáveis.»

Outra curiosidade reside na designação que os hackers deram ao nome do arquivo que é um tesouro informático: FOI2009. Não foi por acaso que se escolheu este nome. Para os anglo-saxões FOIA é o acrónimo de Freedom of Information Act, a lei da liberdade de informação.

Deste modo, os hackers, sabedores de que violavam uma lei sobre pirataria informática, quiseram dar a entender que, antes deles, o CRU violou uma outra lei, a lei da liberdade de informação, uma lei sagrada para os anglo-saxónicos.

Dado o cuidado com que o pacote informático foi preparado para divulgação pública na internet, tudo leva a concluir que os hackers são pessoas dentro dos meandros de toda esta questão.

Será algum cientista da própria Universidade de East Anglia, do CRU ou mesmo do Hadley Center? Seja quem for, é alguém que ficou deveras chocado com os procedimentos sem escrúpulos dos “cientistas” envolvidos neste processo: a maior impostura científica de toda a história da Ciência.

Se tivesse sido um hacker vulgar, poder-se-ia perguntar qual a razão por que ele não atacou os servidores informáticos de James Earl Hansen ou de Michael Mann. Ou de Gavin Schmidt, braço direito de Hansen.

Até agora nenhum emissor ou receptor da correspondência electrónica negou a genuidade da documentação publicada na internet. Alguns até reconheceram a autoria dos emails.

Foi o caso de Michael Mann e Kevin Trenberth, segundo o Washington Post. Mas outros dos apanhados com a boca na botija apresentam desculpas esfarrapadas e procuram minimizar o significado dos seus escritos.

Alguns, quando não conseguem dar respostas aos jornalistas, dizem que “já não se lembram de ter escrito ou recebido tais emails…”. Tais respostas são, na realidade, uma confirmação de que têm culpas no cartório.

Os responsáveis do CRU não se atrevem a afirmar que os emails não são verdadeiros ou que foram fabricados pelos hackers. Há múltiplas cópias desses emails em muitos servidores da internet, tanto no Reino Unido como nos EUA.

Torna-se evidente que algumas das personagens envolvidas nesta tragédia da ciência deverão ser levadas a depor em julgamento, pelo menos nos EUA. No Reino Unido, o perjúrio acarreta também uma pena pesada.

Com tantas pessoas envolvidas, é provável que alguém diga toda a verdade ao invés de correr o risco de ir parar à prisão por perjúrio. Mas quanto mais prevaricarem após o rebentamento do escândalo mais probabilidades têm de ser castigados quando forem chamados a depor. Alguns dos prevaricadores sabem que têm a espada pronta a cair em cima da cabeça. Um deles é Phil Jones.

A prevaricação é por demais evidente. Os juízes não vão perdoar o facto de eles não terem querido fornecer – como é norma da lei – os dados pedidos por Steve McIntyre. Nem perdoarão o facto de terem apagado ou tentado apagar dados.

McIntyre está agora em condições de, a partir dos códigos informáticos, reproduzir as curvas das temperaturas e verificar aquelas que foram manipuladas. Este tipo de coisas acontece quando um cientista se escusa de fornecer os dados e os códigos.

Tenhamos esperança de que, a partir de agora, o escândalo coíba futuros comportamentos anti-éticos e atentados à idoneidade científica. Deve-se exigir que os dados e os códigos sejam públicos a fim de poderem ser replicados os resultados. As consequências deste processo para as tomadas de decisão política – com efeitos na vida do cidadão comum – assim o exigem.

A fraude do Climagate corrobora plenamente tudo o que diziam os cépticos do aquecimento global. Tal trapaça deveria fazer reflectir políticos como os do governo português e da União Europeia.

Sem entenderem nada do assunto, estes políticos deram endosso total e acrítico às teses do global warming. Eles gastaram rios de dinheiro com a patranha do aquecimento global, além de deformarem gravemente a política energética dos países da UE pois a mesma foi posta a reboque dos impostores climáticos.

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Algumas conclusões sobre o Climategate

Da leitura das mensagens trocadas entre a nata dos “cientistas” do global warming, é possível tirar desde já algumas conclusões.

A principal é a necessidade de acabar com a politização da ciência climática. Os ministros do ambiente devem ocupar-se apenas com as questões ambientais, já que não dominam as que têm a ver com o clima.

Depois, é fundamental uma transparência total, que permita o acesso público das bases de dados, dos algoritmos (modelos informáticos) e dos resultados. Só deste modo é possível realizar a contraprova, essencial no método científico, de forma a credibilizar qualquer investigação.

Uma outra conclusão é a de que os cientistas responsáveis pelas atitudes deploráveis agora reveladas, como, por exemplo, a manipulação de dados, deveriam ser impedidos de participar nos processos de revisão pelos pares de trabalhos sobre questões climáticas.

Cientistas como Keith Briffa, Michael Mann, Phil Jones (director do CRU), Caspar Amman, Ray Bradley, James Hansen, Tom Wigley, Stephen Schneider, etc. deveriam ser afastados definitivamente dos relatórios do IPCC.

Sintomaticamente, os principais responsáveis do Working Group I do IPCC, o grupo que se ocupa dos fundamentos científicos da teoria climática do IPCC, estão todos envolvidos no Climategate. Havia, até agora, quem considerasse o WG I como o menos mau de todos os grupos. Afinal, no melhor pano cai a nódoa…

Por outro lado, é importante conhecer a lista dos financiadores do CRU. Como se pode observar, a União Europeia faz parte desta lista, o que significa que o dinheiro dos contribuintes europeus tem vindo a financiar as actividades deste conjunto de trapaceiros do CRU. É necessário pôr cobro a estes financiamentos imerecidos.

E, sobretudo, é imperioso abandonar os planos que previam uma aplicação ainda pior dos dinheiros da União Europeia, como a intenção de oferecer somas incalculáveis a países do terceiro mundo com o propósito, a todos os títulos fantasioso, de minorar os efeitos do aquecimento global, uma finalidade que é agora posta em causa da forma que se conhece.

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

“Ainda Orwell”

Artigo de Fernando Gabriel

Mais uma vez, temos muito gosto em divulgar junto dos nossos leitores um excelente artigo de Fernando Gabriel, publicado no Diário Económico de 25/11/09. Aqui fica, na íntegra, com a devida vénia ao autor.

Um conhecido aforismo de George Orwell resume a ambição subjacente à política das alterações climáticas: quem controla o passado, controla o futuro e quem controla o presente, controla o passado.

Os defensores da tese da actividade humana como a causa do aquecimento global controlam o presente da discussão política e pretendem controlar o futuro político da humanidade. O que não se sabia era até onde estavam dispostos a ir na tentativa de controlar o passado.

Na última semana ficámos a saber, depois de ‘hackers' terem retirado cerca de 1000 e-mails e 3000 documentos das bases da Climate Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia.

O director do CRU coordena o HadCrut, uma unidade conjunta com o Hadley Centre for Climate Prediction and Research, que é uma das quatro fontes de dados do IPCC. Os documentos extraídos do CRU mostram de forma transparente a existência de manipulações dos dados de temperatura, de forma a ocultar variações "inconvenientes" à tese do aquecimento global.

Mostram também que há uma campanha deliberada de limitação do livre inquérito científico nesta matéria, através de ataques à reputação de cientistas com posições contrárias, do boicote à publicação de artigos e da viciação do processo de peer review.

Em suma, o que transparece destes documentos é o desprezo de cientistas com um papel crucial no IPCC por princípios éticos básicos e pela honestidade intelectual, subordinando a investigação à obtenção de resultados que promovam uma causa política. Só surpreende a ingenuidade, ou impunidade, com que estas manobras são discutidas por alguns dos intervenientes: o resto não.

Nos últimos anos, pelo menos dois pedidos de cedência de dados ao abrigo da lei de liberdade de informação foram recusados pelo HadCrut, o último dos quais com a inusitada justificação que a divulgação dos dados podia "causar danos às relações internacionais".

Pela primeira vez, registos de temperatura ascenderam à categoria de segredo de Estado. O CRU fez tudo para evitar a divulgação dos dados e chegou mesmo a declarar que parte das séries tinha sido "perdida". Agora compreendem-se melhor os motivos do pânico.

Num editorial invulgarmente desonesto, o Financial Times tenta limitar os estragos e atribui aos que exigem mais transparência na investigação delírios de uma "vasta conspiração". Não é vasta. A peça central da política do aquecimento global é o relatório do IPCC de 2007, em particular o capítulo 9, apresentado como o "consenso de 2500 cientistas".

Sucede que o capítulo crucial tem apenas 53 autores. Desses, 38% são ingleses e um quinto do total são cientistas do CRU. Dos artigos científicos aí citados, 70% têm como co-autores os 53 cientistas envolvidos: vasta conspiração ou uma rede social com grandes afinidades intelectuais e ideológicas?

O potencial de descrédito para a investigação científica é o resultado da tentativa de utilização do ambientalismo para concretizar uma velha obsessão progressista: a instauração de um governo mundial, assessorado por "peritos" capazes de controlar o futuro e prevenir todos os males. Na cabeça dos crentes, a grandeza do propósito justifica os meios. Orwell sabia do que falava.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Apanhados com a boca na botija (em inglês)

MC apresenta agora - com comentários em inglês - a lista dos emails mais comprometedores do ClimateGate (aqui e aqui), retirados do famoso ficheiro FOI2009.zip. Entre parêntesis está a numeração do correio electrónico daquele ficheiro.


* Phil Jones writes to University of Hull to try to stop sceptic Sonia Boehmer Christiansen using her Hull affiliation. Graham F Haughton of Hull University says its easier to push greenery there now SB-C has retired.(1256765544)

* Michael Mann discusses how to destroy a journal that has published sceptic papers.(1047388489)

* Tim Osborn discusses how data are truncated to stop an apparent cooling trend showing up in the results (0939154709). Analysis of impact here. Wow!

* Phil Jones describes the death of sceptic, John Daly, as “cheering news”.

* Phil Jones encourages colleagues to delete information subject to FoI request.(1212063122)

* Phil Jones says he has use Mann’s “Nature trick of adding in the real temps to each series”…to hide the decline”. Real Climate says “hiding” was an unfortunate turn of phrase.(0942777075)

* Letter to The Times from climate scientists was drafted with the help of Greenpeace.(0872202064)

* Mann thinks he will contact BBC’s Richard Black to find out why another BBC journalist was allowed to publish a vaguely sceptical article.(1255352257)

* Kevin Trenberth says they can’t account for the lack of recent warming and that it is a travesty that they can’t.(1255352257)

* Tom Wigley says that Lindzen and Choi’s paper is crap.(1257532857)

* Tom Wigley says that von Storch is partly to blame for sceptic papers getting published at Climate Research. Says he encourages the publication of crap science. Says they should tell publisher that the journal is being used for misinformation. Says that whether this is true or not doesn’t matter. Says they need to get editorial board to resign. Says they need to get rid of von Storch too. (1051190249)

* Ben Santer says (presumably jokingly!) he’s “tempted, very tempted, to beat the crap” out of sceptic Pat Michaels. (1255100876)

* Mann tells Jones that it would be nice to ‘”contain” the putative Medieval Warm Period’. (1054736277)

* Tom Wigley tells Jones that the land warming since 1980 has been twice the ocean warming and that this might be used by sceptics as evidence for urban heat islands.(1257546975)

* Tom Wigley say that Keith Briffa has got himself into a mess over the Yamal chronology (although also says it’s insignificant. Wonders how Briffa explains McIntyre’s sensitivity test on Yamal and how he explains the use of a less-well replicated chronology over a better one. Wonders if he can. Says data withholding issue is hot potato, since many “good” scientists condemn it.(1254756944)

* Briffa is funding Russian dendro Shiyatov, who asks him to send money to personal bank account so as to avoid tax, thereby retaining money for research.(0826209667)

* Kevin Trenberth says climatologists are nowhere near knowing where the energy goes or what the effect of clouds is. Says nowhere balancing the energy budget. Geoengineering is not possible.(1255523796)

* Mann discusses tactics for screening and delaying postings at Real Climate.(1139521913)

* Tom Wigley discusses how to deal with the advent of FoI law in UK. Jones says use IPR argument to hold onto code. Says data is covered by agreements with outsiders and that CRU will be “hiding behind them”.(1106338806)

* Overpeck has no recollection of saying that he wanted to “get rid of the Medieval Warm Period”. Thinks he may have been quoted out of context.(1206628118)

* Mann launches RealClimate to the scientific community.(1102687002)

* Santer complaining about FoI requests from McIntyre. Says he expects support of Lawrence Livermore Lab management. Jones says that once support staff at CRU realised the kind of people the scientists were dealing with they became very supportive. Says the VC [vice chancellor] knows what is going on (in one case).(1228330629)

* Rob Wilson concerned about upsetting Mann in a manuscript. Says he needs to word things diplomatically.(1140554230)

* Briffa says he is sick to death of Mann claiming his reconstruction is tropical because it has a few poorly temp sensitive tropical proxies. Says he should regress these against something else like the “increasing trend of self-opinionated verbiage” he produces. Ed Cook agrees with problems.(1024334440)

* Overpeck tells Team to write emails as if they would be made public. Discussion of what to do with McIntyre finding an error in Kaufman paper. Kaufman’s admits error and wants to correct. Appears interested in Climate Audit findings.(1252164302)

* Jones calls Pielke Snr a prat.(1233249393)

* Santer says he will no longer publish in Royal Met Soc journals if they enforce intermediate data being made available. Jones has complained to head of Royal Met Soc about new editor of Weather [why?data?] and has threatened to resign from RMS.(1237496573)

* Reaction to McIntyre’s 2005 paper in GRL. Mann has challenged GRL editor-in-chief over the publication. Mann is concerned about the connections of the paper’s editor James Saiers with U Virginia [does he mean Pat Michaels?]. Tom Wigley says that if Saiers is a sceptic they should go through official GRL channels to get him ousted. (1106322460) [Note to readers - Saiers was subsequently ousted]

* Later on Mann refers to the leak at GRL being plugged.(1132094873)

* Jones says he’s found a way around releasing AR4 review comments to David Holland.(1210367056)

* Wigley says Keenan’s fraud accusation against Wang is correct. (1188557698)

* Jones calls for Wahl and Ammann to try to change the received date on their alleged refutation of McIntyre [presumably so it can get into AR4](1189722851)

* Mann tells Jones that he is on board and that they are working towards a common goal.(0926010576)

* Mann sends calibration residuals for MBH99 to Osborn. Says they are pretty red, and that they shouldn’t be passed on to others, this being the kind of dirty laundry they don’t want in the hands of those who might distort it.(1059664704)

* Prior to AR3 Briffa talks of pressure to produce a tidy picture of “apparent unprecedented warming in a thousand years or more in the proxy data”. [This appears to be the politics leading the science] Briffa says it was just as warm a thousand years ago.(0938018124)

* Jones says that UK climate organisations are coordinating themselves to resist FoI. They got advice from the Information Commissioner [!](1219239172)

* Mann tells Revkin that McIntyre is not to be trusted.(1254259645)

* Revkin quotes von Storch as saying it is time to toss the Hockey Stick . This back in 2004.(1096382684)

* Funkhouser says he’s pulled every trick up his sleeve to milk his Kyrgistan series. Doesn’t think it’s productive to juggle the chronology statistics any more than he has.(0843161829)

* Wigley discusses fixing an issue with sea surface temperatures in the context of making the results look both warmer but still plausible. (1254108338)

* Jones says he and Kevin will keep some papers out of the next IPCC report.(1089318616)

* Tom Wigley tells Mann that a figure Schmidt put together to refute Monckton is deceptive and that the match it shows of instrumental to model predictions is a fluke. Says there have been a number of dishonest presentations of model output by authors and IPCC.(1255553034)

* Grant Foster putting together a critical comment on a sceptic paper. Asks for help for names of possible reviewers. Jones replies with a list of people, telling Foster they know what to say about the paper and the comment without any prompting.(1249503274)

* David Parker discussing the possibility of changing the reference period for global temperature index. Thinks this shouldn’t be done because it confuses people and because it will make things look less warm.(1105019698)

* Briffa discusses an sceptic article review with Ed Cook. Says that confidentially he needs to put together a case to reject it (1054756929)

* Ben Santer, referring to McIntyre says he hopes Mr “I’m not entirely there in the head” will not be at the AGU.(1233249393)

* Jones tells Mann that he is sending station data. Says that if McIntyre requests it under FoI he will delete it rather than hand it over. Says he will hide behind data protection laws. Says Rutherford screwed up big time by creating an FTP directory for Osborn. Says Wigley worried he will have to release his model code. Also discuss AR4 draft. Mann says paleoclimate chapter will be contentious but that the author team has the right personalities to deal with sceptics.(1107454306)

Fonte: Lubos Motl.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Apanhados com a boca na botija (em francês)

MC apresenta seguidamente uma lista, com explicações em francês, dos emails mais comprometedores do ClimateGate (aqui e aqui), retirados do famoso ficheiro FOI2009.zip. GIEC em francês significa IPCC em inglês.

Entre parêntesis está a numeração do correio electrónico daquele ficheiro que pode ser consultado no original ao clicar no respectivo número. Os emails estão separados por especialidades.

Corruption du processus de relecture (peer-review) et de publication scientifique

Michael Mann explique comment faire pour détruire un journal qui a publié des articles sceptiques. (1047388489)
Phil Jones dit que lui et Kevin vont exclure certains papiers du prochain rapport du GIEC. (1089318616)
Tom Wigley dit que von Storch est en partie à blâmer pour la publi de papiers sceptiques dans le journal Climate Research. Et dit que cela encourage la publication d'inepties scientifiques. Dit qu'ils devraient signifier au rédacteur en chef que son journal est utilisé pour la désinformation. Dit que peu importe que cela soit vrai ou non. Dit qu'ils faut obtenir la démission du comité de rédaction. Dit qu'ils doivent se débarrasser de von Storch aussi. (1051190249)
Réaction au papier McIntyre 2005 dans les GRL [Geophysical Research Letters]. Mann a contesté le rédacteur en chef de la publication des GRL. Mann est préoccupé par les relations de James Saiers, rédacteur en chef du journal, avec l'Université Virginia [veut il dire Pat Michaels?]. Tom Wigley dit que si Saiers est un sceptique, alors ils doivent passer par les canaux officiels des GRL pour l'éjecter. (1106322460) [Note - Saiers a effectivement été évincé]
Plus tard, Mann conclut que "la fuite aux GRL a été colmatée". (1132094873)
Grant Foster [blogger Tamino] rassemble les éléments pour un commentaire critique d'un papier sceptique. Demande de l'aide pour des noms d'examinateurs [reviewers] potentiels. Jones lui donne une liste des personnes, en assurant à Foster que celles-ci sauront quoi dire sur son papier et commentaire [complaisance entre pairs ?]. (1249503274)
Santer dit qu'il ne publiera plus dans la revue Royal Met Soc si ces gens obligent à publier les données intermédiaires [ce qui a permis à Climate Audit de coincer Briffa]. Jones s'est plaint au directeur de la Royal Met Soc à propos du nouvel éditeur de Weather et a menacé de démissionner de la RMS. (1237496573)
Briffa discute avec Ed Cook au sujet de l'examen du papier d'un sceptique. Avoue que confidentiellement, il a besoin de constituer un cas pour rejeter ce papier. (1054756929)

Manipulation des données

Phil Jones dit qu'il utilise "le truc de Mann dans Nature d'ajout de températures réelles aux séries [paléoclimatiques]" … pour cacher le déclin [en température]". (0942777075) RealClimate dit que « cacher » est un terme malencontreux.
Mann dit à Jones que ce serait bien de "contenir" le prétendu optimum médiéval. (1054736277)
Mann envoie les résultats de stats de validité de MBH99 à Osborn. Dit qu'ils sont très douteux, et qu'ils ne devraient pas être communiqués à d'autres car ce genre de linge sale ne doit pas être aux mains de ceux qui pourraient déformer les infos. (1059664704)
Wigley discute sur la manière de corriger le problème avec les températures de surface des mers dans le contexte de renforcer artificiellement le réchauffement mais de manière plausible. (1254108338)
David Parker discute de l'éventualité de modifier la période de référence pour l'indice de température mondiale. Pense que cela devrait être évité, car cela donnerait l'impression que le réchauffement est moins fort et confondrait les gens. (1105019698)
Tim Osborn discute comment les données sont tronquées pour empêcher une tendance apparente au refroidissement d'apparaître dans les résultats. (0939154709) Illustration de l'impact de cette troncature ici

Non divulgation de données

Phil Jones encourage ses collègues à supprimer les informations sujettes au FOIA (freedom of information act). (1212063122)
Tom Wigley explique comment faire face au FOIA (freedom of information act) au Royaume-Uni. Jones dit d'utiliser l'argument de l'IPR (droits de propriétés intellectuelles) pour ne pas divulguer les codes. Dit que les données sont protégées par des accords internationaux et que le CRU «se cachera derrière eux». (1106338806)
Jones avoue à Mann, Bradley… qu'il a trouvé un moyen de ne pas avoir à publier les commentaires des relectures du chapitre 6 de l'AR4 (rapport du GIEC 2007) [suite à une demande FoIA par David Holland]. (1210367056)
Jones affirme que les organisations climatiques au Royaume-Uni se sont entendues pour déjouer le FoIA [qui les obligent à rendre les données publiques]. Sur les conseils du commissaire à l'information [!] (1219239172)
Jones dit à Mann qu'il lui envoie les données des stations. Dit que si McIntyre les demande sous FoIA, il les supprimera plutôt que de les remettre. Dit qu'il va se cacher derrière les lois de protection des données. Dit que Rutherford a gaspillé énormément de temps en créant un répertoire FTP pour Osborn. Dit que Wigley s'inquiète d'avoir à rendre public le code de ses modèles. Discutent également de la version préliminaire de l'AR4 (rapport GIEC 2007). Mann dit que le chapitre paléoclimatiques sera controversé mais que les auteurs de ce chapitre ont les personnalités adéquates pour faire face aux sceptiques. (1107454306)
Santer se plaint au sujet des demandes de FoIA par McIntyre. Il dit qu'il attend le soutien de la direction du Lawrence Livermore Lab. Jones dit qu'une fois la direction du CRU mise au courant du genre de personnes [sceptiques] auxquelles les scientifiques avaient affaire, elle est devenue d'un grand soutien. Dit que le VC [vice-chancelier] sait ce qui se passe (dans un cas). (1228330629)
Phil Jones écrit à Steve [Schneider], rédacteur en chef de Climatic Change [ainsi que d'autres du comité de rédaction de la revue?], lui disant qu'il ne devrait pas accéder à la demande McIntyre d'obtenir le code informatique des articles de Mann. Plus tard, dans un courriel à Mann ("Rien que pour vos yeux , à supprimer après lecture") Jones dit qu'il a dit à Schneider séparément [vraisemblablement sans dire au reste du conseil] qu'il devrait demander l'avis d'autres et aussi consulter l'éditeur et consulter un avocat. (1074277559)

Consensus de façade

Rob Wilson se dit préoccupé d'avoir à contredire Mann dans un manuscrit. Dit qu'il a besoin de formuler les choses avec diplomatie. (1140554230)
Kevin Trenberth dit "le fait est que nous ne savons pas expliquer l'absence de réchauffement actuellement et c'est ridicule". (1255352257)
Tom Wigley dit à Jones que le réchauffement des continents depuis 1980 a été deux fois celui de l'océan et que ceci pourrait être utilisé par les sceptiques comme preuve de l'influence des îlots de chaleur urbains. (1257546975)
Tom Wigley dit que Keith Briffa s'est attiré des ennuis avec la chronologie de Yamal (mais dit aussi que cette chronologie ne change pas grande chose). Il se demande comment Briffa expliquerait le test de sensibilité de McIntyre sur Yamal et comment il justifierait le choix d'une chronologie mal répliquée au lieu d'une meilleure. Se demande s'il le pourrait. Dit que la dissimulation de données en question est une patate chaude, que c'est un procédé que de nombreux "bons" scientifiques condamnent. (1254756944)
Revkin [journaliste de l'environnement vedette du New York Time] cite von Storch comme ayant dit qu'il est temps de tirer un trait sur la crosse de hockey. (1096382684)
Wigley dit que l'accusation de fraude de Keenan contre Wang est correcte. (1188557698)
Kevin Trenberth dit que les climatologues ne sont pas près de savoir où va l'énergie [dans les bilans radiatifs des modèles] ou ce que l'effet des nuages représente. Dit qu'ils sont loin de pouvoir équilibrer le bilan énergétique. Dit que le géoengineering est impossible. (1255523796)
Briffa se dit écoeuré par Mann qui continue de clamer que sa [de Mann] reconstruction tropicale de la température est correcte malgré que ça contient juste quelques proxies qui reproduisent mal la température. Dit que Mann devrait trouver d'autres proxies pour la température comme "la tendance croissance au verbiage borné". Ed Cook est d'accord. (1024334440)
Overpeck conseile à l'Equipe d'écrire les e-mails comme s'ils allaient être rendus publics. Discussion sur quoi faire avec McIntyre [de Climate Audit] qui a trouvé une erreur dans la publi de Kaufman. Kaufman admet l'erreur et veut la corriger. Semble intéressé par les découvertes de CA (Climate Audit). (1252164302)
Avant l'AR3 (rapport GIEC 2001), Briffa dénonce les pressions pour produire une image simpliste de «prétendu réchauffement sans précédent depuis mille ans donné par les données indirectes [proxies]". Briffa dit que la période moderne n'est pas différente d'il y a mille ans. (0938018124)
Funkhouser dit qu'il a usé de tous les tours dans son sac pour tenter d'extraire une courbe en crosse de hockey de la série [de proxies de température] de Kyrgistan et qu'il n'y arrive pas. Ne pense pas qu'il soit productif de jongler davantage avec les statistiques de la chronologie [scrupule que n'a pas Mann et ses multiples courbes en crosse de hockey]. (0843161829)
Tom Wigley dit à Mann que le graphique créé par Schmidt pour réfuter Monckton est trompeur et que la cohérence montrée entre mesures et prévisions du modèle est un coup de chance. Dit qu'il y a eu un grand nombre de présentations malhonnêtes des résultats des modèles par les auteurs et le GIEC. (1255553034)
Briffa dit qu'il s'efforçait de faire un compromis entre les besoins du GIEC et de la science, choses qui ne sont pas toujours les mêmes. (1177890796)
Une source anonyme dit que les problèmes de robustesse avec la crosse de hockey sont connus de tous ceux qui comprennent sa méthodologie. La source dit qu'il y aura beaucoup de bruit suite au papier de McIntyre 2003 et que, connaissant la grande susceptibilité de Mann, il va fortement réagir, à moins qu'il tiennent compte des leçons du passé. (1067194064)
Giorgio Filippo (Université de Trieste) dit que le GIEC n'est pas une évaluation de la science publié, mais la production de résultats. Dit qu'il y a très peu de règles et que tout est permis. Dit tout le monde semble penser qu'il est correct de faire cela. Pense que cela nuira à la crédibilité du GIEC. (0968705882)
John Mitchell, éditeur du comité de relecture du GIEC dit que le problème de la non publication des données des proxies de reconstruction de température des dernières décennies (qui ne montrent pas de réchauffement) doit être expliqué. [Note, ce problème, connu sous le nom de divergence, a été minimisé en disant que c'est limité à quelques endroits]. Dit aussi que la méthode d'analyse par composant principal (PC A) de Mann est erronée et que les résultats de Mann ne sont pas statistiquement significatifs. (1150923423)

Manipulation des médias et de l'opinion publique

Mann pense qu'il va contacter Richard Black de la BBC pour savoir pourquoi un autre journaliste de la BBC a été autorisé à publier un article vaguement sceptique. (1255352257)
Lettre au Times par les climatologues rédigée avec l'aide de Greenpeace. (0872202064)
Mann inaugure le site Real Climate. (1102687002)
Mann aborde les tactiques pour trier et retarder les posts de lecteurs [sceptiques] sur Real Climate. (1139521913)
Overpeck n'a aucun souvenir d'avoir dit qu'il voulait «se débarrasser de l'optimum médiéval". Pense qu'il pourrait avoir été cité hors contexte. (1206628118)
Jones demande à Wahl et Ammann d'essayer de changer la date de réception de leur papier de réfutation de McIntyre [sans doute pour qu'il puisse entrer dans AR4, papier qui n'a jamais été publié, cf CA] (1189722851)
Phil Jones a du mal à expliquer les problèmes concernant le graphique de Lamb sur la température globale dans les premiers rapports du GIEC. Dit qu'il vaut mieux ne pas discuter ouvertement sur Realclimate. Dit qu'il vaut mieux enterrer l'affaire. (1168356704)

Diffamation d'autres scientifiques sur des motifs non scientifiques

Tom Wigley dit que le papier de Lindzen et Choi est "de la connerie". (1257532857)
Jones traite Roger Pielke Senior d'andouille. (1233249393)
Ben Santer, se référant à McIntyre déclare qu'il espère que Monsieur "je n'ai pas toute ma tête" ne sera pas à l'AGU. (1233249393)
Mann dit à Revkin que "McIntyre n'est pas une personne de confiance". (1254259645)
Phil Jones décrit la mort du sceptique, John Daly, comme "en quelque sorte une bonne nouvelles. (1075403821)
Ben Santer dit (sans doute en plaisantant!) qu'il est "tenté, très tenté, de tabasser" le sceptique Pat Michaels. (1255100876)
Phil Jones écrit à l'Université de Hull pour essayer d'empêcher la sceptique Sonia Boehmer Christiansen d'utiliser son affiliation Hull. Graham F Haughton de l'Université de Hull affirme que c'est plus facile de promouvoir "les trucs écologiques" maintenant que SB-C a pris sa retraite. (1256765544)

Divers

Briffa finance le dendrochronologue russe Shiyatov, qui lui demande d'envoyer de l'argent sur son compte bancaire personnel de manière à éviter les impôts, pour ainsi préserver l'argent pour la recherche. (0826209667)

Et pour les lecteurs français, l'affaire Courtillot dans l'affaire

Bard écrit à Jones pour de l'aide. Jones demande aux membres de Real Climate (Mann, Schmidt, Pierrehumbert) d'écrire à Science en faveur de Bard et Mann propose de rédiger un article sur Real Climate pour attaquer Courtillot. [Real Climate a effectivement critiqué de manière virulente Courtillot dans deux posts s'intitulant "les Chevaliers de l'Ordre de la Terre Plate" écrits par Pierrehumbert qui ont inspiré Libé et le Monde]. (1200426564)
Jouzel écrit au même moment à Jones pour lui demander d'aider Bard en disant que "la situation est vraiment très mauvaise [pour Edouard Bard]". (1200493432)

Consulter également la source chez Bishop Hill, un fin connaisseur de la crosse de hockey, avec d'excellentes synthèses sur la question comme Caspar and the Jesus Paper ou The Yamal Implosion

Fonte: Changement climatique.

Fanático pede a cabeça de Phil Jones

O escândalo do ClimateGate (aqui e aqui) está a atingir proporções espantosas. Até mesmo George Monbiot, um dos propagandistas mais ferozes da fé no aquecimento global, admite agora que deveria ter sido mais céptico e diz também que a ciência do clima necessita de ser repensada. Eis o que ele afirma no seu blogue:

It’s no use pretending that this isn’t a major blow. The emails extracted by a hacker from the climatic research unit at the University of East Anglia could scarcely be more damaging. I am now convinced that they are genuine, and I’m dismayed and deeply shaken by them.

Yes, the messages were obtained illegally. Yes, all of us say things in emails that would be excruciating if made public. Yes, some of the comments have been taken out of context. But there are some messages that require no spin to make them look bad.

There appears to be evidence here of attempts to prevent scientific data from being released, and even to destroy material that was subject to a freedom of information request.

Worse still, some of the emails suggest efforts to prevent the publication of work by climate sceptics, or to keep it out of a report by the Intergovernmental Panel on Climate Change. I believe that the head of the unit, Phil Jones, should now resign. Some of the data discussed in the emails should be re-analysed.

Neste desabafo de Monbiot está o segredo da mutilação de artigos cépticos enviados para revistas científicas. Os censores e cínicos diziam depois que era reduzido o número de artigos cépticos nas revistas com revisores (peer-reviewers).

Sir David King na entrevista dada ao jornalista Virgílio Azevedo do Expresso (ver entrevista publicada na edição do Expresso de 31 de Outubro de 2009, 1.º Caderno, página 31) disse mesmo que não havia nenhum (!) artigo dos cépticos.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

A face oculta do alarmismo climático

As revelações do ClimateGate permitiram entrar nos segredos dos “deuses” que têm mantido vivo o alarmismo do aquecimento global. Os milhares de emails tornados públicos por quem invadiu o sistema informático da Climatic Research Unit (Norwich, Reino Unido), da responsabilidade de Phil Jones, desvendaram a face oculta da máquina do IPCC.

É o que Roy Spencer afirma, no seu blogue, num texto intitulado “ClimateGate and the Elitist Roots of Global Warming Alarmism”.

Alguns emails da CRU apontam para a manipulação das bases de dados realizada de modo a desvalorizar as variações naturais do clima e a exagerar as alterações impostas pelas actividades humanas. Esta manipulação revela o carácter das pessoas que trabalham no IPCC, como bem observa Roy Spencer:

«Even if this language does not survive in the treaty’s final form, it illustrates the kind of people we are dealing with. The IPCC folks jet around the world to all kinds of exotic locations for their UN-organized meetings where they eat the finest food. Their gigantic carbon footprints stomp around the planet as they deride poor Brazilian farmers who convert jungle into farmland simply to survive.»

A metodologia usada pelos burocratas e “cientistas” do IPCC não tem sido mais do que uma perversão do processo científico. O conhecimento pseudo-científico do IPCC apenas se destinava a servir interesses políticos e financeiros criticáveis, com prejuízo de toda a humanidade.

Os dados não fiáveis e as fontes deturpadas, com o fito de exagerar a influência do CO2 antropogénico, não têm outro propósito senão colocar fundos colossais sob o controlo dos alarmistas, funcionários da ONU e políticos ávidos de poder.

A gigantesca e dramática farsa, a nível mundial, que tem sido a teoria do “aquecimento global” recomenda que se repense a evolução do método científico neste século XXI, muito em particular quando a Ciência serve de suporte a decisões políticas com consequências graves na vida das pessoas.

A humanidade deveria manifestar uma enorme dívida de gratidão a Roy Spencer e ao seu colega John Christy, da University of Alabama in Huntsville. De facto, se não fossem eles a trabalhar os dados dos satélites, estaríamos bem piores quanto ao conhecimento da realidade da temperatura média global do planeta.

Finalmente, como estamos frequentemente a acusar a comunicação social portuguesa de não dar notícias desfavoráveis à teoria oficial do global warming, é justo realçar a prontidão com que o Jornal de Negócios e o Público noticiaram o Climategate logo na sexta-feira, dia 20. Esperemos que o assunto encontre eco nos restantes órgãos de comunicação social.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

ClimateGate

Rebentou o dique das mentiras do aquecimento global

(Actualizado às 12 h 05 m do dia 21 do corrente por sugestão de um leitor)

A blogosfera internacional está cheia de notícias sobre o assalto que “piratas informáticos” fizeram ao Hadley Center, do Reino Unido, dia 19 de Novembro. Resume-se a notícia do dia desta forma:

The University of East Anglia's Hadley Climatic Research Centre appears to have suffered a security breach earlier today, when an unknown hacker apparently downloaded 1079 e-mails and 72 documents of various types and published them to an anonymous FTP server. These files appear to contain highly sensitive information that, if genuine, could prove extremely embarrassing to the authors …

Deste modo, toma-se conhecimento público das mensagens trocadas entre “cientistas” do Hadley Center e entre estes e os do resto do Mundo, nomeadamente americanos, com objectivos diversos.

Dentre os objectivos principais encontra-se a manipulação de dados de modo a manter acesa a chama do global warming. Eles acertaram agulhas para modificar resultados, apagar dados inconvenientes e esconder a realidade das temperaturas a decrescer desde 1998.

Estas notícias podem-se encontrar pormenorizadamente em Watts Up With That e Climate Audit. A notícia já foi publicada no circunspecto Wall Street Journal. A BBC online, que promove a impostura do aquecimento global, também já publicou.

O blogue mais alarmista que se conhece Real Climate confirma a notícia e corrige o sítio do ataque dos "piratas informáticos". O físico checo Lubos Motl desenvolve a notícia no seu famoso blogue The Reference Frame indicando a possibilidade da leitura de mais de 4500 mensagens trocadas entre os big warmers.

Os nossos leitores podem tomar conhecimento de inúmeros exemplos da infame troca de correspondência entre os hipócritas e mentirosos cientistas do global warming, agora definitivamente desacreditados, acedendo, por exemplo, a esta página da Examiner online.

Conforme se pode ler, é curiosa a forma como reagiu Michael Mann, o mais conhecido responsável pela fraude do hockey stick, também ele apanhado neste escândalo : "I'm not going to comment on the content of illegally obtained e-mails." Onde é que nós temos ouvido argumentos deste género...?

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Aventuras com as energias renováveis

Texto de Luís de Sousa, aluno de doutoramento do IST, publicado originalmente em inglês no fórum European Tribune.

Recessão. Taxas de juro coladas ao chão. Desemprego opressivo. Que melhor altura para investir em bens tangíveis? Foi esta lógica que me levou a considerar investir em painéis solares fotovoltaicos. Meses atrás comecei a estudar o assunto por forma a tornar-me microprodutor.

Coincidência ou não, encontrei pouco depois um familiar que havia regressado de uma comissão de trabalho em Angola e criara cá uma companhia que instala sistemas de microgeração solar. Embarquei então numa interessante aventura que está longe de terminar.

Portugal é um belo lugar, na ponta mais ocidental da Europa, com uma longa costa atlântica, uma orografia rica e um clima clemente. Mais sol só mesmo no deserto. Ainda assim, este estado importa 85% da energia que consome, com os combustíveis fósseis importados a 100%. Um défice externo na ordem dos 10% do PIB deve-se em grande parte a esta pesada factura energética.

Após sucessivas tentativas falhadas (por razões diversas) para basear a geração eléctrica nacional, primeiro no Nuclear, depois no Carvão e mais recentemente no Gás Natural, os governos começaram a virar atenções para as energias renováveis internas no final da década de 1990. Vários programas têm sido levados a cabo, providenciando tarifas especiais para projectos licenciados a grandes investidores (especialmente energia Eólica e Minihídrica, com algumas tentativas no Fotovoltaico de larga escala).

Em 2006 a rede eléctrica nacional foi aberta aos pequenos investidores, que até esse ponto tiveram que tratar eles próprios de armazenar e balancear a energia que produziam. Hoje existe legislação que determina uma série de regras para a ligação de sistemas de microgeração à rede eléctrica, incluindo:

  • para se ligar um sistema fotovoltaico à rede é obrigatória a instalação de um sistema térmico de aquecimento de águas;

  • cada sistema microgerador só pode alimentar à rede um máximo de 3.68 quilowatts a qualquer momento;

  • cada quilowatt-hora alimentado à rede é pago a 0.61 € durante os primeiros 6 anos de operação, a 0.30 € do sétimo ao décimo-segundo ano de operação e a preço médio de custo daí em diante;

  • as licenças de ligação à rede são emitidas em pacotes de 1000 unidades, totalizando 3.68 megawatts de capacidade instalada adicional; o período de emissão de licenças é aberto de forma ad hoc e fecha assim que as 1000 licenças estiverem atribuídas.

Os 60 cêntimos por quilowatt-hora representam cerca de 4 vezes o actual custo médio de geração – 15 cêntimos. Os utilizadores estão no entanto a pagar apenas 12.6 cêntimos, sendo a diferença deixada de presente às gerações futuras.

O pacote que o meu familiar projectou para o meu caso é composto por 18 painéis de 220 watts de potência cada, um painel térmico de aquecimento de água com um depósito de 200 litros, o inversor de corrente (que também dissipa a potência acima dos 3.68 watts) e a instalação. A instalação inclui a ligação das tubagens de água quente ao sistema da casa. Tudo isto soma a cerca de 20 000 € mais IVA, que para este tipo de investimentos se cifra em 12%.

Os painéis fotovoltaicos a instalar são produzidos na fábrica de Moura [o seu sítio web parece estar “em construção”]. Esta fábrica estará hoje a produzir o estado da arte das células fotovoltaicas, fornecendo fabricantes de painéis de qualidade superior na Alemanha e no Japão.

O telhado tem duas águas, uma a Nascente e outra a Poente, o que não é exactamente a melhor das configurações. Mas sendo o mais alto num raio de várias centenas de metros, e a esta latitude, permite ainda assim um investimento rentável. A água a Nascente tem sol até às 4 horas da tarde durante metade do ano; a água a Poente, onde serão montados a maioria dos painéis, deverá permitir a geração à potência máxima a partir das 11 horas da manhã. A factura eléctrica varia de 110 quilowatts-hora no Verão a 150 quilowatts-hora no Inverno. O sistema deverá gerar entre oito (Verão) e duas vezes (Inverno) esses valores.

As perspectivas neste momento são para que o sistema se paga a si próprio nos primeiros 5 anos de operação. Considerando o ambiente económico presente, estas expectativas são muito interessantes, e com a dependência que Portugal tem das importações, os 15 cêntimos por quilowatt-hora irão certamente subir, transformando este bem num importante gerador de receita.

Antes de continuar gostaria de deixar algumas notas em relação às regras do jogo. Em primeiro lugar, pagar IVA sobre um produto nacional que permitirá equilibrar a economia deste estado é no mínimo algo de estranho. Depois, a limitação da potência a alimentar à rede não tem grande lógica; a potência instalada para maximizar o investimento passará em muitos casos os 3.68 quilowatts, o que resulta num excesso de energia dissipada durante as horas de pico, em especial durante o Verão.

O limite de 1000 licenças também não parece muito em contacto com a realidade, dado que 3.68 megawatts é apenas um pouco mais que a potência de uma única turbina eólica industrial. Existem certamente questões de balanceamento de carga a considerar, mas a energia solar é relativamente fácil de prever, mesmo no longo prazo (especialmente em Portugal onde o Verão resulta em dias a fio sem nuvens). Um sistema mais sensato poderia conseguir resultados semelhantes, por exemplo limitando a capacidade instalada por habitação ou simplesmente reduzindo a tarifa especial.

Com o projecto consolidado no papel passou-se então ao processo de licenciamento. Este é constituído pelos seguintes passos:

  • pré-registar on-line os dados técnicos;

  • submeter candidatura durante o período de licenciamento;

  • instalar a infra-estrutura nos 120 dias seguintes à aprovção da candidatura;

  • submeter o sistema a uma inspecção por parte de uma entidade licenciada para o efeito.

O licenciamento é efectuado por via electrónica no sítio com o nome irónico RenovaveisNaHora.pt. Algures em Outubro um novo período de licenciamento foi anunciado para começar dia 2 de Novembro ás 10 horas. O pré-registo foi efectuado e a partir daí foi ficar à espera. O meu familiar avisou-me que existiam cerca de 5000 pré-registos e que poderiam existir problemas a submeter a candidatura, mas na altura pensei que tudo haveria de correr sem complicações.

Na manhã do dia 2 de Novembro tentei aceder ao sítio electrónico, por volta das nove e meia. Nada. O outro lado estava morto. Tentei usar o comando ping, seguir a ligação com um comando trace, mas silêncio foi tudo o que obtive. Trabalho presentemente com uma ligação de banda-larga 3G, que entre outras coisas, me permitiu descarregar uma imagem do Ubuntu numa questão de minutos. Após uma hora a tentar continuamente desisti.

Tentei várias vezes durante esse dia, mas sempre sem sucesso. Na manhã do dia 3 consegui finalmente entrar no sítio. Para meu total espanto o anúncio seguinte estava afixado:

O período de licenciamento aberto dia 2 de Novembro às 10:00 fechou às 11:04, após o número máximo de licenças ter sido atribuído.

Há algo de terrivelmente errado nesta pintura. Toda a informação que tenho aponta para o facto de o servidor ter estado desligado durante esse período, ou pelo menos num estado de negação de serviço [do inglês Denial of Service - DoS]. Sendo assim, como é possível terem sido atribuídas cerca de 1000 licenças? Mais tarde conferenciei com o meu familiar (que para além do meu projecto não conseguiu submeter outras 4 candidaturas) indicando-lhe que muito dificilmente essas candidaturas não teriam sido registadas on-line.

Dias mais tarde, após alguns inquéritos junto das fontes normalmente bem informadas, começámos a ter uma ideia mais clara da situação. Diz-se que metade das licenças foram atribuídas a dois dos maiores bancos do país e que mais algumas centenas foram parar às mãos de grandes investidores institucionais. Há histórias de horror a circular sobre call-centers inteiros mobilizados para gerar tráfego, bloqueando o acesso ao homem comum.

Não sei simplesmente o que fazer. Por um lado não estou disposto a entrar em qualquer esquema ilícito que possa existir para obter uma licença, por outro, a janela para fazer este investimento não estará aberta para sempre, com previsões de subida das taxas de juros já para a próxima Primavera.

Este é sem dúvida um belo sítio para se viver.

How They Are Turning Off the Lights in America

Pela sua importância, damos aqui a conhecer aos leitores do MC, na versão original, um texto de Edwin Berry, publicado no blog “Watts Up With That” de Anthony Watts.

Eis o texto, deixando aos nossos leitores a devida meditação:

On October 31, 2009, the once largest aluminum plant in the world shut down. With it goes another American industry and more American jobs. The Columbia Falls Aluminum Company in Montana will shut down its aluminum production because it cannot purchase the necessary electrical power to continue its operations.

How did this happen in America? America was once the envy of the world in its industrial capability. America’s industrial capacity built America into the most productive nation the world had ever known. Its standard of living rose to levels never before accomplished. Its currency became valuable and powerful, allowing Americans to purchase imported goods at relatively cheap prices.


America grew because of innovation and hard work by the pioneers of the industrial revolution, and because America has vast natural resources. A great economy, as America once was, is founded on the ability to produce electrical energy at low cost. This ability has been extinguished. Why?

Columbia Falls Aluminum negotiated a contract with Bonneville Power Administration in 2006 for Bonneville to supply electrical power until September 30, 2011. But, responding to lawsuits, the 9th US Circuit Court ruled the contract was invalid because it was incompatible with the Northwest Power Act. Therefore, the combination of the Northwest Power Act and a US Circuit Court were the final villains that caused the shutdown of Columbia Falls Aluminum.

But the real reasons are much more complicated. Why was it not possible for Columbia Falls Aluminum to find sources of electricity other than Bonneville?

We need to look no further than the many environmental groups like the Sierra Club and to America’s elected officials who turned their backs on American citizens and in essence themselves, for they too are citizens of this country. These officials bought into the green agenda promoted by the heavily funded environmental groups. Caving to pressure, they passed laws and the environmental groups filed lawsuits that began turning off the lights in America. The dominos stated to fall.

They began stopping nuclear power plants in the 1970’s. They locked up much of our coal and oil resources with land laws. They passed tax credits, which forces taxpayers foot the bill for billionaire investors to save taxes by investing in less productive wind and solar energy projects.
In 1988, the Environmental Protection Agency called a meeting of atmospheric scientists and others with environmental interests. I remember well the meeting I attended in the San Francisco Bay Area. The meeting was in a theater-like lecture room with the seating curved to face the center stage and rising rapidly toward the back of the room. Attending were many atmospheric scientists whom I knew from Lawrence Livermore Laboratory, Stanford Research Institute and some local colleges.


The room became silent when a man walked up to the lectern. He told us that the next big national problem was global warming. He explained how human carbon dioxide emissions were trapping the earth’s radiation like a greenhouse and causing the atmosphere to heat beyond its normal temperature. He said this will lead to environmental disasters. He finished by saying the EPA will now concentrate its research funding toward quantifying the disasters that would be caused by our carbon dioxide.

The room was silent. I was the first to raise my hand to ask a question, “How can you defend your global warming hypothesis when you have omitted the effects of clouds which affect heat balance far more than carbon dioxide, and when your hypothesis contradicts the paper by Lee in the Journal of Applied Meteorology in 1972 that shows the atmosphere does not behave like a greenhouse?”

He answered me by saying, “You do not know what you are talking about. I know more about how the atmosphere works than you do.”

Not being one to drop out of a fight, I responded, “I know many of the atmospheric scientists in this room, and many others who are not present but I do not know you. What is your background and what makes you know so much more than me?”

He answered, “I know more than you because I am a lawyer and I work for the EPA.”
After the meeting, many of my atmospheric science friends who worked for public agencies thanked me for what I said, saying they would have liked to say the same thing but they feared for their jobs.


And that, my dear readers, is my recollection of that great day when a lawyer, acting as a scientist, working for the federal government, announced global warming.

Fast forward to today. The federal government is spending 1000 times more money to promote the global-warming charade than is available to those scientists who are arguing against it. Never before in history has it taken a massive publicity campaign to convince the public of a scientific truth. The only reason half the public thinks global warming may be true is the massive amount of money put into global-warming propaganda.

The green eco-groups have their umbilical cords in the government’s tax funds. Aside from a few honest but duped scientists living on government money, the majority of the alarms about global warming – now called “climate change” because it’s no longer warming – come from those who have no professional training in atmospheric science. They are the environmentalists, the ecologists, the lawyers and the politicians. They are not the reliable atmospheric scientists whom I know.

Nevertheless, our politicians have passed laws stating that carbon dioxide is bad. See California’s AB32 which is based upon science fiction. (For readers who take issue with me, I will be happy to destroy your arguments in another place. In this paper, we focus on the damage to America that is being caused by those promoting the global-warming fraud.)

In the year 2000, America planned 150 new coal-electric power plants. These power plants would have been “clean” by real standards but the Greens managed to have carbon dioxide defined legally as “dirty” and this new definition makes all emitters of carbon dioxide, including you, a threat to the planet. Therefore, using legal illogic, the Sierra Club stopped 82 of these planned power plants under Bush II and they expect it will be a slam-dunk to stop the rest under Obama.

And now you know the real reason the Columbia Falls Aluminum Company had to shut down. America stopped building new power plants a long time ago. There is now no other source where the company can buy energy. Our energy-producing capability is in a decline and it is taking America with it.

I used to belong to the Sierra Club in the 1960’s. It used to be a nice hiking club. In the late 1960’s the Sierra Club began turning its attention toward stopping nuclear power. Then I quit the Sierra Club. It continues to prosper from the many subscribers who think they are supporting a good cause. What they are really supporting is the destruction of America brick by brick. The Sierra Club and similar organizations are like watermelons – green on the outside, red on the inside. They are telling us we have no right to our own natural resources, and in doing so they are sinking America.

Inherent in ecology are three assumptions: “natural” conditions are optimal, climate is fragile, and human influences are bad. Physics makes no such assumptions. By assuming climate is fragile, the global warming supporters have assumed their conclusion. In fact, the climate is not fragile. It is stable. The non-adherence to physical logic in the global-warming camp is what makes many physical scientists say that global warming is a religion.

So we have a new age religion promoted by environmentalists, incorporated into our laws and brainwashed into our people that is now destroying America from the inside.

Like a vast ship, America is taking a long time to sink but each day it sinks a little further. The fearsome day awaits, when America, if not quickly recovered by its real citizens, will tilt its nose into the water to begin a rapid and final descent into oblivion … her many resources saved for whom?

Edwin X Berry, PhD is an atmospheric physicist and certified consulting meteorologist with Climate Physics, LLC in Montana.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Conselho de ministros debaixo de água

Recentemente, o governo das Maldivas realizou um show off ao reunir-se debaixo de água. Pretendia deste modo “chamar a atenção para o desaparecimento do país pela subida das águas dos mares devida ao global warming”.

Evidentemente, jornais como o Público mostraram a fotografia logo na primeira página. O que é preciso é dramatizar alarmando a opinião pública sem possível contestação. O Público tem um vasto conjunto de jornalistas que promove notícias disparatadas.

Publica notícias sobre as hipotéticas maldades do dióxido de carbono mas nunca encontra espaço para dizer a verdade: há mais do que uma década que o índice da temperatura média global não sobe.

Mas não é apenas aquele jornal que se apresenta recheado de notícias do género. Também o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e o semanário Sol andam à compita a ver quem fomenta mais profecias sobre o clima para daqui a um século. O sapateiro de Trancoso se fosse vivo ficaria boquiaberto com tanta concorrência.

MC já mais do que uma vez comentou esta enorme mentira do global warming. Ainda há pouco tempo, na sequência do tema da subida do nível dos mares foi publicada a nota Nils-Axel Mörner e o nível dos mares.

Pois o Prof. Mörner reagiu a esta fantasia escrevendo uma carta-aberta dirigida ao presidente maldiviano Mohamed Nasheed. A carta-aberta tem a curiosidade de referir um documento dos Estudos do Quaternário (*).

Resumidamente, Mörner salienta os seguintes pontos:

(1) In the last 2000 years, sea level has oscillated with 5 peaks reaching 0.6 to 1.2 m above the present sea level.

(2) From 1790 to 1970 sea level was about 20 cm higher than today.

(3) In the 1970s, sea level fell by about 20 cm to its present level.

(4) Sea level has remained stable for the last 30 years, implying that there are no traces of any alarming on-going sea level rise.

(5) Therefore, we are able to free the Maldives (and the rest of low-lying coasts and island around the globe) from the condemnation of becoming flooded in the near future.


Por aqui se vê como a encenação do governo das Maldivas foi considerada uma acção incorrecta pelo Prof. Nils-Axel Mörner. O professor sueco considerou mesmo uma manobra digna de Al Gore que é um mestre em tais fantasias.

Mas a falta de decoro é tanta que, na propaganda para o jamboree de Copenhaga, aliada à organização da COP15 da ONU – 15ª Conferência das Partes, a realizar em Copenhaga em Dezembro próximo – foi apresentada esta gigantesca farsa num vídeo do YouTube (entretanto substituído por outros mais recentes).
____________

(*) O Prof. Nils-Axel Mörner pertence à Comissão Científica da Associação Portuguesa para o Estudo do Quaternário (APEQ).

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Entrevista do Prof. Delgado Domingos à TSF

No programa “Mais Cedo ou Mais Tarde”, da TSF, do mês de Maio p.p. o Prof. JJ Delgado Domingos deu uma entrevista que o MC regista e gostaria de partilhar com os seus leitores.

Separando as águas, distinguindo a poluição e o clima e reiterando a ideia de que tanto deve ser combatida a poluição como o embuste climático dos alarmistas, o Prof. Delgado Domingos revela bem a sua lucidez quando alerta para o perigo de o badalado combate às alterações climáticas desviar as atenções relativamente aos problemas reais que as sociedades enfrentam.

A insistência na redução das emissões de dióxido de carbono constitui uma ilusão, pois por si só não elimina nenhum dos factos que têm vindo a ser atribuídos, se bem que erradamente, a essas emissões.

Por exemplo, reduzir as emissões de CO2 faz até esquecer um importantíssimo conjunto de factores de alteração climática como sejam, por exemplo, as alterações provocadas pelo uso dos solos.

Devido às suas responsabilidades como gestor do ambiente na cidade de Lisboa, o Prof. Delgado Domingos tem a noção exacta sobre o ataque dos problemas que afectam a cidade e não se dispersa em medidas demagógicas.

Nas cidades sim, os decisores políticos têm culpas nas situações que afligem os cidadãos como seja a qualidade do ar que respiram. E a melhoria da qualidade do ar passa por medidas que o professor se preocupa em implementar desmistificando o “aquecimento global”.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

France 2 fala a verdade aos franceses

Às 20 horas de 10 de Novembro p.p. o 2º canal da TV oficial francesa emitiu uma pequena peça anunciando a verdade aos franceses: “A temperatura esteve estável nesta última dezena de anos” (ver vídeo abaixo).

Isto é, a France 2 falou a verdade aos franceses dizendo que é falsa a ideia da relação entre o crescimento da concentração atmosférica dos gases com efeito de estufa, especialmente do dióxido de carbono – que continua a aumentar – e o crescimento do índice temperatura média global - que afinal tem estado estabilizado, segundo a TV francesa.

Nesta peça, o 2º canal emitiu as opiniões que recolheu de um cientista como o Prof. Vincent Courtillot, conhecido do MC, e de um dogmático, Jean Jouzel, conhecido dos franceses.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Um alerta pertinente

O Eng. Delgado Domingos, Prof. Catedrático do Instituto Superior Técnico, tem dedicado muito do seu tempo e atenção ao problema das alterações climáticas.

No dia 22 de Outubro de 2009, nas Jornadas do Ambiente um evento subordinado ao tema “Alterações Climáticas : Realidade Virtual e Factos Inconvenientes”, o Prof. Delgado Domingos terminou a sua intervenção com as seguintes palavras :

A fixação pública na ideia de que as alterações climáticas são fundamentalmente devidas às emissões CO2 e GEE [Gases com Efeito de Estufa], leva à convicção de que sem tais emissões não haverá desastres climáticos tais como cheias, secas, ondas de calor, furacões, subida das águas do mar etc, quando a evidência científica é a de que tais variações naturais do clima sempre existiram e continuarão a existir, e que as suas consequências serão tanto mais graves quanto mais urbanizarmos em leitos de cheia, mais impedirmos a infiltração da água no solo, mais construirmos sobre dunas e arribas, etc.

Trata-se de um alerta pertinente e, sobretudo, muito oportuno, tendo em conta a já próxima Conferência de Copenhaga sobre o Clima.

Tanto quanto se vai percebendo, esta conferência não tem outro objectivo senão tentar justificar o lançamento de novos impostos sobre a energia consumida nos países desenvolvidos, sob o pretexto insólito de reunir fundos para ajudar os países subdesenvolvidos a ultrapassar as dificuldades que supostamente lhes serão causadas pelo aquecimento global.

Não é difícil imaginar a ansiedade dos responsáveis desses países, que habitualmente se distinguem pela seriedade na aplicação de fundos públicos, à espera de verbas colossais para lhes dar o devido encaminhamento climático...

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Impostura científica na Gulbenkian

Nos dias 27 e 28 de Outubro p.p. realizou-se na Fundação Gulbenkian uma conferência relativa ao tema : «O Ambiente na Encruzilhada. Por um futuro sustentável».

Não obstante o prestígio da instituição, lamentamos ter de dizer que a Gulbenkian patrocinou uma sessão de autêntica impostura científica.

Na verdade, tratou-se de uma conferência pretensamente científica sobre o clima, com a singular particularidade de nenhum dos oradores convidados ser climatologista. Sob o pretexto de reafirmar a teoria de que existe uma crise climática mundial, o objectivo dissimulado da conferência não era mais do que levar a assistência a convencer-se da necessidade de uma “governança para a sustentabilidade”.

De facto, como já foi alertado por múltiplos observadores a nível internacional, a propósito da próxima cimeira de Copenhaga, os alarmistas do global warming pretendem a constituição de uma espécie governo de âmbito mundial, subordinado à sua ideologia e vocacionado para gerir os fundos colossais que seriam recolhidos – esperemos que não – pela aplicação de mais impostos sobre a energia.

Em 1992, no Rio de Janeiro, inventaram o conceito de sustentabilidade. Agora pretendem um governo mundial para pôr em prática e orquestrar esse conceito.

O comissário desta Conferência foi Viriato Soromenho Marques, coordenador científico do “Programa Gulbenkian Ambiente”. Soromenho Marques, um filósofo, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e antigo presidente da Quercus, alimenta a convicção de que o Mundo vive em crise por todo o lado, seja do ambiente, seja do clima e, apesar de não ter a mínima preparação científica para avaliar o estado do planeta do ponto de vista climático, não se coíbe de participar na manutenção de uma das maiores crises observadas na Ciência.

A intervenção inaugural da conferência esteve a cargo de Sir David King, da Smith School for Enterprise and the Environment, de Oxford, um cientista laureado, cuja formação de base é a Química e que ficou conhecido por ser o consultor científico dos governos de Tony Blair e Gordon Brown, tornando-se o principal alarmista do poder no Reino Unido.

De certa forma, poderíamos dizer que David King está para o Reino Unido como Filipe Duarte Santos, professor de Física da Universidade de Lisboa, está para Portugal. Nenhum deles domina a climatologia, mas qualquer deles se faz passar por “especialista das alterações climáticas”, dedicando grande parte do seu tempo em declarações aos media, em recepções oficiais, em que são condecorados, e na recolha de financiamentos para hipotéticos estudos sobre alterações climáticas.

Sem avançarem qualquer argumento de carácter científico para as suas arengas, tanto um como outro debitam a ladainha do global warming, incorrendo nas conhecidas diatribes em que acusam os cépticos de estar ao serviço das empresas petrolíferas.

Foi assim com Duarte Santos num artigo publicado na Gazeta de Física e em várias aparições nas estações de televisão. Foi agora com David King na entrevista esotérica dada ao semanário Expresso (ver entrevista publicada na edição do Expresso de 31 de Outubro de 2009, 1.º Caderno, página 31).

Ironicamente, quer um quer outro se enredam numa manifesta contradição ao aceitarem colaborar com a Fundação Gulbenkian uma organização que, como se sabe, vive de fundos originários do petróleo. Os estudos de âmbito astrológico de FDS, como o projecto SIAM, foram financiados pela Fundação Gulbenkian.

Resta-nos esperar que nem esta, nem outras conferências do mesmo teor, sobretudo a cimeira de Copenhaga, consigam levar avante os seus propósitos. Acreditamos que, mais tarde ou mais cedo, os esforços para desmascarar a fraude do global warming terão os seus efeitos junto da opinião pública mundial. Felizmente, já há muitos indícios nesse sentido.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Ursos

Dado o interesse do artigo – a seguir transcrito na íntegra – no panorama de uma comunicação social geralmente anémica relativamente a esta matéria, justifica-se a sua publicação integral no MC. O blogue Ecotretas já se referiu também a ele.

Artigo de Fernando Gabriel,
Diário Económico de 04/11/2009

Ao longo das próximas semanas é possível que o número de ursos nos telejornais seja francamente superior à média. Serão provavelmente ursos polares, acompanhados por uma colecção de ameaças apocalípticas: extinção de espécies, desaparecimento de neve nos glaciares e nos cumes das montanhas, secas, inundações. Tudo, claro, a acontecer a um ritmo "muito mais rápido do que se supunha" e tudo por causa do aquecimento global.

Aproxima-se a cimeira de Copenhaga e o derradeiro esforço de propaganda do gigantesco ‘lobby' ambientalista está em marcha. O objectivo é forçar os governantes ocidentais a comprometerem-se com um conjunto de medidas cujos efeitos previsíveis são uma catástrofe económica auto-infligida sem precedente histórico.

Para cooperarem com a demência ambientalista, países como a China e a Índia exigem cerca de 300 mil milhões de dólares por ano, um montante equivalente a 1% do PIB das economias mais desenvolvidas. Em cima deste suborno de proporções épicas ainda há que pagar o "preço" da cooperação africana – 267 mil milhões de dólares por ano – e das economias sul-americanas – mais umas modestas centenas de milhares de milhões.

Um estudo do instituto Open Society calculou que as políticas ambientais da UE implicariam um custo total anual de 102 mil milhões de dólares até 2020. O custo do programa americano de direitos de emissão de poluição em apreciação no Senado equivale a um imposto anual mínimo de 1600 dólares por família americana e mesmo que obtivesse a redução prevista nas emissões americanas de CO2 teria um impacte nas emissões globais inferior a 4% e portanto um efeito negligenciável.

Imperturbáveis pelo abismo económico à frente dos pés, os puritanos ecológicos seguem firmes na convicção de que o martírio é o caminho para a salvação – a reconversão "sustentável" da economia ocidental, que trará consigo mel, morangos e milhões de novos empregos.

Obama já prometeu 5 milhões de empregos "verdes", mas em matéria de delírio ambientalista, Zapatero há muito que saiu disparado das ‘boxes' e o exemplo espanhol é elucidativo: desde 2000, cada emprego subsidiado nos sectores ditos ambientais implicou a perda de 2,2 empregos nos restantes sectores da economia.

O novo livro de Christopher Booker, The Real Global Warming Disaster (Londres, 2009) faz a crónica da longa caminhada que trouxe o ocidente até este ponto de suicídio económico. É uma história de receios apocalípticos, com origem no Clube de Roma, onde a ideia de utilização do "ambientalismo" como um instrumento para a criação de um governo mundial começou a ganhar forma.

É uma história de abastardamento e politização da ciência através de um sistema de incentivos financeiros tragicamente errado; de manipulações, mentiras, e silenciamentos em nome de um "consenso" falso e falsificado, que é e será mantido porque gerou uma enorme massa crítica de interesses financeiros, intelectuais e políticos que dele dependem. A imposição desta teleologia milenarista não é só indesejável: é imoral e necessita de ser contrariada por todos os meios.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Extensão do mar gelado do Árctico. Actualização

C. Bruce Richardson Jr., Houston, Texas, distingue-se pelo traçado de curvas de evolução de parâmetros meto-climáticos com grande detalhe e beleza. O caso deste post relaciona-se com a extensão do mar gelado actualizado para o dia 1 de Novembro de 2009.

Na Fig. 194 apresenta-se a evolução equivalente à da Fig. 191. Quanto à Fig. 195, analisa-se a evolução quase-sinusoidal desde 1 de Janeiro de 2003. Pode-se verificar que o mínimo de 2009 se situou quase ao mesmo nível de 2005.

Outro caso interessante é o do máximo de 2008. Este máximo, que se seguiu ao mínimo minimorum de 2007, ficou ao nível do máximo de 2004.

Na realidade, a evolução quase-sinusoidal apresenta-se com uma certa regularidade. Exclui-se, desta regularidade, o caso do mínimo de 2007. Este valor serviu de especulação aos alarmistas que estão longe de entender a dinâmica do Árctico.

Seguindo o raciocínio elementar dos alarmistas ao utilizarem a regra de três simples para imaginar o desaparecimento do gelo árctico dentro de (x) anos, concluiríamos que a evolução dos mínimos de 2007, 2008 e 2009 aponta para um valor cada vez mais optimista…

Fig. 195 - Evolução quase-sinusoidal do Árctico. 1 de Janeiro de 2003-1 de novembro de 2009. Fonte: Bruce Richardson.

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Fig. 194 - Extensão do mar gelado do Árctico. 2003-2009. Fonte: Bruce Richardson.

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Terça-feira, Novembro 03, 2009

O Programa de Governo e a opção nuclear

Por Jorge Pacheco de Oliveira

O Programa de Governo para o período 2009/2013, na parte respeitante à Energia, é altamente criticável. Contem tantas passagens absurdas e mesmo risíveis que justificaria um texto demasiado longo para ser aqui desenvolvido.

Para além da insistência, imbuída de um já entediante provincianismo, na ideia de Portugal vir a “liderar” (o Mundo, a Europa?) numa hipotética revolução energética, o Programa de Governo contem uma passagem curiosa que vale a pena salientar:

Assegurar a duplicação da capacidade de produção de energia eléctrica no horizonte de 2020 (…)

Duplicar o que quer que seja num prazo de 10 anos pressupõe um incremento a uma taxa média anual de cerca de 7%. Vamos aumentar o nosso consumo a esta taxa? Devem estar a brincar connosco. Desde 2006 que a taxa de aumento de consumo se tem vindo a atenuar e nos dois últimos anos até foi negativa, o que significa que o consumo está a diminuir em relação a anos anteriores.

(…) eliminando importações (actualmente cerca de 20% do consumo), desactivando as centrais mais poluentes e acomodando o aumento de procura.

Desactivar centrais está previsto no respectivo contrato de exploração. Não é preciso explicitar num Programa de Governo, a menos que se pretenda antecipar o desmantelamento das centrais. Para as substituir por que tecnologia?

Quantas torres eólicas são necessárias para substituir, por exemplo, a central de Sines? Mas atenção : de forma a produzir a mesma quantidade de energia com a mesma regularidade! Até hoje, nem um único promotor de eólicas se atreveu a dar resposta a esta questão. Porque não pode. E vem o Programa de Governo com uma fantasia deste calibre…

Mas que se queira eliminar a importação de energia eléctrica é já uma novidade de monta! Então e o MIBEL e as transacções transfronteiriças? O reforço das interligações, que toda a gente anda a pedir, em particular os espanhóis, servirá apenas para exportarmos energia eléctrica para Espanha? Mas que energia?

Ora bem. Duplicar a capacidade de produção em dez anos e eliminar as importações de energia eléctrica não é tarefa para energias renováveis. O que se pode depreender disto tudo é que o Governo, sem nunca o mencionar, tenciona pôr em cima da mesa a opção nuclear. Só pode ser…

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Bariloche amanheceu coberta de neve em plena Primavera

Na sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, Bariloche, Argentina, amanheceu coberta de neve. O que espanta é que já terminou o Inverno argentino quando os anticiclones móveis polares austrais fustigaram a América do Sul.

Pois em plena Primavera, os AMP austrais continuam incansáveis, dando razão ao entendimento de que o Antárctico está mais frio, como se analisou anteriormente. A temperatura atingiu os – 0,6 ºC durante a manhã, em Bariloche.

Prevê-se que a situação possa prosseguir até ao início do Verão, na primeira quinzena de Dezembro. No centro da cidade a neve atingiu a altura de 5 cm. Nos arredores a altura de neve depositada foi superior.

Esta notícia vem desenvolvida no jornal La Nacion. Foi o leitor brasileiro Leonardo Martins, aluno da Universidade de Campinas, Brasil, que chamou a atenção para o fenómeno.

Leonardo Martins aproveitou para dizer que as noites na região de São Paulo continuam frias apesar da época do ano. O que aliás acontece desde Maio. Daí que continue a dormir agasalhado mesmo com a aproximação do Verão.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Dito e feito: a temperatura do Antárctico a subir, dizem eles…

Ainda muito recentemente, no post Recorde do Antárctico em 2009 escreveu-se:

«A maior parte do Antárctico está a arrefecer. Apenas a Península não está porque recebe o ar quente e húmido importado pelo Antárctico em troca do ar frio exportado pela região central.

Pois é precisamente para a Península do Antárctico que se dirigem os “turistas do global warming” (como o jornalista José Rodrigues dos Santos que escreveu o livro sensacionalista “O Sétimo Selo”) para anunciarem depois ao Mundo que o Antárctico (todo ele!) está a aquecer, “com consequências irreversíveis, mais depressa do que o previsto”…

Eles que não se limitem a passear na Península! Vão até à parte central do continente, mas bem agasalhados (89 graus Celsius, negativos, em 21 de Julho de 1983!).
»

Entretanto, MC tomou conhecimento pelo jornal Público (edição impressa do dia 28 de Outubro de 2009, pág. 13, e online) da notícia “Temperaturas do solo sempre congelado na Antárctida estão a subir durante o Verão”.

Nesta notícia, redigida pela jornalista Teresa Firmino, fica-se a saber que uma equipa de investigação do Centro de Estudos Geográficos (CEG) da Universidade de Lisboa tem estado nas ilhas de Linvingston e Deception que fazem parte do arquipélago das South Shetland Islands (ver Fig. 193).

A notícia do Público fala na região da Península do Antárctico, mas as ilhas investigadas afastam-se um pouco da Península propriamente dita. Ficam na trajectória de retorno do ar quente e húmido que chega ao Pólo Sul em troca do ar frio que sai do centro do Antárctico.

Como tal, é uma zona atípica quanto à evolução fundamental das temperaturas do Antárctico e da dinâmica deste continente que é fundamental na dinâmica do tempo e do clima do Hemisfério Sul.

A jornalista fala numa sessão de divulgação promovida pelo coordenador do Grupo de Investigação em Ambientes Antárcticos e Alterações Climáticas do CEG, Gonçalo Vieira.

É evidente que nesta zona investigada não se pode concluir que “Com esses dados, os modelos climáticos, utilizados pelos cientistas para fazer projecções sobre a evolução do clima da Terra, poderão ser calibrados. Para projectar o clima do futuro é preciso conhecer em pormenor o que se passa actualmente” como escreve a sra. Teresa Firmino.

E muito menos se deve concluir que “Além disto tudo, os resultados apresentados pela equipa portuguesa são mais uma indicação de que, naquela zona da Terra, está a dar-se um aquecimento. Juntam-se assim a um coro de dados, para muitas outras regiões, de que o planeta tem estado a aquecer” como acrescenta a jornalista.

Duvida-se que o investigador Gonçalo Vieira tenha proclamado tais aberrações. Espera-se mesmo que a equipa do CEG tenha a noção de que não está a investigar o Antárctico mas sim uma zona limítrofe, bem afastada do centro, que não permite extrapolações como faz levianamente a jornalista.

Fig. 193: South Shetland Islands. Fonte: Wikipedia.

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Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Energias renováveis, exemplo de Portugal ao mundo…!?

Por Jorge Pacheco de Oliveira

Durante uma tertúlia realizada há alguns dias no Casino da Figueira da Foz, o General Ramalho Eanes mostrou-se favorável à instalação de centrais nucleares em Portugal, opinião que foi posteriormente desenvolvida pelo antigo Presidente da República numa entrevista ao Jornal “i”.

O presente texto não tem por objectivo discutir os méritos ou deméritos da energia nuclear. Foi suscitado por uma opinião manifestada no Semanário Sol, de 23/10/2009, pelo jornalista Ricardo David Lopes, na coluna Quente e Frio, em que Ramalho Eanes, por obra e graça da apologia que fez da energia nuclear, foi colocado no lado do “Frio”.

Obviamente, o jornalista tem direito a ter uma opinião contrária à de Ramalho Eanes e pode colocar no Quente e no Frio quem bem entender. No caso em apreço é notório que o jornalista abomina a energia nuclear, que classifica como uma tecnologia que, a ser introduzida em Portugal, se traduziria por "um grande passo atrás”.

Não vale a pena conjecturar acerca dos conhecimentos técnicos do jornalista para fazer tal afirmação. Qualquer pessoa, ainda que não seja especialista em coisa nenhuma, tem direito a manifestar-se contra o recurso a uma determinada tecnologia ou processo industrial que lhe pareça pôr em risco a sua qualidade de vida. E a energia nuclear, bem ou mal, alimenta os receios de muitas pessoas, sejam ou não especialistas na matéria, que se sentem no direito de reagir contra a perspectiva de instalação de centrais nucleares no país.

No meu entender é pena que assim seja, na medida em que sou favorável à opção nuclear, mas o que, neste caso, justifica a minha reflexão é a parte final do comentário crítico do jornalista, quando diz que “o país está no bom caminho, dando o exemplo ao mundo”.

Qual bom caminho, qual exemplo ao mundo?

Embora não seja explícito, percebe-se facilmente que o jornalista está a contrapor à energia nuclear as energias renováveis, sector em que a propaganda governamental tem procurado difundir a ideia de que Portugal está a dar lições (!) ao mundo.

Esta ideia, além do provincianismo subjacente, não passa de uma fábula. Já aqui tive a oportunidade de denunciar o "milagre" das energias renováveis em Portugal, cujo contributo para a produção de energia eléctrica no nosso país tem sido artificialmente avolumado pelas entidades oficiais.

Ainda se pode compreender que um cidadão médio se deixe levar por uma campanha publicitária em que é estimulado o orgulho popular, invocando uma pretensa lição de Portugal ao mundo. Que um jornalista não desconfie da fartura e não suspeite de que pode estar a ser enganado pela propaganda governamental, já é menos compreensível.

Na verdade, exceptuando o caso da energia hidroeléctrica, em que temos de considerar também o valor intrínseco da água que é armazenada nas albufeiras, as energias renováveis em Portugal não têm beneficiado ninguém, a não ser os respectivos promotores. De facto, estes gozam de uma dupla vantagem : não só a rede eléctrica é obrigada a adquirir-lhes a energia que produzem, como tem de a pagar por valores muito superiores ao que pagaria pela mesma quantidade de energia produzida por centrais termoeléctricas, clássicas ou nucleares.

Os subsídios concedidos aos promotores das energias renováveis, sobretudo a eólica e a fotovoltaica, mais não são do que impostos sobre a energia eléctrica. E, não obstante os custos elevadíssimos destas formas de energia, a sua penetração encontra um conveniente pretexto no cenário alarmista do aquecimento global, uma campanha eficazmente conduzida a nível mundial com o objectivo de predispor os cidadãos a aceitarem o agravamento dos impostos sobre a energia.

A Conferência de Copenhaga, a realizar em Dezembro, não tem outro objectivo, motivo pelo qual está a levantar uma forte onda de contestação nos países em que estes assuntos são discutidos abertamente. Em Portugal não, porque a generalidade da comunicação social não tem coragem para assumir posições politicamente incorrectas.

À medida que a quota das renováveis, com destaque para a eólica, tem vindo a aumentar em Portugal, os subsídios de que beneficiam os respectivos promotores tornaram-se de tal modo elevados que o governo não quis arriscar-se a reflecti-los totalmente na tarifa de electricidade de um ano para o outro, sob pena de provocar algum movimento de contestação.

Assim, a parte do diferencial das renováveis que não é paga de imediato pelo consumidor tem vindo a ser acumulada no chamado “défice tarifário", recorrendo-se depois ao expediente de distribuir o respectivo pagamento em prestações mais suaves ao longo de dez a quinze anos.

As empresas de electricidade, essas, não esperam. Recorrem à banca para receber o diferencial. E a banca avança o pagamento com muito gosto porque se trata de um empréstimo avalizado pelo Estado. Os consumidores, esses, têm de suportar também os juros do empréstimo. Tudo isto constitui um logro. Ou, para ser mais preciso, constitui uma desonestidade com selo oficial.

Diga-se, em abono da verdade, que o défice tarifário não se deve apenas ao diferencial das renováveis, uma vez que há ainda mais quem esteja a viver à custa das tarifas de electricidade, com relevo para as câmaras municipais que, coitadas, fazem um esforço enorme a ver passar as linhas de energia através dos respectivos terrenos. O certo é que este défice revela já um valor próximo de dois mil milhões de euros e constitui uma carga injustificada que ameaça os bolsos dos consumidores portugueses, actuais e descendência. Se é este o exemplo que Portugal está a dar ao mundo, que triste exemplo.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Recorde do Antárctico em 2009

Quase ao mesmo tempo que o mar gelado do Árctico atingia o seu mínimo anual, no dia 13 de Setembro de 2009, o mar gelado do Antárctico atingia o seu máximo. Mas não foi um máximo qualquer.

Desde que existem observações de satélites, isto é, desde 1979, a superfície do mar gelado do Antárctico atingiu este ano o seu valor máximo maximorum.

O máximo de 2009 ultrapassou em mais de um milhão de quilómetros quadrados o máximo do ano anterior. Assinale-se ainda que o actual recorde máximo ficou cerca de um milhão de quilómetros quadrados acima do valor médio dos 30 anos de observações por satélite (ver Fig. 192).

O conjunto dos mares gelados do Árctico e do Antárctico tem-se mantido estável desde 1979, o que é notável num período tão alargado, do ponto de vista humano, evidentemente, como 30 anos. Recorde-se que, por norma, é um período de 30 anos que é considerado estatisticamente para a definição de clima.

A revista científica Geophysical Research Letters publicou recentemente, em 24 de Setembro de 2009, um artigo destacando o mínimo de fusão do gelo do Antárctico durante o Verão austral de 2008-2009: “An updated Antarctic melt record through 2009 and its linkages to high-latitude and tropical climate variability”.

Os seus autores Tedesco M. et A. J. Monaghan afirmaram:

A 30-year minimum Antarctic snowmelt record occurred during austral summer 2008–2009 according to spaceborne microwave observations for 1980–2009. Strong positive phases of both the El-Niño Southern Oscillation (ENSO) and the Southern Hemisphere Annular Mode (SAM) were recorded during the months leading up to and including the 2008–2009 melt season.

Não é de estranhar que os media se tenham remetido ao silêncio quanto a este facto, que veio pôr em causa as previsões alarmistas. Também o fizeram relativamente ao Árctico. Anunciar factos não alarmistas seria dizer verdades inconvenientes para os seus critérios editoriais.

O Árctico e o Antárctico desmentem o global warming. Tanto o Árctico como o Antárctico marcam a dinâmica do tempo e do clima do planeta, desde tempos imemoriais. Não é seguramente o CO2. Nem o natural nem o antropogénico.

A maior parte do Antárctico está a arrefecer. Apenas a Península não está porque recebe o ar quente e húmido importado pelo Antárctico em troca do ar frio exportado pela região central.

Pois é precisamente para a Península do Antárctico que se dirigem os “turistas do global warming” (como o jornalista José Rodrigues dos Santos que escreveu o livro sensacionalista “O Sétimo Selo”) para anunciarem depois ao Mundo que o Antárctico (todo ele!) está a aquecer, “com consequências irreversíveis, mais depressa do que o previsto”…

Eles que não se limitem a passear na Península! Vão até à parte central do continente, mas bem agasalhados (89 graus Celsius, negativos, em 21 de Julho de 1983!).

No Antárctico existem várias estações meteorológicas. As observações do Antárctico existem desde há 150 anos, mas a monitorização mais detalhada iniciou-se apenas nos anos 1950.

Um estudo de Doran et al. (Antarctic climate cooling and terrestrial ecosystem response) publicado em 2002, na revista Nature, afirma que “Although previous reports suggest slight recent continental warming, our spatial analysis of Antarctic meteorological data demonstrates a net cooling on the Antarctic continent between 1966 and 2000, particularly during summer and autumn.

Estes cientistas afirmaram também que: “The McMurdo Dry Valleys have cooled by 0.7 °C per decade between 1986 and 2000, with similar pronounced seasonal trends. Summer cooling is particularly important to Antarctic terrestrial ecosystems that are poised at the interface of ice and water.

Doran et al. acrescentam ainda: “Here we present data from the dry valleys representing evidence of rapid terrestrial ecosystem response to climate cooling in Antarctica, including decreased primary productivity of lakes (6 %–9 % per year) and declining numbers of soil invertebrates (more than 10 % per year). Continental Antarctic cooling, especially the seasonality of cooling, poses challenges to models of climate and ecosystem change.

Não restam dúvidas de que o Antárctico arrefeceu a partir de 1975/76 quando se verificou o shift climático. Acentuaram-se as trocas meridionais de energia Pólos-Trópicos que originaram a subida da designada “temperatura média global”.

Fig. 192 - Recorde do gelo antárctico. 2009. Fonte: NSIDC.

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Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Mínimo do Árctico de 2009

No presente ano de 2009, a área mínima do mar gelado do Árctico verificou-se no dia 13 de Setembro, com um valor de 5 249 844 de quilómetros quadrados, situado entre os mínimos de 2008 e de 2005, mas bem acima do mínimo minimorum de 2007.

Ou seja, em relação ao valor de 2007, no passado dia 13 de Setembro de 2009 a área do mar gelado atingiu cerca de um milhão de quilómetros quadrados a mais. Deste modo, pode dizer-se que o mínimo tem vindo a recuperar.

Além desta situação de melhoria, também já se assinalou que a espessura do gelo tem conhecido uma evolução positiva (ver Como medir a espessura do gelo árctico). O Árctico desmente as mais negras previsões lançadas pelos alarmistas.

O valor mínimo de 2007 corresponde ao valor mais baixo registado desde o início da monitorização do Árctico por meio de satélites (a partir de 1979), o que não quer dizer que anteriormente não tenha sido ainda mais baixo.

A complexa bacia do Árctico faz parte do espaço aerológico definido por: América do Norte e Central-Atlântico Norte-Europa Ocidental. Neste espaço, os Anticiclones Móveis Polares (AMP) têm uma trajectória preferencialmente americana seguida da atlântica.

A correspondente exportação de ar frio promove o retorno de ar quente e húmido em direcção ao Pólo Norte. O retorno principal para o Pólo Norte efectua-se a partir do Golfo do México seguindo pela parte oriental da América em direcção ao Mar da Noruega.

A entrada deste retorno na bacia do Árctico é feita principalmente entre a Gronelândia e a Escandinávia. A presença da Gronelândia, que se ocupa do nascimento de muitos AMP (na elevação da parte norte), é assim um motivo de obstáculo ao retorno directo ao Pólo Norte.

A transferência de energia Pólo-Equador e retorno realiza-se sem interrupção. Não podemos deixar de sublinhar a semelhança entre a circulação aérea e a oceânica superficial. A segunda é em grande parte impulsionada pela primeira.

As correntes marítimas participam nas transferências meridionais de calor numa proporção de 20 % a 25 %. Assim, três quartos das transferências são realizados pela atmosfera. Na atmosfera a velocidade das transferências é bastante mais elevada.

Na Fig. 191 estão traçadas as evoluções do mar gelado do Árctico nos anos de 2002 a 2009. A inclinação das descidas nos Verões (Jun, Jul, Ago, Set) nunca foi a mesma. Esta diferença marca também a diferença meteorológica dos Verões entre 2002 e 2009.

Nos períodos em que a inclinação da curva foi mais pronunciada o Árctico esteve mais frenético, com retornos mais importantes, que aceleraram o recuo do mar gelado. Em 2009 esse facto é notável no mês de Julho (mês pourri).

É preciso não esquecer que os AMP originários do Árctico apresentam as seguintes características:

- Quando o Árctico está relativamente menos frio, os AMP são menos potentes, as suas trajectórias são menos meridionais, as aglutinações anticiclónicas são mais fracas e menos extensas no espaço e no tempo, as depressões atmosféricas da Islândia são menos cavadas, as trocas meridionais são amortecidas;

- Quando o Árctico está mais frio, os AMP são inicialmente mais potentes, as suas trajectórias são mais meridionais, as aglutinações anticiclónicas são mais potentes e mais extensas no espaço e no tempo, as depressões atmosféricas da Islândia são mais cavadas, as trocas meridionais são intensificadas.

Perante este conjunto de conhecimentos, que conclusão se poderá tirar da existência de uma recente aglutinação anticiclónica de Outubro que demorou mais de quinze dias sobre a Península Ibérica: o Árctico está mais frio ou menos frio?

Em complemento, os nossos leitores poderão pensar numa resposta às seguintes questões:

A seca meteorológica que nos preocupa é devida ao Árctico mais frio ou menos frio? O cenário da dinâmica do tempo e do clima que vivemos desde 1975/76 é originado por um Árctico mais frio ou menos frio?

Entretanto, no princípio desta semana, a aglutinação anticiclónica foi rompida por um forte anticiclone móvel polar. Seguiu-se uma descida da temperatura com precipitação razoável, em quase todo o país, e queda de neve na Serra da Estrela.

Mas não foi só na Serra da Estrela que começou a nevar. Embora o Árctico ainda apresente alguma dificuldade no despertar deste Outono – como se vê na Fig. 191 –, por essa Europa fora já neva com alguma intensidade (ver Ecotretas).

Fig. 191 - Evolução do mar gelado do Árctico. 2002-2009. Fonte: IARC-JAXA.

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Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Duas entrevistas com o Prof. Luiz Carlos Molion

Depois dos vídeos fantasiosos da Quercus e da Greenpeace, o MC deseja partilhar com os seus leitores dois momentos de lúcida intervenção científica, proporcionados pelo destacado meteorologista-climatologista brasileiro, o Prof. Luiz Carlos Molion, cuja extraordinária capacidade pedagógica fica bem patente nestes dois testemunhos.

O pensamento do Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion é sobejamente conhecido dos leitores do MC. O blogue já publicou vários posts deste professor brasileiro que realizou conferências e regeu cursos de mestrado de Climatologia em Portugal.

Recordem-se os seguintes textos:

- Entrevista corajosa

- Artigo de Carlos Molion (8 posts)

- Protocolo de Kyoto é inútil

- A química do buraco de ozonio em debate

Agora é a vez do MC publicar dois vídeos que têm originariamente os títulos:

- Conversas cruzadas: Molion e a histeria do aquecimento global

- Entrevista com o meteorologista Luiz Carlos Molion

Acerca de Molion só se pode dizer que se fica encantado a ouvi-lo. E se tivéssemos mais vídeos ficaríamos um dia inteiro. Ele expõe de uma forma muito clara e cativante. Estes dois vídeos constituem uma lição espectacular de meteorologia e climatologia.

Entrevista Molion

Molion e a histeria do aquecimento global

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Suicídios da Quercus. Padre Nosso da Greenpeace

Em tempos, a Quercus levou a RTP2 a emitir, consecutivamente em triplicado, um spot publicitário que mostrava um macaco a enforcar-se, um urso a saltar para um abismo e um canguru a suicidar-se debaixo de um comboio.

Segundo aquela organização, o macaco, o urso e o canguru estariam desesperados com o aquecimento global.

O documentário toca a fronteira do ridículo e revela que a Quercus não hesita em recorrer à técnica do catastrofismo para tentar lançar o pânico entre a população portuguesa e assim promover a falsa tese do aquecimento global.

Não precisava de se dar a tanto trabalho, nem gastar tanto dinheiro em spots como aquele. Em Portugal e de uma forma que tem de se classificar como vergonhosa – com raríssimas excepções –, os órgãos de comunicação social estão enfeudados à tese dominante, a qual promovem de forma acrítica sem darem oportunidade ao contraditório. Ainda por cima, fazem a promoção de uma tese falsa.

Certamente por essa razão, a Quercus, que no domínio da climatologia não passa de uma associação com predominância do analfabetismo, tem uma influência desproporcionada relativamente à sua representatividade na sociedade portuguesa e desfruta da tribuna privilegiada de órgãos de informação do Estado como a RDP e a RTP.

Mas o MC gostaria agora de partilhar com os seus leitores um elucidativo vídeo da Greenpeace, revelador da forma como as teses do global warming se aproximam cada vez mais de uma ideologia religiosa fundamentalista.

Tal como no caso da Quercus, a Greenpeace não olha a meios para atingir o objectivo de suscitar o pânico para promover a tese do aquecimento global.

Neste trabalho, que do ponto de vista da arte publicitária se tem de considerar muito bem feito, um fundo musical cativante enquadra uma letra em que os autores recorrem a uma prece religiosa, o Padre Nosso.

Desconhecemos se as autoridades eclesiásticas, nomeadamente da Igreja Católica, se pronunciaram contra esta atrevida invocação do nome de Deus em vão.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Calor de Outono em Portugal

Dizem mal do Árctico, mas ele continua a fazer das suas. Num futuro post analisaremos o comportamento da região árctica durante o Verão passado. Por agora ocupar-nos-emos com mais uma aglutinação anticiclónica que tem estado a aquecer os habitantes da Península Ibérica.

Os portugueses andam contentes com este calor. Podem assim usufruir de uns dias de praia, a praia que não tiveram no Verão pourri deste ano. Agora os períodos da manhã são bastante agradáveis, mas o calor aperta à medida que avança o dia.

Por esta altura do ano, durante a qual o modo lento vai sendo substituído pelo modo rápido, os anticiclones móveis polares (AMP) da trajectória escandinava ainda não se mostram suficientemente fortes. Por isso, baixam a sua trajectória e passam sucessivamente pela Península Ibérica. (Convém recordar as explicações sobre AMP de Maio de 2005, nomeadamente relativas aos modos rápido e lento.)

Como a Península é rica em acidentes orográficos (Serras de Montejunto-Estrela, Montes Cantábricos, Pirenéus, Serra Nevada) os AMP encontram vários obstáculos à sua progressão e podem aglutinar-se, formando as já nossas conhecidas Aglutinações Anticiclónicas (AA) e assim aumentando a pressão atmosférica junto ao solo.

É isto que está a acontecer desde o fim de Setembro e princípios de Outubro. As imagens dos satélites (ver p.e. MéteoFrance) mostram como a Península Ibérica tem estado debaixo de uma AA extensa no tempo, que a descobre de nuvens, pelo menos desde o início de Outubro.

O Diário de Notícias online publicou o texto “Temperatura acima da média devido a massa de ar quente”. Vá lá, desta vez não falaram no aquecimento global, nem lançaram a responsabilidade para cima do dióxido de carbono... No entanto, continua a percepção clássica, que não corresponde à realidade, quando se escreve:

O calor dos últimos dias em Portugal Continental, provocado por uma massa de ar quente vinda do interior da Península Ibérica, elevou em cerca de sete graus a média das temperaturas no País. Nalguns pontos chegaram mesmo aos 34 graus centígrados.

Acrescenta o DN: “Tudo devido a uma massa de ar quente e seca vinda do interior da Península Ibérica transportada na circulação de um anticiclone a Norte”. Mas que grande confusão! Eis o profundo mistério da alma do vento que vem de Espanha e que, tal como o casamento, não é bom…

Diz o jornalista do DN que foi um meteorologista do Instituto de Meteorologia quem o informou deste milagre. Custa-nos a admitir que tenha sido esta a explicação do especialista do IM.

Pois é, se assim fosse estaríamos perante um milagre da física, em que um vento de leste, quente e leve (menos denso), chega a Portugal, desce (!) até junto ao solo, penetrando numa massa de ar anticiclónico (!), e aí se mantém uma eternidade no mesmo sítio, sem voltar a subir… Fie-se quem quiser.

Este fenómeno já foi suficientemente explanado no MC, por exemplos nos seguintes posts:

- Dinâmica da canícula de 2003

- A culpa é das altas pressões

- Explicações oficiais confusas

Esta mesma situação explica a seca meteorológica. Não entra uma pinga de água, vinda do lado do Atlântico ou do Mediterrâneo, dentro da aglutinação anticiclónica. As estruturas da pluviogenesis são desviadas para algures.

A predominância das altas pressões com subsidência (pressão atmosférica vertical de cima para baixo) não permite o desencadear da precipitação. Deste modo, o chamado potencial precipitável existente em nuvens é desviado, nomeadamente, para latitudes mais elevadas. Nuns casos transforma-se em cheias, noutros em queda de neve.

Os decisores políticos – mal aconselhados pelos alarmistas que pouco ou nada sabem de climatologia – em vez de andarem a preparar a guerra contra as inexistentes alterações climáticas, gastando inutilmente tempo e dinheiro, deveriam desviar a atenção para a prevenção da seca meteorológica que se pode prolongar.

Outro malefício da estabilidade anticiclónica, consequente à aglutinação dos AMP, é a supressão do fluido motor das eólicas: – a componente horizontal do vento tende para zero. A tranquilidade existente no interior da AA conduz à rápida ociosidade global das eólicas. Que forma de energia substituirá a eólica quando esta falha nos momentos em que seria útil? E quem paga a energia de substituição?

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

O que aconteceu ao aquecimento global?

É esta a pergunta feita pelo jornalista Paul Hudson, da BBC News, num artigo do passado dia 9 de Outubro, com o título “What happened to global warming?”. Note-se que a BBC está longe de ser um media que publique com frequência textos ou notícias contrárias à ladaínha do aquecimento global.

“Este cabeçalho pode surpreender”, começa por dizer Paul Hudson, “mas é verdade”. E acrescenta que “Nos últimos 11 anos não se observou qualquer aumento da temperatura global”.

Recorde-se que esta alegação fora já enunciada pelo Prof. Delgado Domingos e pelo autor deste blogue no programa Sociedade Civil. Os alarmistas Francisco Ferreira e Filipe Duarte Santos, que participaram no programa, tentaram contrariar a informação com uns sorrisinhos e caretas de descrédito, habituados que estão a passear a sua ignorância com a impunidade que lhes é permitida pelos meios de comunicação social.

No seu artigo, Paul Hudson diz que os modelos não previram esta situação, a qual contraria a teoria que atribui ao dióxido de carbono de origem antropogénica a causa da subida da temperatura global do planeta.

De facto, esta situação real refuta a relação causa-efeito entre aumento da concentração atmosférica do dióxido de carbono e aumento da temperatura média global. Seria um milagre da física a existência de uma lei que revelasse este hiato no decurso de 11 anos.

O articulista da BBC refere os estudos de vários cientistas, entre os quais o Prof. Don Easterbrook, da Western Washington University, que tira a seguinte conclusão: "The PDO [Pacific Decadal Oscillation] cool mode has replaced the warm mode in the Pacific Ocean, virtually assuring us of about 30 years of global cooling."

Paul Hudson destaca ainda o cientista do IPCC, Mojib Latif que, no entender do articulista, veio confundir ainda mais os espíritos ao afirmar, há cerca de um mês, que o planeta poderá vir a conhecer um período de arrefecimento nos próximos dez a vinte anos. Por sinal, esta perspectiva de arrefecimento já antes tinha sido referida no MC.

Como seria de esperar este artigo da BBC causou uma enorme surpresa seguida de grande celeuma. A celeuma é tanto maior quanto os catastrofistas estão a mobilizar um verdadeiro exército de salvação do planeta, tendo em vista a cimeira de Copenhaga, a realizar no próximo mês de Dezembro.

As Nações Unidas e os países industrializados, apoiados pelos media do mundo inteiro, lançaram uma campanha de (des)informação dizendo que o planeta está a aquecer mais depressa do que o esperado e praticamente em perigo de extinção.

Esta notícia da BBC veio arrefecer alguns ânimos. Os políticos prontos a aplicar mais impostos e a encarecer a energia ficaram surpreendidos. O objectivo encapotado, a apresentar na cimeira de Copenhaga, tem de ser embrulhado num outro embuste que não o do aquecimento global.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Manual para debates

Por falar em debates, a australiana Joanne Nova, já antes referida no MC num post de 29/07/2009, “Os dinheiros do clima”, escreveu um pequeno livro de 16 páginas, intitulado “The Skeptics Handbook” (O Manual dos Cépticos) para suporte de debates acerca do “aquecimento global”.

A apresentação em Portugal foi feita, em primeira-mão, no blogue Ecotretas, em 25/03/2009.

Este Manual teve um sucesso tal que já foi traduzido para sueco, alemão, finlandês, castelhano, turco e italiano. Os leitores podem obter uma cópia grátis, em qualquer destas línguas, no blog de Joanne Nova.

Recentemente, o Manual foi traduzido para português. Esta informação foi indicada ao MC pelos próprios tradutores. Os tradutores são professores universitários brasileiros de climatologia que seguem a par e passo o MC. Estes professores são autores do blogue Fake Climate. Os leitores que queiram uma cópia d’«O Manual dos Cépticos», em português, podem descarregá-la aqui.

O Manual é um texto pedagógico que constitui uma boa base para um debate público sobre a hipótese do aquecimento global de origem antropogénica. Destaca as debilidades fundamentais da hipótese que não resiste ao contraditório.

Joanne Nova destaca o seguinte: - O argumento central repousa sobre a hipótese de que o CO2 adicional, proveniente das actividades humanas, torna o planeta bastante mais quente. Tudo depende da resposta a esta questão.

Ora, se o CO2 não for uma causa determinante, então a mitigação, o mercado de emissões de CO2 (conhecido por cap and trade, em linguagem anglo-saxónica), o sequestro do CO2, o protocolo de Quioto, ou outro que se siga, são uma pura perda de tempo e de dinheiro.

A autora do Manual salienta que existem apenas quatro pontos fundamentais a debater:

1) Nunca foi realizado um teste real que provasse a relação causa-efeito entre emissões de CO2 e aumento das temperaturas;
2) A evolução recente dos fenómenos climáticos refuta a hipótese (as temperaturas estão a descer e a concentração atmosférica de CO2 a subir, p.e.);
3) Os modelos informáticos do clima não são capazes de explicar os fenómenos reais (ondas de calor, secas, cheias, etc., nem o facto referido em 2) e, consequentemente, não são capazes de prever o futuro;
4) Devido ao fenómeno de saturação da absorção da radiação, o infinitamente pequeno aumento de temperatura provocado pelo CO2 adicional já atingiu o máximo e não provocará mais subidas de temperatura por mais pequenas que sejam.

No caso 1) deve-se exigir a apresentação do protocolo dos ensaios realizados – metodologia, características dos equipamentos, graus de precisão – para se poderem efectuar novos ensaios por autoridades independentes que repliquem o original.

Sucede que nada disto foi feito. As únicas coisas que os dogmáticos do IPCC apresentam são estudos com modelos que não cumprem os requisitos mínimos de qualquer protocolo de ensaios para verificação de uma hipótese – ver, p.e. o ponto 3).

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Jornadas Científicas da Univ. de Nantes Intervenção de Vincent Courtillot

Na 2ª edição das Jornadas Científicas da Universidade de Nantes, realizadas em 8 de Junho de 2009, salientou-se a Conferência “O Aquecimento Global” de Vincent Courtillot.

Vincent Courtillot, geofísico e geólogo, é professor das Universidades de Paris, director do Instituto de Física do Globo de Paris, e membro do Instituto Universitário de França e da Academia das Ciências, Paris.

A dissertação de Courtillot pode ser seguida no vídeo da Conferência. Esta constituiu uma exposição cientificamente sólida e pedagógica sobre o tema actual do “aquecimento global”.

Eis uma breve lista de questões abordadas por Vincent Courtillot:

- Exprime sérias dúvidas sobre as últimas conclusões do IPCC e sobre os modelos utilizados por este organismo;

- As curvas das temperaturas, nomeadamente as produzidas pelo Hadley Centre que servem de base para os relatórios do IPCC;

- O famoso caso do “hockey stick” de Michael Mann que foi emblemático no penúltimo relatório do IPCC mas que caiu no esquecimento no último;

- A imprecisão dos modelos informáticos do clima usados pelo IPCC, nomeadamente a questão crucial das nuvens que não está incorporada nos modelos;

- Os resultados dos cilindros de gelo que mostram ser a evolução da temperatura que comanda a evolução da concentração do CO2 e não o inverso;

- A actividade solar comanda as variações naturais da temperatura na Terra.

O Prof. Vincent Courtillot diz que são falsas as curvas das temperaturas apresentadas pelo IPCC no último relatório de 2007. Exemplifica os casos da Europa e dos EUA. Explica como foram fabricadas as curvas falsas.

Explica também como Michael Mann e colaboradores falsificaram a conhecida curva do “hockey stick”. Faz igualmente um historial das actuações do IPCC e do Hadley Centre que não disponibilizam dados para verificação por entidades independentes.

As Jornadas Científicas da Universidade de Nantes incluíram ainda uma mesa redonda com um Debate. Além de um cientista (Vincent Courtillot) aparece um dogmático (Ronan Dantec). Mas é fácil distinguir o trigo do joio.

Para além das opiniões daqueles dois participantes (Courtillot e Dantec), ouvem-se ainda pontos de vista de pessoas afastadas da realidade dos fenómenos climáticos. Algumas pessoas colocam mesmo questões obtusas.

Debate com Vincent Courtillot


Conferência de Vincent Courtillot


Terça-feira, Outubro 06, 2009

A produção descentralizada tem enormes vantagens (2)

[MC tem o prazer de publicar na íntegra a entrevista concedida pelo Prof. Delgado Domingos à revista Climatização, de Setembro/Outubro de 2009, e conduzida por Rita Ascenso. Devido à sua extensão e às características do blogue, a entrevista foi dividida em duas partes. Esta é a 2ª parte.]

(continuação)

Do seu ponto de vista toda esta questão do aquecimento global foi em parte fabricada?

Foi, seguindo a máxima que já citei do senador Al Gore. Criando a percepção de uma catástrofe iminente a maioria das pessoas reage como se a catástrofe fosse certa e estão dispostas a aceitar sacrifícios que de outro modo rejeitariam. É o equivalente a uma metodologia de mobilização para a guerra.

Portanto acha que se desviaram as atenções do que é essencial e neste momento aquilo que existe anda à volta de uma operação de marketing...

Tem muito disso. Lembra-se da guerra do Iraque? Independentemente de haver guerra ou não haver guerra, conseguiu-se convencer praticamente toda a população mundial de que o Iraque tinha armas de destruição massiva e que as iria utilizar...e passou-se à acção. Com o relatório das alterações climáticas encomendado por Tony Blair a Lord Stern, passou-se um pouco o mesmo. Revistas tão conceituadas como a Economist denunciaram a sua finalidade eminentemente politica, logo que foi publicado, revelando também que o senador Al Gore fora contratado para a sua promoção.

O Protocolo de Quioto está aí e o negócio do mercado do carbono já está a funcionar...

Associado a Quioto existem os mecanismos de Quioto entre os quais o mercado do carbono e a bolsa correspondente. Prevê-se que represente em pouco tempo um mercado de mais de 700 mil milhões de dólares. Os bancos portugueses mais importantes já criaram os respectivos fundos na expectativa da valorização bolsista que antevêem.

Qual é o mecanismo?

Aparentemente é muito simples e sedutor. Fixa-se um tecto para as emissões nacionais, que não poderão exceder umas tantas toneladas de CO2 equivalente. O tecto nacional é fixado a nível europeu e a nível nacional o governo fixa as metas para cada sector. Quem emitir mais tem de comprar licenças a quem emitiu menos do que lhe tinha sido alocado e paga um valor mais elevado e pré-estabelecido, ou compensa com certos tipos de investimento na redução global do saldo das emissões. Para a compra e venda de licenças existe uma bolsa própria, e o seu valor de transacção resulta do mercado.

O governo utiliza as penalizações para investir no seu próprio fundo e para pagar os eventuais desvios nacionais. Teoricamente, este mecanismo conduz a uma redução das emissões porque premeia quem melhora e penaliza quem o não fizer. Reduzindo progressivamente os tectos nacionais, haverá uma progressiva redução global das emissões.

Na prática, as coisas não se passam bem assim como a experiência já mostrou e era inevitável. Por um lado, nem todos os emissores de GEE estão abrangidos, como por exemplo os transportes, que é dos mais importantes. Por outro, o governo pode arbitrariamente decidir aumentar os tectos para uns e reduzi-lo para outros o que, junto à enorme burocracia que a contabilização e controlo das emissões exige, torna inevitáveis os mais simples e os mais sofisticados esquemas de corrupção e de tráfico de influências. Basta notar que o governo pode influenciar directamente os lucros da bolsa fixando os tectos para as emissões.

O resultado final quanto à redução global de emissões de GEE é duvidoso, embora seja certa a transferência massiva de riqueza de uns sectores sociais para outros. Também é inevitável que o acréscimo da energia, motivado por todos estes encargos não produtivos seja transferido para o consumidor. Na prática, cria-se mais um imposto, embora disfarçado. Em meu entender, seria muito mais simples, eficaz e transparente, criar uma taxa sobre a energia logo na origem, com mecanismos transparentes de retorno de benefícios.

Sem a adesão dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) a um renovado e mais exigente protocolo de Quioto, o mercado do carbono não é credível. Percebe-se por isso a enorme orquestração da opinião pública mundial para forçar os BRIC a aderir. Por outro lado, muitos dos argumentos do tipo ético ou de responsabilidade social invocados na crítica aos não aderentes a Quioto, como sejam os BRIC, são hipócritas. De facto, os europeus e americanos que são tão críticos em relação à China, por exemplo, devem ter presente que 30 % das emissões na China são emitidas a produzir bens que são consumidos na Europa e nos EUA, pelo que, se deixarem de consumir esses bens essas emissões desaparecem.

Sendo assim, por que motivo o não fazem? Como facilmente se conclui, é o mecanismo de contabilização das emissões que está em causa. Actualmente, as emissões são imputadas ao país em que são emitidas e não ao país que induziu essas emissões, adquirindo os produtos que as originaram. Esta diferença de perspectiva é muito importante quando olhamos para as cidades, pois elas induzem mais de 80 % das emissões globais, para além das que directamente produzem. Na estratégia energética ambiental para Lisboa esta destrinça é feita no que se refere à electricidade.

Fala-se muito e quase em exclusivo no CO2 como o único responsável...

É fácil iludir as questões concentrando todos os males num só inimigo claramente identificado e que neste caso é o CO2. O CO2 e os GEE são certamente importantes, mas as alterações no uso do solo têm pelo menos igual importância e ao nível das cidades um efeito muito maior. Em Lisboa, as diferenças entre locais podem atingir vários ºC que podem ultrapassar os 10 ºC entre o solo e o ar. As nossas previsões meteorológicas mostram as diferenças por zonas e as observações disponíveis confirmam-no. Nestas assimetrias locais há vários mecanismos em simultâneo.

Um dos mais importantes reguladores é a troca de calor entre o solo e a atmosfera por evaporação da água (calor latente). A impermeabilização do solo, não só impede a infiltração da água da chuva e baixa a humidade do solo, como altera as trocas de energia que recebe do Sol com o meio circundante. Este efeito é reforçado ou atenuado consoante a geometria dos edifícios, a sua posição relativa, a sua inércia térmica e o seu revestimento exterior.

No caso do solo, a evaporação directa e a promovida pela vegetação constitui um regulador fundamental. Alterar a florestação ou a cobertura vegetal, é alterar o clima. A escolha dos materiais, tanto do edificado, como dos pavimentos provoca alterações locais de temperatura que por sua vez induzem movimentos do ar. Os movimentos do ar, induzidos localmente, atenuam ou reforçam a circulação de maior escala com reflexos directos na qualidade do ar e na sua temperatura e humidade.

A resolução pode passar pela forma como se projectam os espaços e as envolventes?

O problema central está na maneira como se planeiam as cidades. A cidade de Sacramento, nos EUA, por razões de energia eliminou bairros inteiros e plantou árvores. Para quê? Para baixar a temperatura de 1 ºC, 2 ºC e 3ºC e melhorar a qualidade do ar. Quando estamos na área do conforto, baixar 1 ºC ou 2 ºC significa muita energia que se não gasta no ar condicionado.

Para agravar a situação, muitos projectistas têm o hábito de sobredimensionar o equipamento. Nalguns casos justifica-se porque as condicionantes externas são diferentes de edifício para edifício e de andar para andar, facto que a nossa regulamentação térmica não tem em conta. O próprio arquitecto, raras vezes dá a importância devida às condicionantes climáticas, devido à facilidade tecnológica com que produz um clima para o edifício em vez de um edifício para o clima. É certamente mais fácil fazer isso, pois não pensa na energia que o facilitismo obrigará a gastar para sempre.

Devemos também lembrar que, o próprio ar condicionado do edifício, aumenta a temperatura do ar exterior. Quando é um caso isolado não pesa muito, quando é massivamente utilizado, o peso é enorme. A conclusão elementar é que temos de ter uma arquitectura adaptada ao clima se desejamos aumentar a eficiência do uso da energia nos edifícios e reduzir as emissões de GEE e tirar as devidas ilações do facto de a subida de temperatura nas cidades se dever também significativamente aos efeitos do urbanismo.

Os maiores consumidores são os edifícios...

Em Lisboa, se tivermos em conta os consumos de energia primária e as emissões induzidas, mais de 50 % deve-se aos edifícios. E nestes, os edifícios de serviços consomem mais do dobro dos residenciais.

Voltando um pouco atrás. Esta “falsa questão” do aquecimento global abriu-nos o caminho para as fontes renováveis, sustentabilidade... há um lado muito bom...

Sem dúvida. O lado negativo é estarmos a empolar um problema menor quando temos um problema real e grave, que deve ser atacado.

Do lado dos edifícios, o impulso das renováveis vem tarde?

No nosso caso, pelo menos com 30 ou 40 anos de atraso… Mas é positivo o que se está a fazer: reduz a dependência dos combustíveis fósseis, é um recurso nosso e um criador muito importante de emprego qualificado. E trabalho qualificado é o que nós precisamos, porque o nosso problema fundamental é o pequeno valor acrescentado à energia consumida. Em Portugal precisamos do dobro da energia que gasta a Dinamarca para criar a mesma unidade de riqueza, quando consumimos per capita só ligeiramente menos. Há mais de 30 anos que divergimos da média europeia. No início dos anos 70, Portugal e a Dinamarca acrescentavam praticamente o mesmo valor por unidade de energia consumida. Hoje gastamos o dobro.

Não começa a existir uma maior consciência energética? Não estamos a mudar?

Existe maior consciência mas não estamos a mudar ao ritmo necessário!

Mas não sente que já começa a nascer uma nova dinâmica e cultura energética?

Apenas de modo incipiente e provocado em grande parte pela subida do preço do petróleo.

Temos mecanismos e ferramentas para caminhar nesse sentido...

Temos o conhecimento e as ferramentas aplicativas, mas não estamos a andar nesse caminho com a convicção e o ritmo necessários…

Temos legislação…

Grande parte da legislação resulta de imposições comunitárias. Se estas imposições não existissem estaríamos muito pior. Mas a legislação, só por si, não cria conhecimento. A legislação cria regras e nós temos sempre a trágica tendência de dar competência legal a quem não tem competência real. Por decreto podem fazer-se engenheiros, dar o titulo...mas não a competência profissional correspondente. Não sou pessimista, estou apenas a tentar ser realista e quer se goste ou não, as coisas vão mudar porque, com o valor que acrescentamos à energia gasta, a nossa economia não aguenta. As nossas exportações não são competitivas e é com elas que pagamos o petróleo que importamos.

O que é que falta fazer?

Quando em sua casa passar a pagar o dobro ou o triplo na conta da electricidade, os seus hábitos vão mudar tal como começaram a mudar na utilização do automóvel quando o preço da gasolina subiu.

Quando as tarifas subirem para os valores reais e deixarem de ser subsidiadas?

Exactamente e tendo em conta, não apenas os subsídios directos mas sobretudo os indirectos que incluem as externalidades geradas na sua produção e consumo.

E como é que se inverte a tendência do aumento da intensidade energética nas cidades e no país?

Já referi que em Lisboa, e o mesmo se passa certamente nas outras cidades, os edifícios representam mais de metade do consumo e logo em seguida os transportes. O ordenamento do território e o urbanismo são dos principais factores. Se um edifício for bem concebido inicialmente, a concepção e orientação de um edifício de serviços, não é a mesma que para um residencial. A climatização é muito importante, mas não deve ser com a climatização que se compensam os erros que podiam ser evitados e custam imensa energia. Na verdade o que é que se pode fazer para corrigir estes e outros problemas que existem?

Quando se analisa o projecto de um edifício que ainda não está construído, pode fazer-se a simulação completa e saber o custo em energia que a sua utilização vai ter. Podem assim introduzir-se as alterações necessárias, antes de iniciar a obra, para que tal custo baixe para o mínimo possível sem lhe afectar a funcionalidade. Depois, tal como nas alterações climáticas, deveríamos confrontar os dados medidos com as previsões.

Na climatização é a mesma coisa. As previsões de consumo devem ser confrontadas com os consumos reais para que se possam melhorar continuamente as metodologias de cálculo e previsão. Um projectista que ganha este tipo de capacidade e qualificação tem um trabalho mais qualificado e acrescenta mais valor.

No âmbito das minhas responsabilidades na Agência de Energia de Lisboa, impus que os programas de simulação dos edifícios existentes façam as estimativas de consumo de energia com base nos valores reais medidos para a temperatura exterior e outros dados climáticos, num ano anterior, e que tais estimativas sejam confrontadas com os consumos efectivamente verificados. Com esta metodologia, os modelos e as hipóteses de cálculo vão melhorar significativamente tal como a qualidade da gestão de energia nos edifícios.

Esses valores existem para o país inteiro?

Para o país inteiro existem as observações do Instituto de Meteorologia e as do INAG. As do INAG são específicas e têm o mérito exemplar de ser públicas, gratuitas e testáveis, aceitando, corrigindo e agradecendo todas as eventuais inconsistências detectadas, como podemos testemunhar.

As do Instituto de Meteorologia são uma escandalosa aberração sob múltiplos aspectos. Por um lado, a obtenção daqueles valores, que é uma das suas responsabilidades legais, é financiada pelos nossos impostos e a contrapartida que dão aos que os pagam é exigir um pagamento adicional para ter acesso a eles quando se dignam responder ao pedido. De certo modo é o mesmo que pagar aos professores para ensinar e estes exigirem um pagamento adicional para revelarem as notas que deram aos alunos.

Para além desta aberração, não existe qualquer tipo de controlo externo que assegure a qualidade das medidas feitas. O mais significativo é que não só se furtam a qualquer tipo de validação externa aos dados e ao modo como estatisticamente os tratam, como ainda lhes cabe informar o mundo das alterações climáticas observadas em Portugal. Que confiança merecem? Para as simulações do comportamento térmico dos edifícios é necessário conhecer a variação horária das variáveis meteorológicas que o IM “naturalmente” não disponibiliza de modo a facilitar a utilização.

O antigo INETI, depois INEGI e hoje outra coisa que amanhã será diferente, também vende um programa e uma base de dados, utilizando valores do IM que afirma representar um ano tipo, que obviamente não serve os propósitos de melhoria e inovação que referi. A conclusão que se extrai do lamentável, mercantil, e abusivo comportamento destes Laboratórios de Estado, apesar de algumas relevantes e meritórias excepções a nível individual é que, no seu conjunto, os dados que produzem são insuficientes para além de a sua fiabilidade não ser tranquilizante.

Na situação actual o que temos de fazer para Portugal é criar uma base de dados a partir da assimilação das observações existentes por uma reconstrução climática. Com esta base, seria possível construir um zonamento fiável para todo o país e disponibilizar informação climática localizada, tal como hoje já é feito e disponibilizado diariamente no meu site. De certo modo, seria a extensão a todo o país do que fizemos para Lisboa com a reconstrução climática da onda de calor de 2003. Essa reconstrução, validada com os dados horários disponíveis, mostra como, mesmo para Lisboa, as variáveis climáticas, nomeadamente a temperatura, podem ser muito diferentes consoante a localização escolhida. Como sabe, o regulamento térmico dos edifícios desconhece completamente estes efeitos.

E esse é um trabalho que tem décadas neste departamento...

Sim. Já nos meados dos anos 70, quando a colaboração com o IM era excelente, efectuámos e validámos a digitalização dos primeiros anos de observações e publicámos a “Ocorrência Média Anual no Território Português das Classes de Estabilidade Atmosférica Pasquill-Gifford” para utilização nos estudos de dispersão de poluentes na atmosfera. Este trabalho foi e continua a ser muito utilizado em estudos de impacto ambiental e deveria há muito ter sido modernizado. Este trabalho como muitos outros que se seguiram, foram a aplicação natural do trabalho de investigação em Mecânica dos Fluidos Computacional, Turbulência, Camada Limite, etc.

Esses dados deveriam estar disponíveis porque são exigidos no âmbito da regulamentação térmica para a análise de desempenho de sistemas solares, nomeadamente quando se utiliza o programa de simulação Solterm (obrigatório)…

Tem toda a razão. Aliás, a previsão meteorológica que iniciámos operacionalmente em 2000 foi ditada pela recusa de colaboração e mesmo de obstrução do IM nesta área, beneficiando do seu monopólio legal de acesso ao Centro Europeu. Esta atitude bloqueava a investigação e desenvolvimento científico em muitas áreas de fundamental interesse, nomeadamente a energia eólica. Decidimos por isso iniciar de modo completamente autónomo do IM a previsão numérica do tempo para Portugal, tendo sido a primeira universidade portuguesa a fazê-lo.

Estas previsões são utilizadas pela REN (Redes Energéticas Nacionais) na previsão da energia eólica e na gestão da rede eléctrica, pela Protecção Civil da CML, Governo Civil de Santarém, etc. As previsões que fazemos são localizadas, gratuitas para os valores à superfície e muito mais pormenorizadas que as do IM, para além de actualizadas 4 vezes por dia.

Iniciámos recentemente a divulgação das previsões e das observações horárias nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, em tempo real, de modo a permitir que o utilizador julgue por si a qualidade das previsões. Seria interessante que o IM nos seguisse o exemplo mas sobretudo que medisse as consequências da política que tem seguido.

De salientar que o nosso trabalho foi possível devido à generosidade dos organismos públicos dos EUA e dos colegas das suas Universidades, através dos quais obtemos, gratuitamente, muito dos dados com origem em Portugal que o IM não disponibiliza. Vale a pena também frisar que nos EUA tudo que é pago por dinheiros públicos é público e portanto gratuito, nomeadamente para os portugueses.

Como é que os dados para Portugal podem ser disponibilizados?

Esses dados são da responsabilidade legal do Instituto de Meteorologia e nós pagamos impostos para que ele exista como já referi anteriormente. É absolutamente evidente que os deveria disponibilizar gratuitamente, embora se desculpe com os acordos de monopólio que subscreveu com alguns congéneres europeus.

Para além disso, tenho algumas razões para pensar que o IM receia que o seu escrutínio público venha a revelar muitas falhas e incoerências, para além de inviabilizar alguns dos alegados negócios privados. Nós somos muito solicitados para fornecer esse tipo de dados e recomendamos sempre que se dirijam ao IM porque é ele que tem a responsabilidade legal e a obrigação de o fazer. Posto isto, cedemos gratuitamente e com muita frequência os resultados das previsões dos últimos 10 anos que temos arquivados.

Por outro lado, temos vindo a proceder à reconstrução e validação das variáveis climáticas dos últimos anos de que já dei o exemplo da onda de calor de 2003. Poderíamos fazê-lo para os últimos 50 anos, pois temos os dados base. Mas é um trabalho moroso e dispendioso, que não prossegue ao ritmo que desejaríamos porque não só não dispõe de nenhum apoio financeiro oficial, generosamente dispensado aos apologistas do aquecimento global, como ainda suscita a animosidade dos muitos interesses instalados responsáveis pela situação em que nos encontramos.

Voltando aos edifícios e aos diplomas. Acha que não têm conteúdo ou não são suficientes?

Os diplomas são importantes. A legislação E4 do Professor Oliveira Fernandes foi um avanço enorme. Todavia, embora muito importante, o enquadramento legal não funciona sozinho e a nível legal há medidas que são contraditórias e paralisantes. Remover as contradições e aplicá-la rigorosamente é o único meio de recuperar o atraso com que foi promulgada. É talvez necessário fazer com os edifícios o que se fez com o cinto de segurança nos automóveis, que inicialmente se iludia mas acabou por entrar nos nossos hábitos e na nossa cultura com benefício para todos. Ou seja, é fundamental que haja uma fiscalização sólida séria e competente a funcionar.

Disse há pouco que é necessário que a electricidade deixe de ser subsidiada para mudar em definitivo os comportamentos das pessoas quanto à energia...

É preciso perceber que os subsídios foram sempre retirados de outra possível utilização do que se cobrou nos impostos. Eu penso que é altura de começar a questionar os subsídios que não tenham uma convincente justificação e tenham sempre em conta as aplicações alternativas. Devíamos instituir uma taxa extra sobre a electricidade. Uma taxa e não um imposto. Seria uma taxa destinada a financiar quem quisesse melhorar o seu desempenho energético, ou seja, penalizar os desperdiçadores para financiar os que quisessem investir para reduzir a sua factura energética. No conjunto dos consumidores o saldo financeiro seria nulo. Isto seria um pouco o que a ERSE já iniciou com o PPEC, mas com outra amplitude e maiores ambições. Com isto também se criavam muitos empregos e se estimulava a produção de novos equipamentos e serviços de qualidade.

As cidades podem ser auto sustentáveis muito em breve?

Em cidades construídas de raiz como sucede actualmente na China será talvez possível aproximarmo-nos desse objectivo. Nas cidades existentes será muito difícil ou mesmo impossível na totalidade muito embora possam fazer-se avanços espectaculares nessa direcção. A produção descentralizada tem enormes vantagens, tanto de energias renováveis como utilizando micro cogeração e trigeração.

Há ainda outro conceito que devemos começar a ter em conta e que é a acumulação descentralizada, que pode vir a dar uma ajuda substancial na regularização do diagrama de cargas eléctricas, o que está estreitamente ligado à generalização das redes inteligentes tornadas possíveis pelos desenvolvimentos da informática e das redes de comunicações, nomeadamente as baseadas em fibra óptica.Posted by Picasa

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

A produção descentralizada tem enormes vantagens (1)

[MC tem o prazer de publicar na íntegra a entrevista concedida pelo Prof. Delgado Domingos à revista Climatização, de Setembro/Outubro de 2009, e conduzida por Rita Ascenso. Devido à sua extensão e às características do blogue, a entrevista será dividida em duas partes.]

Delgado Domingos, um especialista conceituado internacionalmente e com provas dadas ao longo de toda a sua actividade científica com destaque para a área das alterações climáticas, energia, ambiente... é desde Dezembro de 2008 presidente do Conselho de Administração da Lisboa E-Nova.


Para este professor catedrático, há quem considere contraditórias as suas posições no que se refere às alterações climáticas, Quioto... com as metas da E-NOVA. Conheça os argumentos deste investigador e decisor que defende que “o aquecimento global se transformou para muitos numa questão político-ideológica de que se recita o catecismo” e para quem “as ameaças de catastrófico aquecimento global com que somos diariamente bombardeados não têm sustentabilidade científica e caminham para o descrédito, face à realidade concreta”. E ainda a sua visão sobre as questões energéticas e ambientais, a climatização nos edifícios, o projecto, as cidades e o urbanismo...

É já uma “bandeira” sua defender que não existe aquecimento global da forma como ele é apresentado mundialmente... Ou seja, para si o termo aquecimento global é infeliz?

O modo como as minhas afirmações têm sido interpretadas no que se refere às Alterações Climáticas, ao Protocolo de Quioto, ao Pacto dos Autarcas, etc. leva alguns a afirmar que são contraditórias com as metas e as medidas propostas na Estratégia Energético Ambiental para Lisboa que a CML aprovou e o Presidente já tinha anunciado publicamente em Maio de 2008.

Como principal responsável pela estratégia e pelas medidas propostas pela Agência Municipal de Energia e Ambiente da CML (Lisboa E-Nova) e na qualidade de Presidente do seu CA já por várias vezes e para diferentes audiências, nomeadamente através da minha página na internet e do blog do Público, De Rerum Natura, tive oportunidade de documentar a fundamentação e justificar as propostas.

Com seriedade e fundamentação nunca os vi pôr em causa. Em contrapartida, as reacções difusas que me chegam apenas mostram como o aquecimento global se transformou para muitos numa questão político-ideológica de que se recita o catecismo.

A CML, ao aprovar a Estratégia Energético Ambiental para Lisboa e ao adoptá-la como um dos instrumentos estruturantes a ter sempre em conta, antecipou e ultrapassou em compromissos concretos e calendarizados todos os municípios nacionais e a maioria dos europeus que assinaram o Pacto dos Autarcas.

Significativamente, os organizadores da declaração conjunta dos municípios portugueses que subscreveram o Pacto dos Autarcas não aceitaram a correcção proposta pela Lisboa E-Nova que se limitava a juntar aos potenciais efeitos das alterações climáticas provocadas pela emissão de gases com efeito de estufa (GEE) o agravamento dos efeitos da variabilidade natural.

A diferença marcante entre uma e outra posição é que uma responsabiliza e compromete os actuais autarcas a combater e prevenir os efeitos da natural variabilidade climática que se exprimem, entre muitos outros, nas recorrentes cheias e inundações, nos deslizamentos de terras, nas ondas de calor e de frio, cujo agravamento, em danos sociais e económicos, é consequência directa da imprevidência ou da incompetência, tão do agrado da ganância especulativa que tem campeado no ordenamento do território e nos PDM.

Atribuir todos estes efeitos aos malefícios do aquecimento global provocado pelas emissões de GEE, poderá ajudar a mobilizar a opinião pública para os desafios do futuro, o que é bom, mas seria muito melhor se assumisse também a sua responsabilidade concreta e demonstrasse sinceridade de propósitos, combatendo-os desde já com todo o empenho e determinação.

Preocupando-me com o futuro e com o rigor da fundamentação científica do que se afirma, discordo naturalmente do termo aquecimento global e prefiro alterações climáticas como o próprio IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) faz.

Os alarmistas climáticos, nomeadamente Al Gore, têm baseado a sua militância nos efeitos do aquecimento global e entram numa confusa dialéctica para justificar o facto de não ter havido aumento das temperaturas médias globais nos últimos 10 anos, (nem nos continentes nem nos oceanos) apesar das crescentes emissões de CO2 e GEE para a atmosfera.

Existe sim variabilidade climática e potenciais alterações climáticas, que tanto podem ser de aquecimento como de arrefecimento. Quem se preocupa com o rigor científico e os factos incontroversos não elabora uma estratégia com enormes impactos sociais e económicos tendo por base emotivas reacções conjunturais, tal como não confunde causas com efeitos.

Para mim, como já várias vezes afirmei e fundamentei, o cerne da questão encontra-se na utilização desbragada de combustíveis fósseis, cujas reservas se aproximam do esgotamento, para além dos terríveis efeitos na saúde humana e nos ecossistemas, dos poluentes produzidos na sua queima (nesta perspectiva, o CO2 não é um poluente).

É por isso que reduzir a utilização dos combustíveis fósseis e promover as energias renováveis em todas as suas formas é fundamental. Mas mais importante ainda é promover a eficiência energética em todas as suas vertentes, de entre as quais importa realçar a organização espacial das actividades, a edificação, o urbanismo, e as suas consequências no clima urbano, na saúde e na qualidade do ambiente.

Em muitos objectivos concretos, a minha posição e a dos “Militantes do Alegado Aquecimento Global” (MAAG) é semelhante, mas difere radicalmente em muitos aspectos da sua fundamentação, bem como nos caminhos propostos para os alcançar. Por um lado, o CO2 e os GEE são para mim um efeito e um indicador ambiental muito importante, mas não a causa determinante como defendem os MAAG. Para estes, a captura e sequestro do CO2 (CCS) e a energia nuclear são defendidas como soluções tecnológicas para controlo do aquecimento global.

Ora, o carvão é e será ainda por muitos anos a fonte de energia mais importante para a produção de electricidade, pois tem reservas provadas e geograficamente distribuídas para algumas centenas de anos. É uma importante fonte de poluição, sobretudo a nível local, que é possível reduzir drasticamente com tecnologias conhecidas e comprovadas.

Transformá-lo no principal inimigo a abater, como os radicais do MAAG têm feito, advogando, nomeadamente, a desobediência civil para o conseguir, como faz e tem patrocinado o guru inspirador James Hansen é lamentável, não só porque desvaloriza todos os poluentes graves face ao CO2 (que não é um poluente) como inviabiliza a utilização e desenvolvimento da enorme panóplia de tecnologias viáveis que tornam carvão cada vez mais limpo. O gigantesco desperdício de recursos dedicados à miragem tecnológica do CCS que os MAAG provocaram seria muito mais bem utilizado na reflorestação e na protecção dos ecossistemas.

Uma das outras implicações, em termos de transporte urbano é o favorecimento governamental, entre nós, dos motores diesel, em detrimento dos motores a gás natural ou GPL, esquecendo o grave problema ambiental das emissões de partículas, NOx, etc pelos motores diesel, problema que não existe nos motores a GNL ou GPL, embora possam emitir um pouco mais de CO2.

Obcecados com o CO2 e os GEE, os MAAG tendem a ignorar completamente os efeitos das reais alterações climáticas locais e os efeitos locais e globais das alterações no uso do solo. Estreitamente ligada aos MAAG está o mercado do carbono e os colossais interesses financeiros e políticos que movimenta.

Criar a ideia, como tem sido feito, de que as ameaças climáticas do futuro se devem sobretudo às emissões de GEE é manipulatório e acompanhado das manifestações típicas de uma ideologia. Pode ter tido o mérito de consciencializar a população em geral para as graves consequências do esbanjamento de recursos naturais não renováveis e para as terríveis ameaças ao ambiente e à nossa sobrevivência se não arrepiarmos caminho mas, em contrapartida, pode desviar as atenções e os recursos económicos para a solução de problemas menores ou simplesmente não problemas.

Em meu entender, as ameaças de catastrófico aquecimento global com que somos diariamente bombardeados não têm sustentabilidade científica e caminham para o descrédito, face à realidade concreta. A perda de credibilidade científica tem efeitos devastadores, sobretudo numa altura de radical alteração de modelos económicos e em que a objectividade e o rigor da Ciência são imprescindíveis para antever as consequências das possíveis alternativas que se oferecem.

Mas os dados e as projecções apontam para esse aquecimento...

Ainda bem que falou em “projecções” que é algo muito diferente de previsões. Eu estou à vontade para poder dizer isso porque há mais de 40 anos que pratico a ciência computacional que está na base dos modelos climáticos invocados para explicar situações passadas e fazer projecções para o futuro. Em Portugal fui o primeiro a implementar e divulgar, a nível universitário, a previsão meteorológica diária para o nosso país e a confrontar sistematicamente as previsões com as observações.

Conheço por isso muito bem e utilizo diariamente o tipo de modelos e métodos que sustentam as afirmações de anunciadas catástrofes. Estas não se baseiam em previsões, como aquelas que diariamente fazemos em meteorologia e que são tipicamente boas até aos 10~15 dias seguintes... mas fracassam miseravelmente quando se pretende prever a próxima estação.

A ideia prevalecente em certos meios é que se este tipo de previsões for efectuado para décadas ou séculos, utilizando vários modelos semelhantes, a média dos resultados dará uma ideia do que irá suceder dentro de algumas décadas ou séculos. Há razões fundamentais de natureza física e computacional para considerar que, com o conhecimento científico actual e os meios de cálculo disponíveis, não se possam fazer tais tipos de previsões e nelas basear decisões políticas com enormes consequências económicas e sociais.

Não sendo possível chamar-lhe previsões, os praticantes destas metodologias passaram a chamar-lhes projecções. Estas não são mais do que visões subjectivas baseadas na extrapolação de representações simplificadas e muitas vezes distorcidas da realidade concreta. Projecções e cenários são instrumentos úteis para ganhar sensibilidade a certos factores, como se de jogos de guerra ou de gestão se tratasse. Mas são apenas isso. Quando se convertem em instrumentos de manipulação da opinião pública podem tornar-se extremamente nocivos e dispendiosos.

Nesta perspectiva, é importante recordar dois exemplos. Em 1988, numa audição no Congresso dos EUA, o famoso guru dos MAAG, James Hansen, afirmou que, se não fossem drasticamente reduzidas as emissões de GEE, no prazo de 20 anos teríamos graves desastres climáticos. Passados os 20 anos, o que se constatou foi que embora as emissões de GEE tivessem ultrapassado as do cenário, houve um ligeiro aumento de temperatura (menos de 0.5 ºC) com tendência para descer e o prometido desastre não se concretizou. O autor da profecia justificou o fracasso com o efeito dos aerossóis, que tinha manipulado subjectivamente para que as previsões não divergissem do observado em anos anteriores.

A metodologia usada para anunciar catástrofes em 2050 ou 2100 se a utilização do carvão não for banida, é semelhante, mas 40 ou 90 anos é suficientemente distante para que os seus autores ainda existam e prestem contas pelos estragos que causaram.

No período que imediatamente antecedeu a Guerra do Iraque, a maioria da opinião pública mundial foi convencida de que o Iraque possuía armas de destruição massiva. Tony Blair afirmou mesmo que tais armas poderiam ser activadas em poucas horas e Durão Barroso, primeiro-ministro português, informou também ter visto as provas da sua existência. Tais armas não existiam, como hoje sabemos!

Então a preocupação com os desastres climáticos não faz sentido do seu ponto de vista?

Claro que faz todo o sentido se colocada na perspectiva correcta que é ter em conta a variabilidade climática natural e tomar as medidas que, não só impedem o agravamento dos efeitos, como os minimizam. O desastre de Nova Orleães, nos Estados Unidos, provocado pelo furacão Katrina era previsível, era anunciado e sabia-se que um dia iria acontecer, tal como se sabe que iremos ter cheias e inundações como sempre tivemos.

As chuvas de 1967 em Lisboa eram inevitáveis, mas as cheias e desastres que provocaram podiam ter sido evitados, se tivessem sido tomadas as medidas que impedissem a impermeabilização dos solos, as urbanizações em leitos de cheia, etc. e se tivessem alocado os recursos necessários para prevenir os efeitos de fenómenos climáticos menos frequentes, mas naturais e inevitáveis. Estes desastres devem-se à imprevidência e à incúria e não ao alegado aquecimento global.

Outra questão é a sobreposição de alterações climáticas provocadas pela acção humana que agravam as variabilidades naturais. É aqui que surgem as emissões de CO2 (e GEE) que provocam um aumento de temperatura. O CO2, ele próprio, não é o principal gás que provoca este efeito, mas sim o vapor de água. O CO2 aumenta a temperatura à superfície da Terra e esse é um facto bem conhecido da Física há muitos anos. Este aumento de temperatura provoca o aumento da evaporação, e é esse acréscimo de vapor de água que multiplica o efeito do CO2.

Falta apenas um pormenor, habitualmente omitido pelos MAAG e que resulta de o vapor de água originar as nuvens. A formação e o comportamento das nuvens são fenómenos cruciais com muitos aspectos pouco conhecidos e mal dominados, pois as nuvens tanto podem provocar aquecimento como arrefecimento, consoante o seu tipo e a altitude a que se formam. Por este motivo, as nuvens podem constituir um regulador da temperatura à superfície.

Na prática de que tipo de regulação estamos a falar?

A baixa altitude, as nuvens reflectem mais energia solar que por isso não chega ao solo e não o aquecem. Esta energia que não chega ao solo é superior à que provocaria o seu aquecimento por efeito de estufa. O saldo final é um arrefecimento, que conduz a uma redução da evaporação e dai a uma redução da cobertura de nuvens baixas.

Nas nuvens a grande altitude, passa-se o inverso, ou seja, a radiação solar reflectida é inferior ao aquecimento provocado por efeito de estufa e a temperatura à superfície aumenta, aumenta a evaporação, etc. Existindo os dois mecanismos referidos, o resultado final depende do que predominar.

Qual dos dois predomina, depende das características locais da superfície e de fenómenos internos às próprias nuvens. Estes encontram-se longe de ser conhecidos e dominados e constituem uma das maiores fragilidades dos modelos, como aliás é reconhecido nos relatórios científicos do próprio IPCC, mas é omisso nos seus sumários para decisores.

Na generalidade dos modelos climáticos admite-se que, em primeira aproximação, o CO2 fica bem misturado e se distribui uniformemente por toda a atmosfera, pelo que a localização espacial das emissões não é muito importante. Todavia, como o efeito fundamental não é provocado pelo CO2, mas sim pelo vapor de água, o efeito desse aquecimento também é local.

Nas contas das projecções climáticas e à falta de melhor, admite-se também que as nuvens são uniformes em cada célula de cálculo, o que é falso. Para entender esta afirmação é necessário referir que, para efeitos de cálculo, toda a atmosfera é dividida em paralelepípedos e se admite que tudo é uniforme no seu interior.

Apesar da capacidade informática de que hoje se dispõe, os programas utilizados nos últimos modelos climáticos utilizados pelo IPCC apenas permitem paralelepípedos de 110 km por 110 km na superfície (12 100 km2), pelo que, na melhor das hipóteses, o que vamos obter são valores médios, o que é manifestamente insuficiente para aspectos tão cruciais como as nuvens.

Lembre-se que a superfície do concelho de Lisboa é de cerca de 82 km2, o que significa cerca de 0.5% da superfície coberta por uma das células de cálculo, onde se admite que tudo é uniforme.

Não são portanto valores reais?

São médias globais sem exactidão local. Quando reduzimos a escala e passamos por exemplo de 100 km x 100 km para 50 km por 50 km, a necessidade de cálculo aumenta 10 a 20 vezes por razões puramente matemáticas e numéricas. Neste momento não há computador com capacidade para, a nível planetário, calcular as nuvens à escala mínima necessária.

Só para lhe dar um exemplo, eu faço para Portugal cálculos com 9 km, 3 km e até 1 km porque não estou a fazer previsões para a totalidade do globo, mas apenas para o território nacional e a partir de uma muito mais grosseira previsão global. Em resumo, há limitações físicas e computacionais e existem factores físicos mal dominados, já para não falar nos aerossóis. Os aerossóis, consoante a composição e a altitude em que estiverem, tanto podem provocar aquecimento, como arrefecimento.

Deixe-me recordar que o IPCC, que já referi, foi criado pelas Nações Unidas e esteve na origem do protocolo de Quioto. Os relatórios do IPCC são considerados a referência fundamental nesta matéria. O IPCC divide-se em 3 grupos de trabalho envolvendo centenas de cientistas. O mais importante destes grupos é o grupo I que se ocupa dos aspectos físicos fundamentais.

O último dos relatórios do IPCC é de Novembro de 2007. O relatório fundamental, o do grupo I, tem 996 páginas. Como é muito técnico e complexo tem um resumo designado por sumário para decisores políticos. O sumário foi aprovado linha a linha pelos representantes dos governos e das organizações participantes em Fevereiro de 2007.

O facto extraordinário é que o sumário foi aprovado ainda antes de existir o relatório que era suposto resumir. Sucede mesmo que o relatório científico contradiz conclusões do sumário antecipado, nomeadamente quando este converte em certezas o que no relatório está rodeado de incertezas, hipóteses e precauções.

O sumário não corresponde fielmente a partes do relatório ?

Não. O sumário foi aprovado pelos representantes dos governos e é um documento político que invoca a ciência para se credibilizar. A sua redacção foi entregue a um grupo extremamente restrito de cientistas e houve mesmo alguns que afirmaram ser legítimo retirar as incertezas para forçar os políticos a tomar as decisões que o grupo achava importantes!

Para isso era necessário criar a percepção pública de iminente desastre global, mesmo que tal percepção não correspondesse à realidade. Como é sabido, desencadeou uma movimentação planetária e lançou o “terror” das alterações climáticas como um facto consumado.

Porque é que a um sumário, que é politico, se chama científico? Penso que tal se deve ao facto de os políticos quererem beneficiar da credibilidade que ainda existe na comunidade científica. Por outro lado, a comunidade científica permite-o porque o financiamento dos seus trabalhos depende dos políticos...

O senador Al Gore, que formou, juntamente com um ex vice-presidente da Goldman Sachs uma empresa com sede em Londres e escritórios em Washington e é considerado nos mercados financeiros um market maker (um fazedor de mercado) nos seus discursos para a alta finança, costuma sublinhar que “se nós mudarmos a percepção da realidade, nós mudamos a realidade”.

Na época da globalização e com a justificada emergência das questões ambientais, nada como criar uma ameaça também global e explorar as suas virtualidades económicas e financeiras, em benefício de uma agenda política ou empresarial.

(continua)
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Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Comparação MSU e TP

Recorda-se que no post TOPEX-Poseidon ficou em suspenso a seguinte questão:

O IPCC não aceita a evolução das temperaturas registadas pelos satélites [tecnologia MSU]. Só aceita as medidas termométricas. Mas aceita as medidas dos satélites para a evolução do nível dos mares [tecnologia TP]. Porque será?

Esta questão leva ao estudo comparativo das tecnologias dos satélites que fornecem evoluções das temperaturas e dos níveis dos mares. É o que o MC fará proximamente. É necessário determinar se os sistemas dos satélites são significativamente diferentes de modo a confiarmos num e não no outro.

Chegou pois a altura de abordar esta questão. A diferença fundamental entre as tecnologias MSU – Microwave Sounding Unit e TP – TOPEX-Poseidon, corresponde aos respectivos sistemas. O MSU é um sistema “passivo” e o TP e um sistema “activo”.

O MSU mede a frequência e a intensidade da radiação natural das camadas baixas da atmosfera terrestre. Sendo um sistema passivo, os problemas tecnológicos são de mais fácil solução. Este sistema está em funcionamento desde 1979.

Pelo contrário, o sistema activo TP contém instrumentos de medida de origem norte-americana (TOPEX) e francesa (Poseïdon). Os impulsos de ondas de radar são transmitidos para a superfície terrestre afim de medir os ecos desses impulsos.

Os ecos partem da superfície terrestre e são recebidos de volta pelo satélite. Sendo um sistema activo, os problemas tecnológicos envolvidos são muito mais complexos do que os do sistema passivo MSU.

Deste modo, justifica-se uma maior precaução na interpretação dos resultados das medições do TP feitas durante curtos intervalos de tempo. Todos os sistemas de radar envolvem a medição da distância, da direcção e até mesmo da textura de um objecto distante. A medição é feita através da emissão de impulsos de microondas e da medição do tempo de retorno das reflexões dos objectos.

Além disso, o radar pode também comparar o estado do eco com o impulso original que o criou para verificar se houve alguma mudança no formato, no comprimento do impulso ou no comprimento de onda. Isso pode dar pistas sobre a natureza e até mesmo as características do movimento do objecto que está a ser alvo das emissões das ondas de radar.

Alguns objectos como metais e água, são excelentes reflectores das ondas radar, enquanto que outros como madeira, plásticos e areia mole, são muito pobres. Também é relevante o ângulo de incidência dos raios em relação aos objectos. O ângulo pode ser tal que resulte mais do que um eco reflectido para longe do radar.

O TP utiliza dois radares, um sintonizado para uma frequência de 10 GHz (gigahertz, ou seja dez mil milhões de ciclos por segundo), a que corresponde um comprimento de onda de 3 cm. O outro para 13,65 GHz (comprimento de onda de 2,3 cm).

Os radares emitem impulsos em direcção à superfície dos mares e mede os ecos de retorno. Cada impulso dura cerca de 3 ns (nanosegundos, ou três milésimos do milionésimo de segundo).

Cada impulso tem um comprimento de aproximadamente 90 cm. Em cada segundo são transmitidos pouco mais do que 1000 impulsos que é a frequência de repetição dos impulsos.

A velocidade da luz no vazio (constante universal) é de aproximadamente 300 mil quilómetros por segundo. Desde que os impulsos de radar e os seus ecos viajem a esta velocidade, existe um pequeno intervalo de tempo entre o impulso emitido e os ecos de retorno para medir a distância entre o radar e o alvo. Esta medida permite então calcular o nível dos mares.

O único problema aparente é que a precisão exigida para a medição do nível dos mares é de ± 1,2 m com base num único impulso e do seu eco. Ora, um simples marégrafo pode fazer a medição com uma precisão mil vezes superior.

Mas, entra então em jogo a média estatística. O TP não envia um impulso mas um milhar deles num segundo. Cada eco medido tem um erro potencial de ± 1,2 m. No entanto, a média resultante dos mil impulsos tem uma gama de precisão de aproximadamente ± 4,7 cm.

Sejamos claros quanto a este ponto, ± 4,7 cm é o valor da precisão derivada de um processo estatístico, não é o valor da precisão individual das medidas dos impulsos e dos seus ecos.

Consequentemente, não há limites para até quanto uma média estatística pode ser considerada até se atingir mesmo números ilusórios, aparentemente confiáveis mas completamente divorciados da realidade.

Enfim, não se compreende que o IPCC valide os resultados TP e não tenha em consideração os MSU de obtenção muito mais simples e com menos perturbações de leitura. O sensato seria considerar como boas as duas bases de dados desde que se tenha em consideração as respectivas limitações.

Mas coloca-se a questão da definição do nível dos mares. Na realidade, o mar não é redondo. A sua superfície é um geóide determinado pela força da gravidade. Não é exactamente um elipsóide de revolução achatado nos pólos.

O geóide é a superfície equipotencial do campo de forças da gravidade terrestre ajustada ao nível médio dos mares. O TP mostrou que, no Mar Mediterrâneo, a diferença de nível entre a parte mais elevada, na costa espanhola, e a depressão mais cavada, situada a sudoeste da ilha de Creta, atinge 40 m.

Literatura aconselhada:

Satellite Observing Systems

Ocean Surface Topography from Space - Technology

TOPEX/Poseidon Frequently Asked Questions

AVISO TOPEX-Poseidon, Mean Sea Level Monitoring

Radar Altimetry (PDF)

Side-B TOPEX Altimeter Evaluation

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

O milagre das renováveis em Portugal (**)

Por Jorge Pacheco de Oliveira (actualização)

Em Portugal, o contributo relativo das energias renováveis para o consumo bruto de energia eléctrica (produção bruta + saldo importador) revela, estranhamente, dois números possíveis : o valor real e um valor fictício, supostamente oficial, que resulta da correcção do primeiro mediante um critério de conveniência à frente explicitado.

Vejamos os valores que podemos encontrar nos últimos anos, recuando até 2001 :

Em 2008, um contributo real de 27,8 % foi corrigido para 43,3 %.

Em 2007 um contributo real de 31,1 % foi corrigido para 42,7 %.

Em 2006, um contributo real de 30,6 % foi corrigido para 36,0 %.

Em 2005, um contributo real de 16,8 % foi corrigido para 35,9 %.

Em 2004, um contributo real de 25,2 % foi corrigido para 35,3 %.

Em 2003, um contributo real de 37,3 % foi corrigido para 34,6 %.

Em 2002, um contributo real de 21,8 % foi corrigido para 32,3 %.

Em 2001, um contributo real de 35,5 % foi corrigido para 36,2 %.

Em suma, com excepção do ano relativamente longínquo de 2003, os números oficiais têm sido sempre superiores aos números reais, em vários pontos percentuais. Um verdadeiro milagre das renováveis…

Os valores acima indicados foram retirados da página de internet da Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG), encontrando-se num documento em PDF, intitulado “Renováveis - Estatísticas Rápidas - Julho de 2009”, em que a DGEG explica (quase) tudo.

Este documento estatístico não é disponibilizado de uma forma imediata, nem deixa um link acessível. O visitante da página da DGEG tem de seguir as indicações “Estatísticas e Preços”, depois “Energias Renováveis”, depois ainda “Estatísticas Rápidas” e, finalmente, o ficheiro PDF. O mais recente, nesta data, diz respeito a Julho de 2009. (Nota : segundo informação do autor do blog "Ecotretas", a quem aqui se deixa um particular agradecimento, é possível aceder directamente ao documento da DGEG através deste link).

Na pág. 4 deste documento a DGEG diz o seguinte :

A incorporação de FER [Fontes de Energia Renovável] no consumo bruto de energia eléctrica, para efeitos da Directiva*, foi de 43% em 2008. Portugal continua a ser, em 2007, o terceiro país da União Europeia (UE15) com maior incorporação de energias renováveis.

Para “efeitos da Directiva” ! Trata-se da Directiva 2001/77/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Setembro de 2001, relativa à promoção da electricidade produzida a partir de fontes de energia renováveis no mercado interno da electricidade.

Em pé de página é descodificado o asterisco :

As metas indicativas da Directiva 2001/77/CE são para a parte da electricidade produzida a partir de fontes de energia renováveis no consumo bruto de electricidade em 2010 (Produção bruta + saldo importador). O cumprimento é calculado assumindo a mesma hidraulicidade do ano base relativamente à qual foi definida a meta (1997), em linha com as declarações no anexo e a posição nacional assumida durante a discussão da Directiva.

Ah, bom ! Os números oficiais são, então, para a União Europeia ver! E, obviamente, para o Governo embandeirar, uma vez que, com a excepção de 2003, as percentagens oficiais do contributo das energias renováveis, “para efeitos da Directiva”, são todas superiores aos valores efectivamente verificados !

Esta discrepância resulta de um critério bizarro que permite a manipulação dos números respeitantes à produção hidroeléctrica. E dizer bizarro já é ser simpático, pois tal critério não merece outra classificação senão a de puro ludíbrio. Mas que favorece as pretensões propagandísticas das autoridades nacionais, lá isso favorece, e bem.

De facto, quem não conhece o engenhoso critério e é confrontado com os números oficialmente anunciados é levado a acreditar que o actual Governo colocou Portugal na “linha da frente” das energias renováveis, um “feito” que o actual Primeiro Ministro não se cansa de referir e que o ex-ministro da Economia repetia com uma cara muito circunspecta, como se se tratasse de uma verdade científica.

A tal ponto a propaganda resultou que é frequente ler-se e ouvir-se elogios ao Governo acerca da política das energias renováveis, mesmo da parte de comentadores fortemente críticos da actual governação.

Como acima se observou, o documento com os valores estatísticos da DGEG não é disponibilizado de uma forma simples, o que leva a crer que pouca gente, para além dos especialistas do sector energético, tenha tido a oportunidade de observar as discrepâncias entre os números reais e os números oficializados. Isto, naturalmente, torna a vida fácil às entidades governamentais, que não se dão sequer ao trabalho de referir que o contributo relativo das energias renováveis, a que frequentemente se referem, não é o valor real, mas sim um número “corrigido” na secretaria.

A controversa correcção consiste em transformar o valor real da produção hidroeléctrica num valor virtual para efeitos de verificação do cumprimento, por parte de Portugal, da Directiva 2001/77/CE.

Na verdade, esta correcção não está prevista no articulado da Directiva, nem é satisfatoriamente justificada na nota de pé de página ao documento estatístico atrás referido, em que a DGEG diz que a correcção está em linha com as declarações no anexo e a posição nacional assumida durante a discussão da Directiva.

Repare-se : Com as declarações no anexo “e” a posição nacional… Acontece que as declarações no Anexo da Directiva traduzem a posição nacional. Aquele “e” significa o quê? Que houve mais alguma coisa dita pelos negociadores nacionais que não consta da Directiva? De concreto, a posição nacional é referida na Nota 4 ao Anexo da Directiva, nos seguintes termos :

(4) Ao tomar em consideração os valores de referência fixados no presente anexo, Portugal declara que, para manter como meta indicativa para 2010 a quota de 1997 de electricidade produzida a partir de fontes de energia renováveis, presume-se que:
- o plano nacional de electricidade poderá prosseguir a construção de nova capacidade hidroeléctrica superior a 10 MW,
- outro tipo de capacidade renovável, só possível mediante auxílios estatais, venha a aumentar a uma taxa anual oito vezes superior à verificada recentemente. Estas previsões implicam que a nova capacidade de produção de electricidade a partir de fontes de energia renováveis, com exclusão das grandes centrais hidroeléctricas, aumente a uma taxa duas vezes superior à do crescimento do consumo interno bruto de electricidade.

Não há aqui nada que justifique a correcção que tem sido levada à prática pelas entidades oficiais, e que consiste em converter o valor real da produção hidroeléctrica verificado num dado ano, num valor virtual, aquele que se verificaria caso o Índice de Produtibilidade Hidroeléctrica (IPH) desse ano fosse o IPH de 1997, o ano tomado como referência para efeitos da Directiva.

O Índice de Produtibilidade Hidroeléctrica depende da pluviosidade e, portanto, das afluências aos cursos de água em que se situam as centrais hidroeléctricas. O IPH traduz a razão entre dois possíveis valores da produção hidroeléctrica : a produção realizável com as afluências verificadas no ano em apreço (a produção efectiva pode ser concretizada com maior ou menor aproximação) e a produção hipotética que seria realizável com as afluências de um ano considerado médio. O regime hidrológico médio, a que corresponde IPH=1, é definido com base numa série histórica de várias dezenas de anos (actualmente são considerados os últimos quarenta anos).

Sucede que 1997, o ano de referência da Directiva, foi um ano chuvoso em Portugal, com um IPH=1,22. Trata-se de um IPH elevado, sendo pouco provável encontrar muitos anos com um IPH superior. E, de facto, em Portugal, entre 2001 e 2008, apenas em 2003 se verificou um IPH=1,33 superior ao IPH de referência.

Assim, se a produção hidroeléctrica de um dado ano for corrigida, proporcionalmente, para o valor virtual que se observaria caso a pluviosidade e as afluências desse ano fossem as mesmas de 1997, é provável encontrar uma maioria de valores corrigidos superiores aos valores reais, o que permite inflacionar o contributo oficial das energias renováveis no consumo bruto de energia eléctrica do país.

Por exemplo, 2008 foi um ano de fraca pluviosidade, com um IPH de 0,562 e uma produção hidroeléctrica real de 7.102 GWh. Se este valor for multiplicado por 1,22/0,562 obtém-se um valor virtual de 15.406 GWh (mais do dobro!), o que permite refazer os cálculos e transformar o contributo real das renováveis, que foi de 27,8 % , num contributo publicitário de 43,3 %...

Dito isto, justifica-se uma conjectura, respeitante à razão profunda por detrás desta situação.

É verdade que as energias renováveis estão na moda, pelo que qualquer governo que preste muita atenção à imagem, como é notoriamente o caso do actual, se sente na obrigação de apresentar grandes realizações no domínio das renováveis.

Mas existe uma razão subtil. A generalidade das pessoas associa a questão das energias renováveis à problemática do aquecimento global. Poucas se apercebem de que uma coisa não tem a ver com a outra, mas a realidade é que os alarmistas climáticos, auxiliados por um vasto conjunto de instituições internacionais e órgãos de comunicação social dirigidos por simpatizantes da causa, ou simplesmente ignorantes, conseguiram associar, de forma eficaz, as energias renováveis ao aquecimento global.

Como não podia deixar de ser, o elo de ligação entre os dois temas é o vilipendiado dióxido de carbono, um gás com efeito de estufa que é emitido durante a produção de energia através da queima de combustíveis fósseis, mas que será evitado se recorremos às benévolas energias renováveis.

Montado o cenário, basta massacrar os ouvidos do gentil público com o slogan : não aos combustíveis fósseis, sim às energias renováveis. Como se os combustíveis fósseis não tivessem os dias contados e o recurso às energias renováveis não fosse inevitável e, em si mesmo, uma opção com mérito, dispensando a propaganda alarmista do aquecimento global…

Claro que a produção pela via nuclear também não emite dióxido de carbono, mas essa opção costuma ser liminarmente rejeitada porque, em virtude do baixo preço da energia eléctrica assim obtida, muitas das negociatas das energias renováveis ficariam inconvenientemente comprometidas.

Dada esta associação entre o aquecimento global e as energias renováveis, não surpreende que as atoardas dos alarmistas em matéria de alterações climáticas se reflictam nas energias renováveis. Quem mente numa coisa, certamente não hesitará em mentir na outra.

De facto, em Portugal, as energias renováveis têm vindo a ser referidas de uma forma panfletária, susceptível de levantar muitas dúvidas. Sabendo-se que o actual Governo também se declara empenhado no combate às alterações climáticas, não admira que goste de se apresentar como campeão das renováveis. Na verdade, e como se viu, não passa de um campeão na secretaria.

_____________

(**) Este texto actualiza o que foi publicado em 31-08-2009

Sábado, Setembro 26, 2009

Sociedade Civil

O programa Sociedade Civil, do 2º canal da Radiotelevisão Portuguesa (RTP2), do dia 22 Setembro de 2009, precedeu a estreia do documentário "A Era da Estupidez?" importado dos EUA pela Quercus.

“A Era da Estupidez?” é um remake de “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore e aborda de novo as designadas “alterações climáticas”, desta feita fazendo profecias quanto à situação do Mundo em 2055. Ora, profecias, cada um faz as que quer, mas é bom que se diga que isto nada tem a ver com ciência.

Felizmente, no mesmo dia, o programa Sociedade Civil organizou um debate moderado pela apresentadora, Fernanda Freitas, em que participaram:

Francisco Ferreira, vice-presidente da Quercus.
Filipe Duarte Santos, Prof. de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
José Delgado Domingos, Prof. catedrático jubilado do Instituto Superior Técnico (sítio web).
Rui Moura, Engenheiro Electrotécnico, com mestrado em Meteorologia, responsável por este blogue.

A agenda do programa era ambiciosa. Pretendia-se discutir os seguintes subtemas:

- Erros ambientais cometidos no passado
- As soluções urgentes
- Resultados das ultimas conferências mundiais
- As alterações climáticas
- Aquecimento global: de quem é a responsabilidade?
- Papel do cidadão.

Como se pode verificar pelo vídeo anexo, o programa permitiu algum esclarecimento. Em particular o autor do MC congratula-se pelo facto de lhe ter sido possível deixar bem claro que o clima, por um lado, e o ambiente e a poluição, por outro lado, são realidades completamente distintas, acentuando que se o Homem tem influência no ambiente e na poluição, não tem a mínima possibilidade de influenciar o clima, pelo que, quaisquer alterações climáticas não são, nem serão, da responsabilidade do ser humano.

Cada um pode tirar as conclusões que entender ao assistir ao vídeo.

Apenas gostaríamos de destacar, pela negativa, a intervenção de Filipe Duarte Santos (FDS), apresentado como “especialista de alterações climáticas” e um dos altos responsáveis pela política climática do governo português, na medida em que dirige a “Comissão para as Alterações Climáticas”.

Além de não ter apresentado qualquer argumento sólido, FDS teve uma intervenção surpreendente e até mesmo lamentável ao afirmar que o discurso científico não é mais do que “um discurso social, entre outros”! Para uma pessoa com a sua formação, uma afirmação desta natureza revela uma grande confusão de espírito. E ainda mais quando FDS tentava chamar a si o privilégio do discurso científico, supostamente por oposição ao discurso dos dois participantes que o confrontavam, imagine-se, com argumentos científicos.

Em todo o caso, é de assinalar que a emissão deste programa, embora confinado a um canal televisivo de menor audiência, constituiu uma das poucas vezes em que foi possível romper a censura férrea imposta pela generalidade dos meios de comunicação social portugueses aos críticos da teoria dominante. Esperemos que outras oportunidades se proporcionem.

Sociedade Civil









Sexta-feira, Setembro 25, 2009

TOPEX-Poseidon

O avanço tecnológico da altimetria espacial permite, teoricamente, determinar o valor instantâneo do nível médio dos mares. Este último é então determinado por referência à órbita do satélite; a medida do tempo de percurso de uma onda radar entre a órbita e o oceano permite determinar a distância entre o mar e o satélite.

Efectuando a média de um número elevado de medidas deveríamos assim ter uma boa aproximação do nível médio dos mares. Tudo depende da precisão com a qual se determinará a órbita, e a qualidade das correcções necessárias.

A precisão do cálculo da órbita é de 3 cm a 4 cm em altitude a partir da utilização do programa TOPEX-Poseidon (ou Poséïdon), lançado em 1992; já a precisão das medidas dos satélites precedentes era considerada como insuficiente (1).

As correcções necessárias são devidas aos factores que podem afectar a velocidade de propagação do feixe radar. Trata-se nomeadamente:

- Da ionização da alta atmosfera, que pode arrastar uma correcção de 1 cm a 20 cm;
- Da humidade atmosférica, que pode necessitar de uma correcção de alguns decímetros;
- Da pressão atmosférica (uma variação de 1 hectopascal traduz-se por uma subsidência de 1 cm do nível da água);
- Da amplitude das marés (aproximadamente 2 m no meio dos oceanos, podendo ultrapassar 10 m junto das costas);
- Do efeito de carga ligado às marés, que pode traduzir-se por uma subsidência dos fundos marinhos de alguns centímetros.

Estas correcções são efectuadas graças à utilização de ondas radar de frequências diferentes, à utilização de aparelhos complementares embarcados nos satélites e ao emprego de algoritmos determinados por modelos matemáticos (2).

Realizadas todas as correcções, a Universidade de Colorado e o CNES [o mesmo satélite tem aparelhos de medida pertencentes aos EUA e à França, daí o nome TOPEX (EUA) – Poséïdon (França)] publicam a evolução recente do nível dos mares determinada a partir das medidas altimétricas dos satélites TOPEX-Poseidon e Jason.

Internacionalmente, é difundida a curva representada na Fig. 190 com valores TOPEX-Poseidon e Jason. Os que querem que o nível dos mares esteja a subir ficam radiantes pois a tendência linear parece dar-lhes razão. O IPCC é uma das organizações que aceita esta curva como boa.

Mas ela é criticável nomeadamente pela representação linear da tendência. De facto, é bem saliente que a curva apresenta saturação a partir de 2005, com descida a partir desde então. A saturação e a descida são aparentemente encobertas pelo alisamento linear.

Levanta-se uma questão curiosíssima. O IPCC não aceita a evolução das temperaturas registadas pelos satélites. Só aceita as medidas termométricas. Mas aceita as medidas dos satélites para a evolução do nível dos mares. Porque será?

Esta questão leva ao estudo comparativo das tecnologias dos satélites que fornecem evoluções das temperaturas e dos níveis dos mares. É o que o MC fará proximamente. É necessário determinar se os sistemas dos satélites são significativamente diferentes de modo a confiarmos num e não no outro.

Notas:
(1) Os satélites precedentes eram Seasat (1978), Geosat (1990), ERS (1991), os seguintes são Jason (2001), Envisat et GRACE.

(2) Consultar nomeadamente: Olympiades de Physique France.
http://olympiades-physique.in2p3.fr/

Fig. 190 - Medidas TOPEX-Poseidon e Jason. Fonte: Universidade de Colorado.

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Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Portugal e o nível do mar

O resumo do estudo “Evolução recente do nível médio do mar em Portugal” de J. M. Alveirinho Dias e Rui P. M. Taborda, de 1988, começa por afirmar:

Analisaram-se os dados das estações maregráficas com um mínimo de 10 anos de observações (Cascais, Lagos, Leixões, Lisboa e Angra do Heroísmo). Apenas duas destas estações (Cascais e Lagos) possuem registos suficientemente longos para possibilitarem a determinação da tendência secular de elevação do nível médio do mar com um mínimo de segurança. Os resultados obtidos para estas duas estações apontam para uma elevação média do nível referido, desde o início do século [XX], de 1,3 mm ± 0,1 mm e 1,5 mm ± 0,2 mm respectivamente.

Os autores acrescentaram ainda no resumo:

A análise dos dados referentes à estação de Cascais permitiu ainda dividir a série em dois domínios temporais: um, desde o final do século passado [XIX] até ao ano de 1920, em que a tendência é de pequena descida, e outro, posterior ao ano de 1920, em que a tendência é consistentemente de subida. Esta inflexão ao comportamento da série poderá estar relacionada com a transição da «Pequena Idade do Gelo», que terminou no final do século passado [XIX], para o episódio climático actual.

Aquelas médias anuais da orla costeira continental conformam-se com os vários valores apresentados anteriormente no MC para as médias globais determinadas por vários investigadores [ver (1), (2), (3) e (4)].

Os investigadores portugueses atrás referidos, anunciam no seu estudo, uma previsão de uma subida do nível do mar para Portugal continental de 0,14 m a 0,572 m até 2100. Estes valores seriam compatíveis com as previsões globais do IPCC anunciadas em 2007.

Todavia, as previsões para 2100 do projecto SIAM para Portugal são mais altas do que as globais. Não obstante o IPCC ter anunciado, em 2007, apenas 0,58 m para o valor mais alto, o SIAM indica valores compreendidos entre 0,5 m e 1 m.

Ou seja, enquanto Dias e Taborda apontem para Portugal continental, em 2100, uma previsão máxima (0,572 m) próxima da do IPCC (0,58 m), o SIAM vai até a um máximo de 1 m! É obra…

É caso para pensar que, do ponto de vista climático, seguindo os autores do SIAM, os portugueses escolheram para viver o pior dos rincões existentes no planeta…

Ou tratar-se-á apenas de resultados inflacionados para dar satisfação a responsáveis políticos ansiosos por previsões catastrofistas…?