domingo, Julho 04, 2010

In Memoriam

É com pesar que a família de Rui Gonçalo Moura anuncia a sua morte, aos 80 anos, que ocorreu no Domingo 27 de Junho de 2010, devido a complicações derivadas de uma intervenção cirúrgica.

Para além de um marido, pai e avô extremoso, amigo dedicado, que deixa eterna saudade entre os seus familiares e amigos, Rui Gonçalo Moura foi um Engenheiro e homem de Ciência brilhantes, com uma paixão pela verdade científica. Depois da graduação como melhor aluno do seu curso, no Instituto Superior Técnico (IST), em 1957, trabalhou durante 30 anos como engenheiro electrotécnico. Foi simultaneamente assistente e professor convidado da cadeira de Electrotecnia Teórica, Medidas Eléctricas e Alta Tensão do IST entre 1970 e 1976. Serviu na Comissão Europeia de 1987 a 1990 e na Comissão Técnica e Científica do Plano Energético Nacional de 1989 a 1992.

Depois da sua reforma, em 1992, dedicou-se ao estudo do clima, de forma a poder contribuir para um debate que considerava fundamental. Possuindo uma mente verdadeiramente brilhante, para além de se ter tornado um especialista em dinâmica do clima, aprendeu a comunicar efectivamente na era moderna, e criou este Blog em 2005. Conjuntamente com Jorge Pacheco Oliveira, traduziu o livro "A Ficção Científica de Al Gore", de Marlo Lewis Jr., publicado pela Booknomics, 2008.

Podemos ainda recordá-lo nas suas participações recentes em dois debates televisivos sobre alterações climáticas, no programa Sociedade Civil (RTP2) em 4 de Outubro de 2009 e no Expresso da Meia Noite (SIC) em 11 de Dezembro de 2009.

Agora que já não está fisicamente entre nós, este Blog faz parte do seu legado científico, e a sua contribuição para um debate científico sério da dinâmica climática não será esquecido. Como não será esquecida a sua luta contra o obscurantismo científico, venha este de onde vier.

Agradecemos sentidamente a todos os que nos fizeram chegar o seu pesar e uma mensagem amiga, bem como os posts que fazem referências à sua personalidade e trabalho que encontrámos.

Jornais:
Correio da Manhã, Expresso, Jornal i

Blogs:
Anovis anopheles, Antena cristã, Blasfémias, Ecotretas, Enclavado, Lodo, Minoria ruidosa, Moicanos, My web time, Pena e espada, Universidade de Coimbra



A Família

sexta-feira, Junho 04, 2010

Advertência

Por motivos de saúde, a frequência dos posts em MC tem sido reduzida nos últimos tempos. Voltará à frequência normal logo que as condições o permitam.

segunda-feira, Maio 31, 2010

História (quase) secreta do aquecimento global (2/6)

Por Geraldo Luís Lino

(continuação)

Na segunda metade da década de 1960, os estrategistas do Establishment transatlântico já se encontravam numa fase avançada da preparação da agenda de erradicação do “vírus do progresso”, com a sua substituição pelo conceito malthusiano dos “limites do crescimento”, para cuja promoção explícita foi criado o Clube de Roma, em 1968. A operacionalização do movimento ambientalista era uma peça fundamental da estratégia. [6]

Um dos principais centros organizativos do ambientalismo foi o Instituto Aspen de Estudos Humanísticos, sediado em Aspen (EUA), cuja figura central era Robert Orville Anderson, presidente da companhia petrolífera Atlantic Richfield, vinculada à Standard Oil, da família Rockefeller. Segundo Donald Gibson, o instituto “foi uma das primeiras organizações, se não a primeira, a começar a falar sobre a possibilidade de afstar os EUA do crescimento orientado pela ciência e a tecnologia”. [7] No conselho de administração do instituto, encontravam-se três nomes que viriam a desempenhar papéis cruciais na consolidação do ambientalismo: a antropóloga Margaret Mead; Robert McNmara, ex-secretário de Defesa dos EUA e futuro presidente do Banco Mundial (onde introduziu condicionantes ambientais aos empréstimos feitos pelo banco); e o canadense Maurice Strong, amigo particular de Anderson e que viria a se tornar a própria encarnação do “aquecimento”.

Em 1969, Anderson levou para a presidência do Instituto Aspen o ex-director de programas da Fundação Ford, Joseph Slater, que recrutou Thomas Wilson, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, para dirigir o programa ambiental do instituto. A primeira missão da dupla foi preparar uma vasta ofensiva organizativa nos dois lados do Atlântico, para colocar o ambientalismo na agenda política internacional. Por intermédio do embaixador sueco na ONU, Sverker Aastrom, Slater apresentou à Assembleia Geral da organização uma proposta para a realização de uma conferência internacional sobre o meio ambiente, a qual foi aprovada em 1970, depois de superar uma forte oposição dos países subdesenvolvidos, que já suspeitavam de que as preocupações ambientais poderiam implicar em obstáculos ao seu desenvolvimento econômico.

Em 1971, o mesmo grupo articulou a criação, em Londres, do Instituto Internacional para Assuntos Ambientais, depois renomeado Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED), que atuava em estreita coordenação com o Instituto Aspen. Entre os seus fundadores, encontravam-se Anderson, Wilson, Strong, McNamara, o futuro ministro do Interior britânico Roy Jenkins e a economista inglesa Barbara Ward. Nas décadas seguintes, o IIED desempenharia um papel de relevo na incorporação dos setores empresariais e políticos europeus à agenda ambientalista, sendo ainda hoje um ativo promotor das soluções de “mercado” para os problemas ambientais, em especial os relacionados às mudanças climáticas.

A Conferência das Nações Unidas para o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em junho de 1972, introduziu a temática ambiental nas relações internacionais, abrindo o caminho para a implementação da série de tratados internacionais que assinalaria o impulso ambientalista, Com a assessoria de Thomas Wilson, Maurice Strong foi o secretário-geral da conferência. [8]

O currículo de Strong, um self-made-man dotado de uma colossal capacidade de articulação e que abriu caminho para os escalões superiores do Establishment, é grande demais para sequer ser resumido aqui. Para os nossos propósitos, basta citar que ninguém o supera no papel de articulador do movimento ambientalista, atuando em numerosas posições de alto nível como empresário, funcionário do governo do Canadá, super burocrata da ONU, membro de conselhos de administração de fundações e ONGs e várias outras. Os leitores interessados podem completar a lista fazendo a sua própria pesquisa via Google ou consultando o livro da sua compatriota Elaine Dewar, Uma demão de verde, no qual é um dos principais protagonistas.

Antes de ser colocado à testa da Conferência de Estocolmo, Strong havia sido executivo-chefe da empresa de energia Power Corporation e participado diretamente da criação de dois órgãos oficiais do governo canadense dedicados à ajuda ao exterior, a Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (CIDA) e o Centro de Pesquisas sobre o Desenvolvimento Internacional (IDRC). Além disso, tinha numerosos vínculos de negócios com a família Rockefeller e Robert O. Anderson. Tais condições o colocavam em situação privilegiada para assumir o papel de “executivo-chefe” do movimento ambientalista em fase de internacionalização, inclusive com a sua incorporação ao aparelho das Nações Unidas.

Elaine Dewar descreve a atuação de Strong em Estocolmo: [9]

Quando a Conferência de Estocolmo foi instalada (iniciada), em 1972, Strong advertiu urgentemente sobre o advento do aquecimento global, a devastação das florestas, a perda da biodiversidade, os oceanos poluídos e a bomba-relógio populacional. Ele sugeriu um imposto sobre a movimentação de cada barril de petróleo e o uso desses fundos para criar uma grande burocracia da ONU, para chamar a atenção sobre a poluição onde quer que ela se encontrasse. Na medida em que eu lia esse velho discurso, eu compreendia que ele quase poderia ser repetido na Cúpula do Rio [em 1992]. Como essas mesmas questões poderiam estar na mesa vinte anos depois?

Um dos desdobramentos da Conferência de Estocolmo foi a criação do Programa das Nações Unidas par o Meio Ambiente (PNUMA), sendo que o primeiro diretor-executivo nomeado foi – Maurice Strong. No cargo, que ocupou até 1975, ele promoveu ativamente a popularização das supostas ameaças para a atmosfera, representadas pelo uso dos combustíveis fósseis e produtos químicos supostamente agressivos para a camada de ozónio – esta última, uma teoria alarmista que também dava os seus primeiros passos e seria crucial para a agenda ambientalista, como veremos adiante.

Em especial, Strong articulou uma aproximação do PNUMA com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), criando o arcabouço institucional para a “politização” dos temas climáticos, com um crescente envolvimento da comunidade científica e de representantes de ONGs ambientalistas, que, cada vez mais, eram envolvidas nos processos de formulação de políticas. Em um artigo publicado no jornal The Globe and Mail de Toronto, em 7 de Março de 2007, ele próprio recorda a sua intervenção na agenda climática: [10]

Como alguém cujo papel na colocação do tema das mudanças climáticas na agenda pública está sendo alvo de críticas, eu me apresso em confessá-lo. Como o primeiro diretor do PNUMA, eu convoquei uma reunião de especialistas em mudanças climáticas mais de 30 anos atrás. Em 1992, eu encabecei am Cúpula da Terra [conferência Rio-92], que produziu a Convenção sobre Mudanças Climáticas, e estive envolvido em Kyoto, quando foi acertado o contencioso protocolo das metas. (…)

No PNUMA, Strong também se ocupou com a possibilidade de danos ao ozónio estratosférico causados por atividades humanas – primeiro, gases emitidos por jatos supersónicos e, depois, a versátil famílias de produtos químicos conhecida como clorofluorcarbonos (CFCs), com dúzias de aplicações. Strong levantou o assunto aja na primeira reunião do conselho diretor do órgão e, em 1975, o PNUMA iniciou um programa para avaliar os riscos para a camada do ozónio. Em paralelo, o Natural Resources Defense Council (NRDC), ONG criada em 1970 pela Fundação Ford, lançou uma campanha pelo banimento dos CFCs. [11] Um dos fundadores do NRDC foi o biólogo George Woodwell, que já era um veterano cientista-ambientalista, tendo participado ativamente da campanha que levou ao banimento do DDT pela Agência de de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA, em 1973. [12] Como veremos adiante, Woodwell viria a desempenhar um papel destacado na campanha “aquecimentista”, *
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* Em 1985, Woodwell fundou o Instituto de Pesquisas Woods Hole (não confundir com o Instituto Oceanográfico Woods Hole), conhecido dos brasileiros por suas frequentes investidas contra projetos de infra-estrutura na Região Amazónica, por intermédio de sua filial local, o Instituto de Pesquisa da Amazónia (IPAM). [13]

(continua)
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6. Executive Intelligence Review, Profile of the Environmental Conspiracy, 1965-1980, New York, s/d pp. 8-19.
7. Donald Gibson, op. cit., p.93.
8. Lorenzo Carrasco, op. cit., pp. 53-55.
9. Elaine Dewar, Uma demão de verde: os laços entre grupos ambientais, governos e grandes negócios. Rio de Janeiro: Capax Dei, 2007, pp. 283-84.
10. Maurice Strong, “A Super-Agency?”, The Globe and Mail, 7/03/2007, p. A15.
11. Stephen O. Andersen, K. Madhava Sama e Lani Sinclair, Protecting the Ozone Layer: The United Nations Story. London: Earthscan Publications, 2002, pp. 44-46.
12. Sobre a campanha para o banimento do DDT, ver: Geraldo Luís Lino et alii, Máfia Verde 2, pp. 213-17; tb. Elizabeth M. Whelan, Toxic Terror. Ottawa: Jameson Books, 1985, pp. 59-85.
13. Lorenzo Carrasco, op. cit., pp. 123-24.
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Do livro «A fraude do aquecimento global», Capax Dei, Rio de Janeiro, 2009, 165 pág., ISBN 978-85-98059-12-9.

quarta-feira, Maio 26, 2010

Quarta Conferência Internacional do Clima

Nos dias 16, 17 e 18 de Maio p.p. realizou-se, em Chicago, EUA, a 4ª Conferência Internacional do Clima. Já é possível ter acesso às intervenções de alguns dos convidados através de um link do Heartland Institute, organizador do acontecimento.

Para o efeito, deve-se escolher o orador convidado clicando no rectângulo respectivo dos que se encontram espalhados no link. As intervenções duram, aproximadamente, entre 15 minutos e uma hora.

Participaram mais de 400 pessoas de todo o mundo, incluindo dois defensores do aquecimento antropogénico que aceitaram o convite da organização para participar num debate alargado a toda a gente disposta a discutir ciência climática.

Foi o caso do Dr. Scott Denning, da Universidade do Colorado, e de Tam Hunte, da UC Santa Barbara’s School of Environmental Science & Management, que aceitaram o convite para participar nos debates.

Porém, outros não aceitaram o convite para discutir ciência climática. Foi o caso dos conhecidos patrocinadores da tese do aquecimento global de origem antropogénica: Gavin Schmidt, James Hansen, Michael Mann, Phil Jones e William Schlesinger.

terça-feira, Maio 25, 2010

Manifesto à espanhola

Por Jorge Pacheco de Oliveira

O “Manifesto por uma nova política energética em Portugal”, de que fui um dos subscritores, recebeu variadas e fortíssimas críticas mal viu a luz do dia.

Duas dessas críticas até apareceram nos jornais ainda antes de o texto ter sido divulgado ao público pelos seus autores! Com efeito, a partir de uma versão – por sinal clandestina e não definitiva – publicada na página de internet do semanário Expresso, quer o ex-ministro Manuel Pinho, quer o ex-Presidente da ERSE, Jorge Vasconcelos, entenderam publicar artigos demolidores contra o Manifesto.

Não era necessário muito mais para se perceber que o Manifesto tinha tocado interesses poderosos, mas enfim, isso já à partida se sabia. O que não se previa era que a resposta fosse tão pronta e tão orquestrada.

De facto, num período de muito poucos dias após a divulgação pública do Manifesto apareceu nos jornais uma multiplicidade de artigos críticos. O que se tornou espantoso verificar foi que, numa primeira vaga de assalto, a maioria desses artigos provinha, imagine-se, dos próprios responsáveis dos órgãos de comunicação social e seus colunistas, pessoas sem qualquer currículo na área de energia.

Por exemplo, Pedro Santos Guerreiro (Director do Jornal de Negócios), Bruno Proença (Director Executivo do Diário Económico), Nicolau Santos (Subdirector do Expresso), Ricardo David Lopes (colunista do semanário Sol), Camilo Lourenço (colunista do Jornal de Negócios), nenhum destes “especialistas” do sector energético perdeu tempo em desqualificar o Manifesto e até mesmo os seus subscritores. Da minha parte, todos eles levaram que contar. Uns ignoraram, outros responderam de forma cordata e apenas um deles de forma malcriada. Vá lá...

De facto, um dos sabichões sentenciou, de forma indignada: “É impressionante a desonestidade intelectual de algumas "verdades" do Manifesto (...)”. Outros, que nem sequer leram o texto com atenção, mas como conheciam as preferências pela opção nuclear de alguns dos subscritores do Manifesto, deram por adquirido que o documento contemplaria uma proposta nesse sentido. Azar deles, o Manifesto nem sequer contém o termo “nuclear”. Mas isso não impediu que outro dos sábios da comunicação social começasse o seu comentário com esta preciosidade : “um grupo de 33 membros da sociedade civil veio esta semana defender a implementação da energia nuclear em Portugal”.

Enfim, se tudo isto não fosse revelador da teia de cumplicidades que dominam a vida pública e económica nacional, estas patetices até seriam divertidas.

Ironia das ironias, o que toda esta classe de críticos iluminados não previa era que o Manifesto português encontrasse eco tão rapidamente na vizinha Espanha. Obviamente, não por seguidismo do nosso, mas por obra e graça dos mesmíssimos motivos : os preços exorbitantes da energia eléctrica de origem eólica e fotovoltaica tornaram-se insuportáveis.

É claro que em Espanha estas coisas são tratadas com um vigor que não encontra paralelo no remanso dos costumes nacionais. E em Espanha, a comunicação social não contribui da mesma forma que a nossa para “adormecer” os seus leitores.

Sintomaticamente, os responsáveis dos nossos órgãos de comunicação social e os seus colunistas, que tão atentos se revelaram em relação ao Manifesto, mostram-se agora muito distraídos relativamente à ruidosa contestação das renováveis que está em curso em Espanha.

Os artigos publicados na imprensa espanhola têm sido muitos. Um dos últimos, España admite que la economía verde que vendió a Obama es una ruina, tem um elucidativo sub-título : El Gobierno español filtra un informe que reconoce las nefastas consecuencias económicas de la apuesta por las energías renovables.

Conforme se pode ler, Zapatero começou por ficar furioso com um estudo da Universidade Rey Juan Carlos, de Março de 2009, que denunciava os perigosos efeitos sobre o emprego que poderiam decorrer do apoio governamental às energias renováveis.

Não admira a fúria de Zapatero. Com o título em inglês Study of the effects on employment of public aid to renewable energy sources esse estudo até aconselhava o Presidente dos EUA, Barack Obama, a não seguir o exemplo de Espanha...

Como seria de esperar, o estudo foi "demonizado" pelo governo de Zapatero e à boa maneira socialista o respectivo coordenador, Gabriel Calzada, chegou a ser publicamente hostilizado.

No entanto, agora que a crise financeira veio impor fortes medidas restritivas, é o próprio governo de Zapatero que deixa escapar um documento interno que recupera as conclusões do mesmo estudo para ver se põe um travão aos sobrecustos das renováveis.

Quase se poderia dizer que estamos perante um Manifesto “à espanhola”...!

Em Espanha o rebuliço é enorme, mas a comunicação social portuguesa ainda não deu por nada. Não surpreende. Vejamos porquê. A nossa comunicação social muito raramente divulga críticas às teses oficiais do aquecimento global. Chega a ignorar acontecimentos que fazem furor mediático no estrangeiro.

Ora, o Governo português perfilha claramente as teses do aquecimento global e a generalidade dos dirigentes da nossa comunicação social, por convicção, por ignorância ou por qualquer outro motivo menos confessável, alinha com o Governo na defesa das teses do IPCC.

Sabendo-se que a motivação fundamental da política de apoio às energias renováveis do Governo português é o putativo combate ao aquecimento global, quando a nossa comunicação social promove um ataque cerrado aos que se atrevem a tocar nas energias renováveis, como aconteceu no caso do Manifesto, ou quando ignora olimpicamente as duras críticas às energias renováveis em curso na vizinha Espanha, está a cumprir exactamente o mesmo desígnio.

História (quase) secreta do aquecimento global (1/6)

Por Geraldo Luís Lino

A presente histeria mundial em torno do aquecimento global e a mobilização política articulada para “controlar” os seus alegados efeitos têm motivações bastante diferentes daquelas estabelecidas pelo papel e as responsabilidades da ciência como mola propulsora do progresso da humanidade. O fato é que uma legítima indagação científica sobre as funções do dióxido de carbono para o clima e a contribuição humana para o aumento das suas concentrações na atmosfera, que remonta ao século XIX, se viu alçada à condição de obsessão mundial e convertida numa pauta política que ameaça afetar drasticamente a matriz energética e os níveis de vida de todas as nações do planeta.

Tal processo pouco tem a ver com a ciência em si, mas com a captura de fenômenos atmosféricos, como as mudanças de temperaturas e o “buraco” na camada de ozónio, pela agenda ambientalista do Establishment (classe dirigente) anglo-americano. As motivações para a colocação em marcha desse processo remontam à década de 1950, quando a humanidade, como um todo, experimentava o período de mais rápida expansão do seu desenvolvimento socioeconómico. Tal impulso foi proporcionado pela reconstrução econômica do pós-guerra, o processo de descolonização na Ásia e na África e o arcabouço financeiro e monetário relativamente estável proporcionado pelo Sistema de Bretton Woods.

Ao mesmo tempo, uma série de conquistas científico-tecnológicas contribuía para disseminar um intenso otimismo cultural: a “Revolução Verde” das variedades vegetais alimentícias de alto rendimento, os avanços da medicina e da saúde pública, as telecomunicações, as perspectivas de uso pacífico da energia nuclear, a corrida espacial e outras. Naquele momento, a palavra de ordem era industrialização, principalmente entre os países subdesenvolvidos, muitos dos quais contemplavam ambiciosos planos de modernização econômica baseados na indústria. Em 1957, o comércio mundial de produtos industrializados superou, pela primeira vez, o de produtos primários e alimentos. Entre 1953 e 1963, a participação dos países subdesenvolvidos na produção industrial mundial subiu de 6,5 % para 9 %, uma alta de quase 50 %, com tendência ascendente. [1]

Foi nesse contexto que certos setores do Establishment anglo-americano, que desde o início do século XX promoviam iniciativas que visavam o controle social, como a eugenia (“melhoramento racial”) e o controle demográfico, colocaram em marcha o movimento ambientalista, com a criação de grandes ONGs internacionais como a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) e a Fundação Conservação (Conservation Foundation), as “sementes” da vasta rede de organizações que integram hoje o aparato “verde”.

O sociólogo Donald Gibson, da Universidade de Pittsburgh, que esbarrou no ambientalismo durante as suas pesquisas sobre o contexto do assassinato do presidente estadunidense John F. Kennedy (1961-63), descreve: [2]

No final da década de 1950 e início da de 1960, uma antiga inclinação existente entre alguns membros da classe superior estava prestes a se tornar um assunto nacional.

Esta inclinação iria redefinir as conquistas da ciência e da tecnologia como ações malignas que ameaçavam a natureza ou como fúteis tentativas de reduzir o sofrimento humano, que, diziam, era o resultado da superpopulação.

Essa tendência, em parte articulada como uma visão de mundo nos escritos de Thomas Malthus, toma o que podem ser preocupações razoáveis sobre temas como a qualidade do ar e da água e as reveste de uma ideologia profundamente hostil ao progresso econômico e à maioria dos seres humanos…

O impulso geral era claro: os EUA e o mundo deveriam se mover para acabar com o crescimento populacional e a proteção do meio ambiente deveria receber uma importância igual ou maior do que a melhoria dos níveis de vida… O crescimento econômico e a tecnologia eram vistos como problemas. (…)

Em síntese, a estratégia hegemônica do Establishmenet oligárquico visava, basicamente: 1) transferir o controle dos processos de desenvolvimento, dos Estados nacionais para entidades supranacionais e não-governamentais, consolidando estruturas de “governo mundial” (ou “governança global”); 2) erradicar o “vírus do progresso” entre os estratos educados das sociedades de todo o mundo, com a difusão do irracionalismo e da descrença nas conquistas científico-tecnológicas como motores do desenvolvimento; 3) reduzir o crescimento da população mundial; e 4) controlar uma grande proporção dos recursos naturais do planeta. [3]

Por esses motivos, não admira que a agenda ambientalista não priorize os grandes problemas ambientais realmente enfrentados pela maioria da população mundial. Em vez disto, por exemplo, os “verdes” têm em seu currículo: o banimento do inseticida DDT, responsável pela preservação de literalmente centenas de milhões de vidas em todo o mundo, evitando que fossem vitimadas por doenças transmitidas por insetos; o banimento dos clorofuorcarbonos (CFCs), versáteis produtos químicos que possibilitaram a popularização da refrigeração e seus incontáveis benefícios; um atraso de décadas nos usos pacíficos da energia nuclear; a obstaculização de incontáveis projetos de infra-estrutura energéticos e viários; e outras façanhas de igual calibre. Enfim, quase invariavelmente, os alvos principais das suas ruidosas campanhas têm sido elementos que são sinónimo de bem-estar e progresso, principalmente nos países em desenvolvimento.

Desde as fases iniciais da formação do movimento, o potencial de utilização dos fenômenos atmosféricos para a sua agenda antidesenvolvimento não passou despercebido pelos mentores do ambientalismo. Por isso, propostas como estabelecimento de uma legislação internacional referente aos impactos das atividades humanas na atmosfera, a criação de um organismo supranacional para implementá-la e a imposição de custos adicionais na utilização de combustíveis fósseis, como impostos ou, até mesmo, o estabelecimento de cotas de emissões de CO2, vêm sendo discutidas há décadas e nada têm de novidades.

Já em 1963, a Fundação Conservação patrocinou uma conferência sobre as “Implicações do crescente conteúdo de dióxido de carbono da atmosfera”, a qual foi presidida por Charles David Keeling. O relatório da conferência alertava que a duplicação do CO2 prevista para o século XXI poderia provocar uma elevação de até 4 ºC nas temperaturas, o que provocaria o derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, inundação de áreas costeiras e outros problemas cuja descrição se tornaria lugar comum nos prognósticos catastrofistas sobre o assunto. [4]

Em contraste, no mesmo ano, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) convocou uma conferência em Roma para discutir os efeitos do “resfriamento global” sobre a produção mundial de alimentos. O principal especialista ouvido foi o climatologista inglês Hubert H. Lamb, diretor do Centro de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia e um renomado especialista dos climas do passado (além de opositor da tese simplista de que o CO2 teria uma influência determinante no clima). [5]

(continua)
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1. F. William Engdahl, A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order. Wiesbaden: Dr. Böttiger Verlags, 1933, pp.120-21.
2. Donald Gibson, Battling Wall Street: The Kennedy Presidency. New York: Sheridan Square Press, 1994, pp. 87, 121.
3. Para uma apreciação geral das origens e objetivos do ambientalismo, ver: Lorenzo Carrasco, Máfia Verde, capítulos 1 a 3.
4. Spencer R. Weart, The Discovery of Global Warming, p. 42.
5. Christopher C. Horner, Red Hot Lies: How Global Warming Alarmists Use Threats, Fraud and Deception. Washington: Regnery Publishing, 2008, p.32.
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Do livro «A fraude do aquecimento global», Capax Dei, Rio de Janeiro, 2009, 165 pág., ISBN 978-85-98059-12-9.

sexta-feira, Maio 21, 2010

Pachauri confessa-se?

No dealbar da escrita de mais uma ficção científica - a preparação do 5º relatório do IPCC, a emitir em 2013 - o patético chairman do IPCC falou à BBC.

Há alguns anos esta emissora tinha alguma credibilidade. Hoje dedica-se a propagar a mentira do “aquecimento global”. Na entrevista de Rajendra Pachauri este, como sempre, apresentou-se como um verdadeiro hipócrita.

Logo de entrada diz uma mentira grosseira: We have not been effective at telling the public, 'yes, we made a mistake', but that does not change the fact that the glaciers are melting.

De facto, o IPCC não cometeu apenas um erro. Cometeu um chorrilho deles. Ver, por exemplo, Donna Laframboise (aqui, aqui e aqui). Além disso, Pachauri esqueceu-se de dizer que se os glaciares recuam é porque estamos num período interglacial.

O recuo, provavelmente, pouco ou nada tem a ver com o “aquecimento global”. Tem mais a ver com as aglutinações anticiclónicas, realidade que Rajendra nem faz a mínima ideia do que seja.

Mesmo assim, outros glaciares avançam, como acontece com os escandinavos. E de há dois ou três anos para cá o Árctico registou aumentos da área gelada. Mas Rajendra mente pois a verdade não lhe convém.

Nesta peça da BBC, Rajendra Pachauri simulou a ideia de que o IPCC vai mudar de atitude e incluir a audição dos críticos. Mas quais críticos?

Ele designa os críticos pejorativamente como deniers (negacionistas). Parece que vai mudar para tudo continuar na mesma. Diz com razão um dos leitores do MC:

O problema deles não é só os sinais de variabilidade climática, como degelo ou não degelo, mas o facto de terem já estabelecido à partida que o CO2, por ser um gás de estufa, é necessariamente o principal, e talvez o único, responsável pela variabilidade climática nos últimos 100 ou 150 anos.

Como é que provam isso? O aumento da concentração de CO2 em paralelo com o aumento da temperatura média (que não foi sempre em paralelo) é uma causa ou uma coincidência?

Podia a temperatura média dos últimos 150 anos continuar a baixar sabendo que se tinha saído da pequena idade do gelo? Não tinha que subir necessariamente?

A entrevista à BBC é de uma confrangedora mediocridade. Eis um pequeno resumo de alguns dos IPCCGates que Pachauri se “esqueceu” de mencionar: ClimateGate, FOIGate, ChinaGate, PachauriGate, PachauriGate II, SternGate, SternGate II, AmazonGate, PeerReviewGate, RussiaGate, Russia-Gate II, U.S.Gate, IceGate, ResearchGate, ReefGate, AfricaGate, DutchGate, AlaskaGate.

quarta-feira, Maio 19, 2010

Manifesto : Uma resposta a António Costa Silva

Por Jorge Pacheco de Oliveira

Num artigo com o inusitado título “Energia : o plágio dos orangotangos”, o semanário Expresso de 15/05/2010 publicou a réplica do Prof. António Costa Silva (ACS) à crítica que lhe foi dirigida, duas semanas antes, pelo Prof. Clemente Pedro Nunes (CPN), num artigo em que este respondia a anteriores críticas de ACS ao “Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal”, e que ACS, nesta réplica, designa, maliciosamente, por "Manifesto contra as Energias Renováveis". De facto, começa bem...

Não conhecia esta faceta truculenta de ACS, uma figura aparentemente simpática e cordata quando aparece nos ecrans de televisão, mas é bem verdade que na pele do cordeiro pode esconder-se um feroz leão. Ou, porventura, um ameaçador orangotango.

Acontece que a argumentação de ACS é errada e enganadora e sendo eu um dos subscritores do Manifesto não posso deixar de comentar o seu contundente artigo. Outras respostas certamente lhe serão dadas pelos mais directos visados, no mesmo ou noutros órgãos de comunicação social, pois, além de CPN, também Mira Amaral é duramente atingido pela verve cáustica de ACS.

Em primeiro lugar, contrariamente ao que afirma ACS, nenhum dos subscritores do Manifesto alguma vez declarou rejeitar as energias renováveis. Nem o texto do Manifesto contem qualquer afirmação nesse sentido.

O que se lê no Manifesto, e vale a pena recordar, pois se trata da principal linha de argumentação, é que “A subsidiação concedida aos produtores de energias renováveis é excessiva e contribui para agravar de forma injustificada os preços da energia eléctrica ao consumidor final”.

E lê-se ainda que “A subsidiação do sobrecusto das energias renováveis não pode constituir uma prática permanente. Apenas se justifica por períodos de tempo iniciais, muito limitados, para viabilizar actividades nascentes que revelem alguma perspectiva de se constituírem como formas competitivas de produção”.

A lógica desta argumentação é suficientemente sólida. Se ACS não a entende, o problema é dele e não dos subscritores do Manifesto.

Com tom indignado, ACS rejeita a "insinuação" de CPN acerca de uma putativa ligação sua a empresas de energias renováveis e esclarece os leitores de que é apenas gestor de uma empresa de petróleo e gás, a qual, por sinal, tem investimentos na energia eólica, mas ele, ACS, não tem nada a ver com a gestão desses investimentos. Com certeza, estamos conversados. E habituados a argumentos deste género...

De seguida, ACS perde-se na refutação dos números avançados por CPN. Neste aspecto ACS terá uma resposta por outra via, pelo que importa aqui salientar que é descabida a acusação de ACS de que o Manifesto está cheio de erros de palmatória. O que constitui um erro de palmatória é a afirmação de ACS de que “o défice tarifário tem mais de dez parcelas diferentes”. Não é nada disto !

O défice tarifário é apenas a diferença aritmética entre o valor total que os consumidores deveriam pagar se as tarifas respeitassem os aumentos preconizados pela ERSE e o valor que resulta de uma intervenção do Governo quando impõe limites a esses aumentos e leva os consumidores a pagar a diferença ao longo de vários anos, com juros obviamente.

Se ACS quer encontrar dez parcelas nesta diferença, mais uma vez o problema é dele. Com a sua irónica observação, ACS acaba por revelar que não sabe o que é o défice tarifário, confundindo-o com os chamados Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) os quais, bem ou mal (no meu entender, mais mal do que bem), e tal como muitos outros custos, são incorporados nas tarifas. É nos CIEG que se encontram incluídos os sobrecustos da Produção em Regime Especial (PRE), cuja componente mais significativa corresponde à energia eólica. É claro que os CIEG contribuem para agravar a factura de electricidade dos portugueses, mas daí dizer que os CIEG são o défice tarifário vai alguma diferença...

A asserção de ACS de que Mira Amaral, em 1994, negociou, para as centrais do Pego e da Tapada do Outeiro, Contratos de Aquisição de Energia (CAE) com preços muito generosos, além de insidiosa é disparatada. Embora não tenha procuração do próprio, posso dizer que Mira Amaral não negociou qualquer CAE em particular. E sei, porque estive próximo do processo, que os CAE para aquelas duas centrais não se distinguem dos que foram estabelecidos para as centrais térmicas da EDP.

Todavia, se ACS quer dizer que estes contratos se revelaram muito favoráveis às empresas produtoras, isso é verdade, mas para todas e não apenas para as duas que mencionou, pois todas elas souberam gerir as suas centrais com grande eficácia de modo a alcançarem índices de disponibilidade nunca antes observados. Esta questão dos CAE levava-nos longe, mas para o efeito podemos ficar por aqui.

No que respeita à bombagem hidroeléctrica, a argumentação de ACS é desonesta. Por muito que ACS e outros críticos do Manifesto queiram desviar as atenções, a chamada complementaridade hídrica-eólica é, de facto, um expediente destinado a promover os interesses dos produtores eólicos e, de caminho, os das empresas concessionárias das barragens com albufeira, dotadas de grupos reversíveis.

Com efeito, perante o conjunto de parques eólicos existentes, a que acresce o número de parques planeados, a produção eléctrica de origem eólica pode ser, e será certamente excessiva durante algumas horas do dia e, sobretudo, da noite, em que os consumos mais se reduzem, ultrapassando largamente as necessidades de energia eléctrica do país. Como a energia eléctrica não é armazenável, caso não exista consumo para essa energia excedentária os produtores eólicos não poderão ligar-se à rede. Ora, a instalação de um maior número de grupos hidroeléctricos reversíveis vem proporcionar o consumo adicional necessário e se não constitui uma resposta aos interesses dos produtores eólicos, pelo menos parece.

Perguntar-se-á : mas não será lógico e defensável aproveitar e guardar a energia excedentária? Sim, seria, se essa energia tivesse preços aceitáveis. Só que não tem. Pelo contrário, tem preços exorbitantes, muito acima dos valores de mercado e garantidos por uma legislação que prejudica os consumidores.

É claro que os concessionários das barragens não perdem nada com o assunto. E até ganham, caso contrário não entrariam no esquema de forma tão entusiástica. Pudera. A energia consumida na bombagem não é paga por eles ao preço exorbitante das eólicas. É paga ao preço que vigorar no mercado, sempre inferior ao preço das eólicas, sobretudo durante a noite, em que poderá chegar a valores nulos ou próximos disso. Depois, podem turbinar às horas em que o preço de mercado venha compensar largamente os custos da bombagem e as perdas naturais do processo. Os consumidores, esses é que não ganham nada com o esquema, pois vão ter de pagar, com língua de palmo, os sobrecustos da energia eólica que é injectada na rede durante os períodos em que se revela excessiva e desnecessária.

Finalmente, como subscritor do Manifesto lamento que o Prof. António Costa Silva tenha tido a deselegância de classificar como “plágio do orangotango” uma intervenção cívica que apenas visava a denúncia e correcção de um conjunto de práticas que são lesivas da generalidade dos consumidores de energia eléctrica, o mesmo é dizer, da generalidade dos portugueses.

Recomendaria, por isso, ao Prof. António Costa Silva que, para além da citação de consonâncias simiescas a que recorreu, meditasse na resposta do biólogo Thomas Huxley ao bispo Samuel Wilberforce quando este, seis meses após a publicação da “Origem das Espécies”, perante umas centenas de pessoas reunidas no átrio da Universidade de Oxford, se referiu a Charles Darwin de uma forma sarcástica e grosseira. É fácil encontrar na internet.

Uma última observação :

Se os órgãos de comunicação social nacionais tivessem a isenção que deveriam ter - e não têm, como já se observou pela forma deliberada como ocultaram quase toda a informação crítica da tese oficial do aquecimento global - estariam agora a dar aos portugueses informação completa acerca do que está a ocorrer aqui mesmo ao lado, em Espanha, onde as energias renováveis, em particular a eólica, começaram a ser postas em causa de uma forma muito dura, precisamente pelos mesmos motivos que levaram os subscritores do Manifesto a tomar uma posição pública. Por sinal até foi antes dos espanhóis, mas para o efeito tanto faz.

António Costa Silva. Fonte "Expresso".

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segunda-feira, Maio 17, 2010

Inverno 2009-2010 (5)

[Tradução de parte da análise de Jean Martin]

(continuação e finalização)

4) Em que estado se encontram as extensões de gelo nos dois Pólos?

Como é sabido, são muito numerosos os que anunciam que o Pólo Norte estaria muito próximo de ficar liberto de gelo. Instituições, como a NASA e bastantes outras, têm avançado prazos variando entre alguns anos e algumas décadas.

Vários governos do planeta, muito confiantes nestas predições (previsões, cenários), nomearam até “embaixadores dos Pólos”. Foram encarregados de discutir com representantes de outros países a propriedade de diferentes porções do Oceano Árctico.

O Árctico, tornado liberto de gelo, constituiria uma enorme reserva, tornada acessível, de petróleo e de gás… O embaixador dos Pólos francês é o sr. Michel Rocard [Primeiro Ministro de França entre 1988 e 1991].

[…] O que foi notável no comportamento primaveril [de 2010] do gelo do mar árctico foi a sua relutância em começar a fundir-se, como faz normalmente a partir do início do mês de Março. [Jean Martin apresenta uma curva semelhante à Fig. 197].

Foi necessário esperar praticamente um mês (até 31 de Março) para que se decidisse a fazê-lo. Durante aquele período assistimos a um aumento da superfície do gelo em vez de uma diminuição.

Se a extensão do mar gelado não atingiu a média dos anos 1979-2000, aproximou-se bastante. Eis que, este facto, não pressagia uma fusão acelerada todavia prevista, por certas pessoas, para um Verão próximo.

De notar que se tratou da fusão mais tardia que se conhece desde que se iniciaram as observações [por satélites] em 1979, segundo o NSIDC – National Snow and Ice Data Center.

Ninguém previu este comportamento tranquilizante e inabitual. E, como usualmente, nenhum dos nossos grandes media, nenhum órgão de imprensa – sempre prontos a anunciar (ou mesmo a antecipar) as más notícias – deu esta boa nova:

A superfície do mar gelado árctico quase que atingiu a média de 1979-2000! E começou a fundir apenas com quase um mês de atraso. Jean-Louis Etienne talvez tenha visto através do nevoeiro, do alto do seu balão, uma extensão imensa de gelo…

Encontra-se no blogue de Anthony Watts um estudo comparativo bastante minucioso entre dados de diferentes instituições (NANSEN Roos, etc.) que apresentaram resultados ligeiramente diferentes para os dias 6 e 7 de Abril… Mas tratou-se talvez de uma matéria de reactualização de dados [ironia de JeanMartin].

Contudo, o comportamento do mar gelado no ano anterior já anunciava uma boa evolução. A Fig. JM5 corresponde aproximadamente à mesma época, de há quase um ano, isto é, finais de Abril de 2009.

Manifestamente, a fusão do gelo na Primavera de 2009 era já nitidamente menos rápida do que a de 2007 e mesmo menos rápida do que a média 1979-2000. No ano passado, a extensão de gelo, ainda que em período de fusão, quase atingiu a normal 1979-2000 no final do mês de Abril.

Com efeito, a fusão do gelo no Verão de 2009 foi menos pronunciada do que a de 2008 que, por sua vez, fora menos pronunciada que a de 2007. O que não impediu um determinado órgão de comunicação social (Libération) de nos anunciar, em Setembro de 2009, (sem mostrar as curvas necessárias), que a fusão do Árctico acelerou!

Entretanto, do outro lado do planeta, o Pólo Sul estava no Verão austral. A Fig. JM6 mostra a evolução da extensão do mar gelado antárctico que rodeia o vasto continente, segundo o NSIDC.

Como se verifica, o ano de 2009 conheceu uma extensão de gelo superior à média. Aconteceu o mesmo nalguns anos precedentes. Dito de outra maneira, enquanto que o mar árctico estava no seu mínimo [minimorum] de extensão em Setembro de 2007 o mar gelado antárctico estava próximo do seu máximo [maximorum] de extensão, bem superior à média de 1979-2000.

Relativamente ao Verão-Outono austral, Janeiro-Abril 2010, como se pode ver na Fig. JM6, durante a fusão e durante o reenchimento do gelo verificou-se uma evolução seguindo, praticamente, a média. Ou seja, nada de alarmante neste lado [do planeta].

Possivelmente, estamos a assistir ao fenómeno bem conhecido dos glaciólogos-geólogos, mas inexplicável (salvo, talvez, para [o cosmoclimatologista] Svensmark), do designado “polar sea-saw”: báscula polar que faz com que quando um Pólo aquece o outro arrefece, de modo periódico…

[Esta báscula] corresponde à ideia, muito contestada, de que a superfície do mar gelado estaria correlacionada com as variações de temperatura do ar e não, como muitos pensam agora (como Vicky Pope [do MetOffice]), com as oscilações oceânicas.

É também muito provável que o reforço muito particular do mar gelado árctico esteja ligado à fase negativa da AMOAtlantic Multidecadal Oscillation como acontece actualmente… (*)

Mas tudo isto é muito complexo porque se sabe que a extensão do gelo depende dos ventos dominantes [ar de retorno quente/menos frio da circulação geral da atmosfera] que, por sua vez dependem das oscilações oceânicas, das correntes marítimas, etc. (*)

Resumidamente, estamos ainda longe de compreender tudo … mas os modeladores têm a faca e o queijo na mão [ao dispor do poder de (des)informar a opinião pública], como dizem certas pessoas.

Entretanto, os ursos brancos andam moralizados...

____________

(*) A troca entre causa (situação do Árctico ou do Antárctico) e efeito (fases dos índices meteorológicos como a AMO, a NAO, a ENSO, etc.) é típica de uma das escolas tradicionais baseada nas estatísticas.

Fig. JM6 - Mar gelado do Antárctico. Janeiro- Abril 2010.

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Fig. JM5 - Mar gelado do Árctico. Janeiro-Abril 2009. Fonte: NSIDC.

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sexta-feira, Maio 14, 2010

Inverno 2009-2010 (4)

[Tradução de parte da análise de Jean Martin]

(continuação)

3) O aumento da violência e da frequência das tempestades que se têm verificado, nomeadamente em França, seriam também, segundo alguns, a manifestação evidente do aquecimento global (subentendido “antropogénico”).

(continuação do ponto 3)

Agora, e ainda no tema das tempestades, focalizemos a nossa atenção nas medições efectuadas na Suécia onde foram conservadas observações meteorológicas e medidas barométricas desde tempos recuados.

As referências do artigo recente que nos interessa são as seguintes:

Lars Bärring et Krzysztof Fortuniak, 2009. Multi-indices analysis of southern Scandinavian storminess 1780–2005 and links to interdecadal variations in the NW Europe–North Sea region. International Journal of Climatology, 29, 373-384.

Os autores apresentam a sua investigação da seguinte maneira: Several studies using reanalysis data covering the second half of the 20th century suggest increasing storm intensity in the northeastern Atlantic and European sector.

Ou seja, vários estudos da segunda metade do século XX sugerem um aumento da intensidade das depressões no Nordeste do Atlântico. Mais à frente, os autores explicam a sua metodologia:

The question is whether changes to such storminess characteristics are a result of changes in frequency and intensity of deep cyclones in exposed regions. The essential problem is thus if any changes to cyclone activity are within natural variability or not, that is, the classical problem of climate change detection. As intense cyclones and severe windstorms are comparatively rare events, long-term records are required to capture the natural variability.

Os autores do estudo pretenderam saber se as variações da actividade ciclónica (depressões) se deveram à variabilidade natural do clima ou não. Como as baixas pressões cavadas são relativamente raras, estudaram séries longas para captar a variabilidade natural.

Esta metodologia demonstra o bom senso que, infelizmente, é muitas vezes esquecido. Com efeito, ao se pretender atribuir fenómenos climáticos, como depressões, às alterações climáticas, deve-se saber, primeiro, qual é o comportamento natural deles.

Não há nada como analisar as observações do passado durante um período longo tanto mais que se tratam de fenómenos relativamente raros. Não nos devemos contentar com registos de curta duração (p.e., de 1950 até aos nossos dias, como fizeram os autores dos artigos citados e criticados por Bärring et Fortuniak).

A figura mestre deste artigo (a análise dos dados é bastante complexa) está reproduzida na Fig. JM4. Ela indica a frequência (ou/e a intensidade) das depressões de 1780 a 2005 segundo os arquivos conservados na Suécia, em Lund e em Estocolmo.

A escala vertical está graduada em unidades arbitrárias que representam a intensidade das depressões. Os valores positivos e os negativos indicam, respectivamente, mais e menos depressões. As curvas com menos “ruído” representam os valores médios.

Como se verifica, se remontarmos no tempo até finais do séc. XVIII, não se pode pretender que o período recente seja mais tempestuoso que o normal. De facto, se fosse necessário escolher, antes diríamos ser menos tempestuoso.

Agora, se consideramos na Fig. JM4 apenas a evolução a partir de 1950, como fazem os autores do artigo criticado por Bärring et Fortuniak, concluiríamos que a frequência/intensidade das depressões aumentou seriamente. Com este método [artificioso], fez-se soar o alarme com grande amplificação nos títulos garrafais dos jornais…

Bärring et Fortuniak concluem, muito justamente, com os dois pontos seguintes:

(1) There is no significant overall long-term trend common to all indices in cyclone activity in the North Atlantic and European region since the Dalton minimum (*).

(2) The marked positive trend beginning around 1960 ended in the mid-1990s and has since then reversed. This positive trend was more an effect of a 20th century minimum in cyclone activity around 1960, rather than extraordinary high values in 1990s.

Assim, não existe tendência de longo prazo de todos os índices das depressões no Atlântico Norte e na Europa desde o mínimo de Dalton. A tendência positiva que começou em 1960 terminou cerca de 1990.

Em resumo, o período actual não é diferente, do ponto de vista das depressões, dos de séculos precedentes. O aumento assinalado nos anos 90 cessou e inverteu-se. Tudo isto faz parte das flutuações naturais.

[Na realidade, as depressões atlânticas nos anos 80-90 aumentaram devido ao aumento da actividade dos anticiclones móveis polares que se verificou a partir do shift climático de 1975/76. Este facto está confirmado na Fig. JM4.]

É uma pena para os alarmistas, mas será necessário que eles encontrem outro argumento…
__________

(*) O Minimum de Dalton foi um período de fraca actividade solar que se situou, aproximadamente, entre 1790 e 1830.

(continua)

Fig. JM4 - Tempestades no Atlântico Norte e na Europa. Fonte: Barring et Fortuniak.

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quarta-feira, Maio 12, 2010

Inverno 2009-2010 (3)

[Tradução de parte da análise de Jean Martin]

(continuação)

3) O aumento da violência e da frequência das tempestades que se têm verificado, nomeadamente em França, seriam também, segundo alguns, a manifestação evidente do aquecimento global (subentendido “antropogénico”).

Citem-se Klaus e Xinthia como provas… Para ser justo, deve-se reconhecer que o AR4 [Quarto relatório de avaliação do IPCC] de 2007 (Resumo Técnico) está bem documentado a este propósito. E com razão.

Como já disse anteriormente, e contrariamente à leitura precedente, convém ser muito prudente com este género de afirmações. Se a memória humana é bastante curta, as observações (medições), elas, perduram…

Para recolocar as coisas num contexto histórico, recomendo a leitura do livro de Emmanuel Garnier, Les Dérangements du Temps : 500 ans de chaud et de froid en Europe, que mostra quantas muito graves intempéries (tempestades, inundações, etc.) afectaram frequentemente o nosso clima, e muito antes da era do petróleo.

Ou seja, segundo aqueles, resumidamente, “clima mais quente = tempestades mais frequentes e mais severas”. Será isto bem verdade? Nós somos como S. Tomás. Faltam-nos provas, medidas, artigos científicos, para nos fazer crer.

Então, vamos verificar se “clima mais quente = mais tempestades”, baseando-nos em artigos científicos publicados recentemente na literatura revista pelos pares. Estes artigos respeitam mais especificamente aos europeus visto que são as nossas tempestades que foram tomadas como exemplo.

[Segue-se a recensão de dois artigos. A do segundo será publicada no post seguinte.]
____________

O primeiro destes artigos foi publicado online no dia 23 de Fevereiro de 2008 no Quaternary International 195 (2009) 31-41. Intitula-se The impact of North Atlantic storminess on western European coasts:A review.

Trata-se de um artigo do género de compilação e recolha da literatura científica publicada sobre um tema específico. Os autores são Michèle L. Clarke et Helen M. Rendell. Os autores introduzem o seu trabalho da seguinte maneira:

A compreensão do comportamento da actividade tempestuosa do passado é particularmente importante no contexto da futura alteração climática antropogénica com as predições de um aumento da frequência das tempestades e da subida do nível dos mares no final deste século.

Como sempre, o resumo diz-nos tudo. Ei-lo no original:

Abstract
Instrumental and documentary records of storminess along the Atlantic coast of western Europe show that storm activity exhibits strong spatial and temporal variability at annual and decadal scales.

There is evidence of periods of increased storminess during the Little Ice Age (LIA) (AD 1570–1990), and archival records show that these periods are also associated with sand movement in coastal areas.

Independent evidence of sand movement during the LIA is derived from dating the coastal sand deposits, using luminescence or radiocarbon methods.

The Holocene record of sand drift in western Europe includes episodes corresponding to periods of Northern Hemisphere cooling, particularly at 8.2 ka, and provides the additional evidence that these periods, like the LIA, were also stormy.

A Fig. JM3 representa a carta apresentada com este artigo. Ela indica em traços negros espessos as zonas que foram estudadas pelos 16 artigos científicos indicados como referências. Verifica-se que as zonas costeiras essenciais estão implicadas nesta análise.

Note-se, de passagem, a astúcia (e a paciência) dos investigadores que estudaram meticulosamente o deslocamento da areia das dunas costeiras. É um proxy (um indicador) interessante. De facto, as dunas de areia das nossas costas têm efectivamente conservado a memória das tempestades do passado, até épocas muito recuadas.

As conclusões deste artigo de revista são muito claras:

Os períodos frios têm coincidido com a ocorrência de uma forte actividade tempestuosa. A Pequena Idade do Gelo teria mesmo conhecido um aumento das tempestades. Isto é, as observações mostram exactamente o contrário das afirmações que se ouvem e se lêem por todo o lado…

Isto não é novidade.

[Convida-se os leitores a rever o longínquo post de 2006 Aproxima-se o frio. Pergunta-se: Com que se parece o actual estado do tempo?]

(continua)

Fig. JM3 - Areias das dunas da Europa. Fonte: M.L. Clarke et H.M.Rendell.

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segunda-feira, Maio 10, 2010

Livro: A impostura do aquecimento global

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Depois de vendidos 4ooo exemplares, em pouco mais de três meses, acaba de ser lançada a segunda edição de «A fraude do aquecimento global – Como um fenómeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial».

A editora é a Capax Dei, Rio de Janeiro, 2009, 165 páginas, ISBN 978-85-98059-12-9. O autor é o geólogo brasileiro Geraldo Luis Lino que, na aplicação da sua especialidade, trabalhou em projectos de engenharia civil e estudos de impacto ambiental.

Deve-se começar por felicitar Geraldo Luis Lino pela coragem de editar um livro desta envergadura desmistificando a maior impostura científica de toda a história da ciência. O autor não poupa palavras nesse desmascaramento.

Além do mais, Geraldo Luis Lino domina na perfeição a língua de Camões. A escrita é de uma elegância que enobrece a literatura da língua portuguesa.

O Prefácio de «A fraude do aquecimento global» é da autoria do eminente cientista brasileiro Luis Carlos Baldicero Molion, Doutor em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin, Madison, EUA, que foi Prof. de pós-graduação da Universidade de Évora, Portugal.

Carlos Molion começa por dizer Neste livro, o leitor encontrará os conceitos básicos para o entendimento do aquecimento global e como este fenômeno natural foi transformado em uma falsa emergência mundial, que não se sustenta em face das evidências científicas e das urgências reais que afligem a humanidade.

Molion termina o seu Prefácio do seguinte modo: “Finalmente, já é fato comprovado que o CO2 não controla as temperaturas globais. Como foi dito, o clima da Terra é complexo e, sem exagero, depende de tudo que ocorre no planeta e no Universo. O Sol está entrando em um novo mínimo do Ciclo de Gleissberg, no qual estará com baixa atividade nas próximas duas décadas.

Em adição, observações mostraram que os oceanos, em particular o oceano Pacífico, que são os principais controladores do clima global, ao lado do Sol, estão se resfriando. Portanto, nos próximos 20-25 anos, é muito provável que o clima global vá se resfriar, como ocorreu entre 1947-76, em vez de aquecer. É possível, pois, que a fraude do aquecimento global esteja com os dias contados.


«A fraude do aquecimento global” divide-se em nove Capítulos e três Apêndices. Cada Capítulo tem as suas referências bibliográficas num total de 229. A Apresentação dos editores contém cinco referências bibliográficas e os Apêndices 10. Há ainda um Posfácio com 13 referências bibliográficas que se dedicam ao Climategate. O livro apresenta 24 Figuras e Quadros de valores.

Trata-se de um livro de imprescindível leitura a todos os que pretendam entender esta impostura científica de dimensões colossais que coloca em perigo o desenvolvimento económico e social de toda a humanidade.

Os profissionais dos media nacionais deveriam ler este livro. Poderiam assim livrar-se da propaganda oficial que repetem sem entender. Grande parte destes profissionais actualmente promove a desinformação, enganando leitores, radiouvintes e telespectadores.

Os Capítulos dividem-se em: 1 - Factóides, fato – e fraude; 2 - O que é preciso saber sobre mudanças climáticas; 3 - Ataque ao bom senso e emergências mundiais (reais); 4 - História (quase) secreta do aquecimento global; 5 - Pesadelo pós-Kyoto; 6 - Por que o IPCC não pode prognosticar mudanças climáticas; 7 - O “taco de hóquei”, retrato de uma fraude; 8 - A indústria “aquecimentista”; 9 - Planeta resiliente e humanidade criativa.

No Capítulo 4 – História (quase) secreta do aquecimento global, Geraldo Luis Lino mostra com detalhes as origens do “ambientalismo” tal como o conhecemos actualmente. Lêem-se as seguintes palavras:

Naquele momento, a palavra de ordem era industrialização, principalmente entre os países subdesenvolvidos [...]”. [...] Foi nesse contexto que certos setores do Establishment anglo-americano, que desde o início do século XX promoviam iniciativas que visavam o controle social, como a eugenia (“melhoramento racial”) e o controle demográfico, colocaram em marcha o movimento ambientalista, com a criação de grandes ONGs internacionais como a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) e a Fundação Conservação (Conservation Foundation), as “sementes” da vasta rede de organizações que hoje integram o aparato “verde”.

Geraldo Luís Lino acrescenta: “[...] Em síntese a estratégia hegemônica desses setores do Establishment visava, basicamente: 1) transferir o controle dos processos de desenvolvimento dos Estados nacionais para entidades supranacionais [...]; 2) erradicar o “vírus do progresso” entre os estratos educados das sociedades de todo o mundo, com a difusão do irracionalismo e da descrença nas conquistas científico-tecnológicas como motores do desenvolvimento; 3) reduzir o crescimento da população mundial; 4) controlar uma grande proporção dos recursos naturais do planeta [...]”.

A criação do Clube de Roma, em 1968, correspondeu a uma fase avançada da agenda da chamada erradicação do “vírus do progresso” que passou ao conceito de “limites do crescimento”.

Geraldo nomeia cidadãos e instituições implicados nesta saga: família Rockefeller, Fundação Rockefeller, Fundação Ford, Fundação MacArthur, Sierra Club, Robert McNamara (ex-secretário da Defesa dos EUA e ex-presidente do Banco Mundial) e a eminência parda canadiana Maurice Strong.

A faceta científica está disseminada em todos os capítulos. Mas está particularmente concentrada no Capítulo 1 - Factóides, fato – e fraude e no Capítulo 2 - O que é preciso saber sobre mudanças climáticas. Não falta a citação do grande mestre Marcel Leroux, nas páginas 82 e 126.

O livro pode ser adquirido no sítio web da editora: http://www.alerta.inf.br/ct/1602.html

sexta-feira, Maio 07, 2010

Os bastidores do fracasso de Copenhaga

O Spiegel apresentou os bastidores do fracasso de Copenhaga, num vídeo-áudio das negociações secretas entre alguns chefes de Estado. Estes pretendiam que os países emergentes se comprometessem com a redução das emissões de CO2. Isto é, pretendiam a estagnação económica-social dos países em vias de desenvolvimento!

Legendas: Escolher o francês (skyfall.fr)





Diálogos:

00:00 Sommet du Climat de Coppenhague
00:04 Plus de 190 pays ont voulu sauver le climat mondial ici en décembre 2009
00:08 Mais le résultat a été un compromis bancal sans objectif chiffré
00:14 Voici des enregistrements exclusifs qui révèlent les négotiations secrètes entre dirigeants
00:21 et qui montre comment le sommet a finalement été un échec
00:25 Vendredi après-midi, 18 décembre 2009,
00:28 les 25 plus importants chefs d'état sont réunis
00:32 pas dans le hall de conférence mais dans la petite salle de séminaire "Arne Jakobsen"
00:37 Autour des biscuits et de l'eau minérale, les chefs de l'état veulent discuter sur un brouillon du traité sur le climat
00:43 La Chancelière Merkel veut accélérer les choses
00:45 Lars, qu'est ce qu'on attend ?
00:49 L'organisateur du meeting, Lars Lokke Rasmussen signale enfin le début de la partie de poker
00:53 Je pense qu'on doit discuter maintenant sur les objections majeures
01:03 Un brouillon du traité climatique est aux mains de chaque chef d'état
01:07 Mais les deux chiffres les plus importants,
01:11 les réductions de CO2 pour 2020 et 2050 sont pour l'instant remplacés par x et y
01:17 Merkel prend l'initiative :
01:20 Bon, on doit le faire et si tout n'est pas fait aujourd'hui,
01:27 alors nous devons au moins dire : avant 4 semaines
01:32 Parce ce qu'on ne peut pas rentrer et dire de belles choses,
01:36 en laissant x et y encore un an ou plus
01:39 Mais le négociateur chinois He Yafei joue la montre :
01:43 Pour être honnête, nous serons très prudents, parce que nous devons lire ligne par ligne,
01:48 peut-être colonne par colonne
01:50 Nous devons faire cela.Merci Monsieur le Président.
01:53 Le représentant indien prend alors la parole
01:57 Les objectifs chiffrés de réduction de CO2 sont ce que veulent les Européens,
02:01 mais l'Inde n'y est pas préparée
02:04 Les chiffres doivent être fixés selon les groupes et discutés lors de la prochaine conférence au Mexique
02:10 Nous avons répété tout au long, ne décrétez pas les options
02:14 Pourquoi décréter les options ? Je voudrais dire que, en ce qui concerne l'Inde,
02:20 il s'agit de présenter les résultats de ce travail dans une forme appropriée,
02:25 en tenant compte de la 16e session de la conférence des parties
02:32 La Chancelière Merkel : "donc, vous ne voulez pas d'obligation légale"
02:36 Le représentant indien : "pourquoi vous voulez une décision préétablie ?
02:38 Depuis le début, on a dit : jamais de décision préétablie,
02:40 et maintenant, vous décrétez les options. Ce n'est pas juste"
02:43 C'est maintenant clair : avec la Chine, le Brésil et l'Afrique du Sud, l'Inde s'est mise d'accord
02:50 le matin, lors d'une rencontre à huis clos, sur une stratégie de blocage
02:53 Ils veulent éviter des objectifs de réductions concrets pour 2020 et 2050
02:58 La Chine aussi, l'a dit clairement de nouveau :
03:00 "je suis surpris de voir que 2050 est encore là,
03:04 nous avons très clairement signifié notre objection ce matin"
03:08 Les Européens se doutent maintenant qu'ils sont les perdants avec leur demande
03:12 Mais ils continuent de se battre. Gordon Brown intervient :
03:16 "Je pense qu'il est important de reconnaître ce que nous essayons de faire ici,
03:20 Nous essayons de distinguer les réductions pour 2020 et 2050
03:27 C'est la seule manière pour nous de justifier notre présence,
03:30 et c'est la seule manière pour nous de justifier l'argent public qui a été dépensé
03:34 c'est la seule manière pour justifier notre recherche pour obtenir un traité
03:38 Je pense qu'il est très important de reconnaître que nous devons avoir des objectifs pour 2020 et 2050"
03:46 La Chancelière Merkel soutient son homologue et suggère un compromis :
03:50 "Je pense que c'est une bonne approche et je ne sais pas ce qu'en pense la Chine,
03:55 mais je voudrais faire une offre spéciale aux Chinois.
03:59 Si nous nous référons ici au rapport du GIEC, nous pourrons aussi dire,
04:06 nous avons besoin d'une réduction de 50% pour 2050
04:12 et une réduction de 25% à 40% pour 2020.
04:19 Donc vous devez prendre votre part et nous notre part.
04:23 Et nous avons tous penser à ce que nous faisons.
04:30 Est ce que cela convient à la Chine ?"
04:34 La réponse du négociateur chinois He Yafei est polie mais sans équivoque
04:41 "Merci pour toutes ces bonnes suggestions
04:45 Mais vous l'avons dit plutôt clairement que l'objectif des 50% de réduction ne peut pas être accepté"
04:52 Le président français Nicolas Sarkozy en a assez
04:56 En français, il s'insurge contre le blocage chinois
04:59 "C'est absolution inacceptable,
05:04 et ce n'est pas l'esprit de négociation
05:06 Vous savez que les pays les plus pauvres
05:09 n'auront pas les moyens que les pays riches sont prêts à mettre sur la table
05:14 pour la seule raison que vous ne voulez pas assumer un engagement à 50%
05:19 Nous sommes en désaccord seulement sur l'essentiel, ne pas le reconnaître c'est de l'hypocrisie
05:29 Le président Barrack Obama intervient dans la discussion
05:33 Il dit aux Chinois d'avancer également,
05:37 sans quoi, les pays industrialisés ne seraient pas prêts à faire des sacrifices
05:41 "Il y a une corrélation directe entre ces problèmes d'objectifs et d'engagement carbone et le financement
05:50 Vous ne pouvez pas séparer l'un de l'autre
05:52 Vous ne pouvez pas obtenir le financement sans une contrepartie
05:57 qui rassurerait le peuple américain que nous ne serons pas les seuls à nous engager"
06:01 Mais Obama l'a signifié clairement également : il ne va pas continuer à assister à ces marchandages plus longtemps
06:07 "Nous essayons d'avancer et de résoudre ces autres problèmes.
06:10 Et je dis que, je suis confiant que, je pense que la Chine désire encore un accord, comme nous.
06:17 L'alternative maintenant serait une rupture des négociations et je pense que ce serait très contreproductif,
06:23 Parce que Nicolas [Sarkozy] ne va pas rester jusqu'à demain
06:26 Je veux juste que vous le sachiez
06:29 Parce que nous tous, de toute évidence, avons des choses extraordinairement importantes, des affaires qui nous attendent"
06:34 Mais He Yafei n'entend pas céder à la pression
06:36 Au contraire, il blâme sur les pays industrialisés :
06:41 "J'ai entendu le président Sarkozy parler d'hypocrisie
06:46 Je pense, j'essaye d'éviter de tels mots.
06:50 J'essaye les arguments et le débat sur la responsabilité historique
06:57 Les gens tendent à oublier d'où vient ce problème
07:01 Au cours des 2 derniers siècles d'industrialisation, les pays développés ont contribué à plus de 80% des émissions
07:09 Ceux qui ont le plus gros problème sont ceux qui sont responsables de la catastrophe qui nous arrive"
07:18 La négociation semble s'enfoncer dans une impasse
07:23 Aucun des deux camps ne fait de concession
07:28 Finalement, le négociateur chinois demande une pause
07:30 J'ai une question d'ordre procédurale.
07:34 Je demande une suspension de deux minutes de la présentation
07:39 Nous avons besoin d'un peu de temps pour nous concerter"
07:42 Lars Rasmusen : "oui, nous devrons tous suspendre la réunion…"
07:47 Mais la réunion ne reprendra pas
07:50 En fait, la Chine, l'Inde, le Brésil et l'Afrique du Sud se rencontrent secrètement dans une autre salle et s'arrangent entre eux
07:56 Quand soudainement, le président Obama intervient dans la réunion, ils sont arrivés déjà à un accord, sans les Européens
08:02 Le sommet prend fin finalement. Les objectifs spécifiques de réduction sont toujours absents dans le contrat
08:10 Un compromis qui ne déçoit pas que les scientifiques du climat
08:13 Le sommet chaotique de Copenhague a échoué
08:17 Maintenant, le monde met ses espoirs dans la prochaine conférence au Mexique
08:21 Ce qui se passera en Novembre à Cancun ne concernera pas des blocages sur les tournures mais notre planète.
08:31 Version française par skyfall.fr

Fonte: Skyfall

Inverno 2009-2010 (2)

[Tradução de parte da análise de Jean Martin]

(continuação)

2) As estações de rádio e de televisão, alguns jornalistas que se ocupam da ciência, mesmo alguns cientistas afirmaram que este Inverno, particularmente abundante em neve, esteve totalmente de acordo com predições (cenários, previsões) de modelos climáticos que, de facto, previam o contrário.

Resumidamente, segundo eles, aquecimento global → mais evaporação dos oceanos, portanto, mais humidade e, consequentemente, mais neve no Inverno… Notemos que também se afirma, sem complexos, que o aquecimento global induz mais secas. O que está manifestamente em contradição com as observações.

Então o que se passou exactamente? Observou-se que o aquecimento global induziu “mais neve no Inverno”? O que, diga-se de passagem, é uma afirmação que entra directamente em contradição com as predições (cenários, previsões) do IPCC.

De facto, o IPCC anunciou (AR4-WGII) [quarto relatório de avaliação – grupo de trabalho II, 2007] que seria necessário encerrar as estâncias de esqui muito procuradas pelos nossos contemporâneos … por falta de neve (!).

Steve Goddard, autor convidado por Anthony Watts – o meteorologista de reconhecido mérito, autor do famoso blogue WUWT – teve a boa ideia de consultar as bases de dados da Rutgers University.

Esta base de dados é uma (se não a) base de dados de referência mundial sobre as camadas de neve depositadas nos solos. Vai daí, relativamente ao Inverno boreal, interessa-nos saber o que se passou no Hemisfério Norte.

Na Fig. JM1 estão registadas as superfícies da neve caída no solo (de Dezembro a Fevereiro) para o Hemisfério Norte em médias decenais a partir de 1967, de acordo com a base de dados da Universidade de Rutgers.

Esta base de dados indica-nos 4 Invernos com maior queda de neve, por ordem decrescente: 1978, 2010, 2008, 2003. A terceira semana de Fevereiro de 2010, com uma cobertura de 52 170 000 km2, foi a segunda na lista das 2229 semanas.

De notar que os anos 1967-1976 foram particularmente frios a ponto de terem suscitado a inquietude de algumas pessoas sobre a possível entrada numa nova pequena idade do gelo. Não foram apenas os jornalistas a inquietarem-se. Houve mais: Paul Ehrlich, Stephen Schneider e a Academia das Ciências dos EUA!

Ora, é actualmente difícil de entender os “cronistas” a recordar-nos sem cessar que o decénio que vivemos é o mais quente desde (a acreditar neles) … a noite dos tempos!

Como se pode verificar, os períodos onde a queda de neve foi mais marcada foram, simultaneamente, tanto os períodos mais frios (1967-1980) como os mais quentes (2001-2010).
Nestas condições, afirmar que o aquecimento global nos acarreta mais neve, ou nos priva dela, realça uma imaginação pura e simples e não uma observação objectiva. E as observações foram efectuadas durante um período de 33 anos. Ora, 33 anos são, ao que parece, um período que distingue a climatologia da meteorologia.

Ninguém pode prever o futuro pelo que as previsões de certas pessoas, que nos anunciam que “os nossos descendentes não saberão o que é a neve”, tal como as daquelas que nos anunciam que “vamos fritar como numa frigideira”, parecem-me mal feitas no dealbar do século XXI.

Por outro lado, os muito mal informados que assinam petições contra aqueles que duvidam e desejam saber mais acerca do aquecimento global “antropogénico”, dizem-nos [veja-se Michel Petit, um aquecimentista pretensioso]:

“Bem, outros indicadores, que não a temperatura média global, confirmam o aquecimento global: … (tais como) a diminuição da queda de neve no Hemisfério Norte”. Assim, segundo eles, a queda de neve teria diminuído no Hemisfério Norte?

Vamos analisar com dados oficiais [base de dados] que toda a gente pode consultar no sítio web da Rutgers University. Eis o gráfico integral traçado a partir dessa base de dados sem qualquer ajustamento: Fig. JM2.

Na Fig. JM2, indica-se: - A verde, a extensão total da superfície de neve caída no Hemisfério Norte entre 1967 e 2010 (Março incluído); - A azul, as variações; - Os dados são mensais. Verifica-se a existência de oscilações da superfície de neve caída no Hemisfério Norte entre os Invernos e os Verões sucessivos.

Mas onde está então “a diminuição da queda de neve no Hemisfério Norte” que seria, segundo o tal sítio web, uma das manifestações evidentes do aquecimento global antropogénico?

Francamente, a queda de neve global no Hemisfério Norte tem um aspecto bem uniforme, pelo menos desde 1967, não é verdade? (Nota: para confirmar, é bom seguir a marcação de uma linha horizontal para os máximos (Inverno) e de outra para os mínimos (Verão), com o auxílio de uma régua)

[Jean Martin termina o ponto 2 com o mito do aquecimento global de Vénus devido ao CO2. Al Gore, no livro de ficção científica “Uma verdade Inconveniente”, também afirma esta tolice a par de outras.]

(continua)

Fig. JM2 - Extensão de neve no HN de 1965-2010 (km2). Fonte: Univ. Rutgers.

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Fig. JM1 - Camada de neve no HN por décadas. Dez-Fev de 1967-2010 (km2). Fonte: Univ. Rutgers.

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quinta-feira, Maio 06, 2010

Neve em Trás-os-Montes em Maio

Por Filipa Miranda

Envio-lhe novamente algumas novas do nordeste – vim aqui passar uma semana e parece ser um mundo um pouco à parte.

Chegada a Mirandela no sábado. A diferença de temperatura para Lisboa era notória. Uma tarde fria a fazer lembrar a Lisboa de Janeiro.

No dia 2 de Maio, havia geada forte dentro da cidade e algumas fontes tinham uma ligeira película de gelo. Uma volta pelos montes em redor revelou geadas mais fortes e mesmo gelo – uma péssima notícia para os agricultores.

Bastantes agasalhados (casacos, luvas e gorro), eu e os membros da minha família regressámos à cidade onde a noite parecia invernal – nevoeiro e uma temperatura próxima de zero em Maio!
No dia seguinte, a surpresa foi estranha.

Rumámos a Montalegre para a visita a uns familiares mais distantes. Nevou ligeiramente na cidade (sem acumulação). No Larouco chegou a existir uma acumulação de alguns centímetros!

Apesar de não ser um fenómeno novo para o mês de Maio, creio que em qualquer parte do mundo queda de neve (ou mesmo geada forte) neste mês é quase sempre motivo de notícia.

Por cá, nem uma palavra. Nada mais que o habitual.

quarta-feira, Maio 05, 2010

Inverno 2009-2010 (1)

[Tradução de parte da análise de Jean Martin]

Neve, gelo, tempestades: a realidade objectiva perante afirmações peremptórias…

Como se sabe, uma grande parte do Hemisfério Norte conheceu um Inverno particularmente rude, pelas suas temperaturas, pela sua duração e pela altura da neve acumulada nos solos.

Do mesmo modo, o Norte da Europa e, muito particularmente, a França conheceram tempestades assinaláveis. Os pseudo-climatologistas que afirmam sem cessar que a climatologia não é a meteorologia dizem que as vagas de frio não querem dizer nada.

Mas mesmo assim, devem ter tirado uma série de ensinamentos. Segundo eles, as vagas de frio demonstram a gravidade e a urgência do que chamam agora “a desordem climática” ou, melhor ainda, “o caos climático”.

Analisemos [seguem-se 4 pontos destacados da extensa análise feita por Jean Martin, que MC vai separar em vários posts extraindo o fundamental]:


1) Alguns afirmaram que este Inverno bastante fresco foi um indicador evidente da desaceleração do Gulf Stream, prevista pelos modelos – acrescentam eles. Demonstram assim uma quádrupla ignorância:

- Por um lado, as observações mais recentes efectuadas com auxílio dos dispositivos ARGO, publicadas em Fevereiro deste ano, mostram que o Gulf Stream não acelerou nem retardou.

Na realidade, o Gulf Stream comportou-se tão bem como a totalidade da Circulação Meridional Atlântica [ou Atlantic Meridional Overturning Circulation da qual faz parte o Gulf Stream].

- Por outro lado, foi uma grande parte do Hemisfério Norte que esteve sujeita a um Inverno particularmente rude. Estas vagas de frio repetiram-se como não se tinha registado há muito tempo.

As vagas de frio afectaram uma vasta porção do Hemisfério Norte indo do Norte da China a uma grande parcela dos Estados Unidos da América, passando pela Rússia e pelo Norte da Europa, embora com anomalias positivas como no Este do Canadá (Vancouver) e no Norte de África.

Deste modo, a Rússia parece ter conhecido o seu Inverno mais duro desde que existem registos. Enquanto isso, no Norte da China, na Europa e no Centro e no Sul dos EUA aconteceu o Inverno mais frio desde os anos 1970 ou mesmo desde o início dos anos 60.

- Não se percebe como é que o Gulf Stream que contorna as costas do Norte da Europa poderia influenciar o clima chinês… Além disso, o exame atento da Oscilação Árctica deste Inverno mostra uma correlação muito nítida entre as vagas de frio e as suas fases negativas.

Esta oscilação (AO ou NAO) é perfeitamente natural e bem conhecida dos meteorologistas. É um fenómeno perfeitamente identificado. Não existe nenhuma dúvida sobre o facto de que uma inversão do diferencial de pressões entre os Açores e o Norte da Islândia está ligada a vagas de frio como as que nos afectaram este Inverno.

- Por último, contrariamente à crença largamente difundida, não está cientificamente provado que o Gulf Stream tenha influência importante no clima do Norte da Europa. As discussões entre especialistas sobre o tema continuam em curso.

(continua)

segunda-feira, Maio 03, 2010

O mistério das nuvens

No dia 2 de Abril de 2010 a televisão francesa ARTE emitiu o documentário dinamarquês realizado por Lars O. Mortensen, em 2009, que se pode ver aqui.

Cientistas famosos defendem a influência dos raios cósmicos nas variações do clima. Svensmark, Veizer, Shaviv, Friis-Christensen, explicam a teoria. A teoria de Henrik Svensmark atribui aos ciclos eruptivos do Sol uma forte influência sobre o clima.

Quase no final do documentário (aos 50 m 20 s), o astrofísico israelita Nir Shaviv afirma:

É maravilhoso. Porque a teoria faz-nos tomar consciência que nós não vivemos isolados no nosso pequeno planeta, Mas, sim, que fazemos parte do ecossistema galáctico. Nós somos testemunhas do que se passa à nossa volta.

A seguir, Svensmark acrescenta (aos 50 m 36 s):

Estas ideias mostram que a Terra não é uma pequena ilha isolada no universo. Fazemos parte do grande universo. E os processos que se desenrolam, como a formação de estrelas ou as variações da actividade solar, têm uma influência sobre o nosso clima. E todos estes factores podem produzir alterações consideráveis.

Mas o mistério das nuvens mantém-se. A cosmoclimatologia só por si não explica a dinâmica do tempo e do clima. De qualquer modo, estamos perante um avanço científico importante para compreendermos melhor o planeta em que vivemos.

sexta-feira, Abril 30, 2010

Portugal na linha da frente ...??

Por Jorge Pacheco de Oliveira

É frequente ouvirmos o Sr. Primeiro Ministro dizer que Portugal está na linha da frente das energias renováveis, com especial incidência na energia eólica. E se ainda não está, brevemente há-de estar, pois um tão importante desiderato consta do próprio Programa do XVIII Governo, páginas 20 a 22.

Ora, toda a gente sabe que de boas intenções está o Inferno cheio. Sucede que um recente estudo financiado pela União Europeia, o Projecto Wind Barriers, acaba de dar uma notícia verdadeiramente mazinha ao nosso Primeiro Ministro, ao revelar os prazos que são necessários nos diferentes países da UE para ser emitida uma licença de instalação de um parque eólico.

Imagine-se em que posição se encontra Portugal. Exactamente na última ! Arriscando um “Coitado é a tua tia pá!” não é possível evitar dizer : coitado do Sr. Primeiro Ministro. No que respeita à emissão de licenças, a linha da frente é, afinal, a linha de trás.

Mas não surpreende que o licenciamento seja a pedra de toque dos projectos eólicos em Portugal, uma vez que, no nosso país, o licenciamento, se não é o maior, é um dos maiores obstáculos para se fazer seja o que for.

Claro que em Portugal é tudo gente séria e esta situação pode decorrer apenas de uma lamentável distracção das entidades envolvidas, mas nunca é demais recordar que o mais velho “negócio” do mundo consiste em levantar dificuldades para vender facilidades. Homem prevenido...

O relatório completo será publicado no próximo mês de Julho, mas entretanto pode ser lido um breve resumo da má notícia trazida pelo Projecto Wind Barriers no site da Modern Power Systems.

Em todo o caso, aqui fica a transcrição do original, com o elucidativo título:

Portugal bottom of wind consent league

It takes on average 42 months to get a building consent for a wind farm in the EU, with Italy, Belgium and the UK among the quickest countries and Spain and Portugal among the slowest. These findings have been disclosed by the EU-funded project, Wind Barriers, c-oordinated by the European Wind Energy Association (EWEA).

The time needed for onshore wind farm planning applications ranges across the EU from less than 10 months to well over 50. The reasons for this enormous gap vary, but include the high number of authorities to liaise with, and the lack of clear administrative guidelines for developers.

Top of the table is Finland, with just over eight months needed to get permission to build a wind farm, followed by Austria (10 months), Romania (15 months), and Italy (18 months). The country where the patience of a wind developer is most challenged is Portugal, where over 58 months are needed on average to get permits. Also at the bottom of the list are: Spain (57 months), Greece (50 months) and Poland (43 months).

The Wind Barriers project also investigated the number of authorities that need to be contacted in each country in order to obtain permission to build onshore. Denmark has the fewest authorities to contact, just five, whereas Greece has the most authorities to contact, with 41.

But there is not a direct correlation between the length of time it takes to get permission and the number of authorities that need to be contacted. Spain, for example, is one of the countries with the least number authorities that need to be contacted (only nine), but is one of the slowest, taking an average of over 57 months to get permission to build a wind farm.

“If Europe is serious about reaching 20% renewables by 2020 some member states need to streamline their consent procedures for wind farms,” Justin Wilkes, EWEA Policy Director, said. “There are a number of actions all Member States could take: creating a one stop shop approach for contacting the different authorities, writing clear guidelines for developers, and introducing better and streamlined spatial planning procedures. Implementation of the Renewable Energy Directive provides a real opportunity for targeted action in certain EU countries,” he said.

The experience in the offshore sector is, so far, more positive. The average time to get the green light is 18 months, much lower than onshore. “A number of countries with offshore wind farms have developed an efficient decision making process for this sector, thereby reducing the complexity for offshore wind developers,” concluded Wilkes.

Wind Barriers has do far revealed only part of its findings, which will be published in a full report with all data on administrative and grid connection procedures in developing wind farms in July 2010.