terça-feira, agosto 30, 2005

IPCC contra a epistemologia

A filosofia desempenha um papel importantíssimo no estudo da teoria do conhecimento, ou epistemologia, para demarcar o que são teorias científicas do que é pseudociência. São conhecidos os trabalhos de Karl R. Popper, com o célebre critério da refutação, de Thomas S. Kuhn, com os escombros de velhos paradigmas, e de Mário Bunge, com os 20 critérios da demarcação.

Os filósofos também se têm debruçado sobre o folclore climático. Veja-se o que diz Simon Blackburn: «Casos mais insidiosos de alucinação de massas dependem …das necessidades institucionais das ciências específicas [subsídios, financiamentos, …]. Assim, por exemplo, o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática [IPCC] tem produzido incessantemente gráficos e relatórios dando conta dos efeitos iminentes e catastróficos do aquecimento global.»

Continua Simon: «Para os cientistas que fazem parte do Painel, essas teses justificam mais financiamento, sem falar em mais poder institucional, recursos informáticos e viagens de avião em primeira classe para ir a conferências em locais exóticos [o autor deve-se referir aos locais de realização das Conference of the Parties].»

Blackburn reflecte sobre o complexo de culpa das massas: «A paixão que nos faz receber estes relatórios…tão avidamente é, suponho eu, a culpa. Pois de facto apenas existem escassos dados que apoiem a tese do aquecimento global, e muitos e bons dados que apoiam a tese de que não há nenhum ou quase nenhum.»

O filósofo acrescenta: «Hume também cita aprovadoramente um dito de La Rochefoucault segundo o qual há muitas coisas acerca das quais o mundo deseja iludir-se. O impulso religioso é uma das manifestações desta verdade.» Assim nasceu a religião oficial do “climate change”.

Além disso, Simon salienta a exploração da angústia da opinião pública: «Mas outra [manifestação] é o impacto das emoções – incluindo o medo e a culpa – sobre a crença, e este é o mecanismo que nos leva a receber mensagens de desgraça e de desastre com as nossas faculdades de análise crítica adormecidas.»

O filósofo Simon Blackburn não deixa de comparar as verdades com as divagações:«… não há dados que comprovam a subida do nível do mar ou o aumento de agressividade climática (os escassos dados a favor disso advêm de medições feitas à superfície do globo e arbitrariamente distribuídas), ao passo que os dados substanciais contra essa ideia são proporcionados por satélites que têm um raio de acção sobre praticamente todo o planeta e por balões meteorológicos.»

Perante tanto show-off, Simon desabafa: «Mas uma declaração pública pode falar em nome de todo o edifício da ciência sem reflectir adequadamente o carácter dessa ciência. É às declarações públicas, quer sejam da Sociedade Americana de Psiquiatria, do Governo ou do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que se tem de dar um grande desconto.»

Uma “projecção”, que é a base pseudocientífica das profecias do IPCC para 2100, não tem valor científico. Tem, sim, valor técnico. É apenas um método utilizado para prospectar, através de modelos informáticos, o futuro num determinado caminho predefinido de um mundo que não é previsível.

Obs.: Os textos de Simon Blackburn pertencem à tradução de Pedro Santos sobre a “Palestra Voltaire” organizada pela Associação Humanista Britânica proferida em 13 de Dezembro de 2001 no King’s College, London, publicada no excelente blog português de filosofia «Crítica» .

2 Comments:

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2:01 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Não encontrei outra forma de poder contactar o autor do Blog. Não encontrei endereço de e-mail ou forma de colocar um comentário num artigo mais actual. O meu comentário não tem pois a ver com este artigo mas sim com o interesse em discutir este assunto e, eventualmente, formas de divulgação pública desta perspectiva, no meu entender correcta. Cumprimentos. Fernando Santana (f.santana@netvisao.pt).

10:27 da manhã  

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